Origem - Dan Brown

Resenha do Livro Origem, de Dan Brown

Olá, Sonhadores! Quem já teve algum contato com os livros de Dan Brown provavelmente ouviu falar sobre a famosa “fórmula” utilizada pelo autor em suas histórias. Mistérios históricos, códigos, perseguições, grandes revelações e capítulos curtos costumam fazer parte do pacote. No entanto, não tenho tanta propriedade para comparar suas obras, já que, até então, havia lido apenas dois livros do escritor e Origem foi meu primeiro encontro com Robert Langdon.

Ainda assim, depois dessa leitura, consegui entender muito melhor por que Dan Brown conquistou tantos leitores. Origem reúne diversos elementos que eu particularmente gosto em um thriller e, principalmente, consegue trabalhar assuntos bastante complexos sem transformar a leitura em algo cansativo. Pelo contrário: quanto mais o livro avançava, mais curioso eu ficava para descobrir onde tudo aquilo terminaria.

De onde viemos e para onde vamos?

A história gira em torno de Edmond Kirsch, um famoso futurólogo, cientista e especialista em tecnologia que afirma ter encontrado respostas para duas das maiores perguntas feitas pela humanidade: “De onde viemos?” e “Para onde vamos?”.

Sua intenção é apresentar sua descoberta ao mundo durante um grande evento, porém Edmond decide antes compartilhá-la com representantes das principais religiões. A escolha, naturalmente, já indica que aquilo que ele descobriu pode provocar consequências enormes não apenas para a ciência, mas também para a maneira como muitas pessoas enxergam suas próprias crenças.

É nesse contexto que Robert Langdon entra na história. Professor de simbologia e antigo conhecido de Edmond, ele participa do evento e acaba envolvido em uma situação muito maior do que esperava. A partir disso, começa uma corrida para que a descoberta do cientista consiga finalmente chegar ao público.

Embora exista muita ação, o verdadeiro mistério de Origem está justamente nas respostas prometidas por Edmond. Por isso, é difícil falar muito mais sobre a história sem entrar em spoilers.

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Ciência, religião e tecnologia sem uma aula cansativa

Um dos aspectos que mais me surpreenderam foi a maneira como Dan Brown introduz conceitos científicos, religiosos e filosóficos ao longo da narrativa.

Esse tipo de recurso pode facilmente prejudicar o ritmo de um thriller. Afinal, quando um autor precisa interromper a ação para explicar teorias ou contextualizar determinados assuntos, existe sempre o risco de transformar algumas páginas em uma aula disfarçada dentro da história. Felizmente, não senti isso aqui.

Dan Brown apresenta as informações na medida necessária para entendermos o que está acontecendo e, ao mesmo tempo, consegue despertar curiosidade sobre os temas abordados. Em vários momentos, eu não estava apenas esperando pela próxima revelação da trama, mas também genuinamente interessado nas discussões que o livro propunha.

Consequentemente, ciência e religião não aparecem apenas como decoração para tornar o mistério mais sofisticado. Esses assuntos estão diretamente ligados às perguntas que movem toda a narrativa.

Uma escrita que sabe manter o ritmo

Outro ponto que funcionou muito bem para mim foi a escrita de Dan Brown. Ela é objetiva, traz descrições na medida certa e raramente deixa a história perder velocidade.

Além disso, os capítulos curtos ajudam bastante a criar aquela sensação clássica de “só mais um capítulo”. Frequentemente, o autor termina uma cena justamente no momento em que alguma informação importante está prestes a surgir e muda o foco para outro personagem ou acontecimento.

Pode até ser uma técnica bastante calculada, mas comigo funcionou.

Ação, mistérios e reviravoltas também aparecem constantemente. Entretanto, o que realmente tornou a experiência satisfatória foi perceber que toda essa construção caminhava para uma conclusão capaz de sustentar a expectativa criada pelo livro.

Origem - Dan Brown

O desafio de entregar uma resposta convincente

Durante praticamente toda a leitura, uma preocupação ficou na minha cabeça: qual resposta Dan Brown poderia dar para perguntas tão grandes?

A premissa estabelece uma expectativa perigosamente alta. Afinal, quando um personagem afirma ter descoberto de onde viemos e para onde vamos, existe uma enorme possibilidade de a resposta final parecer fantasiosa, exagerada ou simplesmente decepcionante.

Por isso, talvez meu maior elogio ao livro esteja justamente em sua conclusão.

Para mim, ela funciona. A resposta apresentada dentro da proposta da história conseguiu me convencer e fez com que todo o caminho percorrido até aquele momento valesse a pena. Evidentemente, estamos falando de ficção, porém Dan Brown constrói suas ideias de maneira suficientemente plausível para que elas provoquem reflexão mesmo depois da última página.

Também considero interessante como Origem utiliza lugares reais da Espanha e elementos relacionados à arte e à arquitetura dentro de seu mistério, algo bastante característico das aventuras de Robert Langdon. Dessa forma, tecnologia, ciência, religião, história e arte acabam coexistindo dentro da mesma investigação.

Vale a pena ler Origem?

Quando terminei Origem, fiquei dividido entre escrever uma resenha tradicional ou produzir um texto completamente diferente, cheio de spoilers, para discutir as ideias e revelações apresentadas pelo livro. Isso provavelmente diz bastante sobre o impacto que a leitura teve sobre mim.

Talvez eu ainda faça essa discussão algum dia.

Por enquanto, prefiro deixar a experiência intacta para quem ainda pretende conhecer a história. Origem conseguiu me prender pelo mistério, pelas discussões que apresenta e, principalmente, pela maneira como consegue transformar assuntos complexos em parte de um thriller extremamente acessível.

Se você gosta de histórias envolvendo ciência, religião, tecnologia, mistérios e grandes perguntas sobre a humanidade, minha recomendação é bastante simples: leia.


Avaliação

Avaliação: 5 de 5.

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Skoob – Goodreads


Origem - Dan Brown

Origem

Dan Brown

ISBN: 978-85-804-1766-1

2017 – Arqueiro

432 páginas

Português (Brasil)

Sinopse

De onde viemos? Para onde vamos?
Robert Langdon, o famoso professor de Simbologia de Harvard, chega ao ultramoderno Museu Guggenheim de Bilbao para assistir a uma apresentação sobre uma grande descoberta que promete “mudar para sempre o papel da ciência”.

O anfitrião da noite é o futurólogo bilionário Edmond Kirsch, de 40 anos, que se tornou conhecido mundialmente por suas previsões audaciosas e invenções de alta tecnologia. Um dos primeiros alunos de Langdon em Harvard, há 20 anos, agora ele está prestes a revelar uma incrível revolução no conhecimento… algo que vai responder a duas perguntas fundamentais da existência humana.

Os convidados ficam hipnotizados pela apresentação, mas Langdon logo percebe que ela será muito mais controversa do que poderia imaginar. De repente, a noite meticulosamente orquestrada se transforma em um caos, e a preciosa descoberta de Kirsch corre o risco de ser perdida para sempre.

Diante de uma ameaça iminente, Langdon tenta uma fuga desesperada de Bilbao ao lado de Ambra Vidal, a elegante diretora do museu que trabalhou na montagem do evento. Juntos seguem para Barcelona à procura de uma senha que ajudará a desvendar o segredo de Edmond Kirsch.

Em meio a fatos históricos ocultos e extremismo religioso, Robert e Ambra precisam escapar de um inimigo atormentado cujo poder de saber tudo parece emanar do Palácio Real da Espanha. Alguém que não hesitará diante de nada para silenciar o futurólogo.

Numa jornada marcada por obras de arte moderna e símbolos enigmáticos, os dois encontram pistas que vão deixá-los cara a cara com a chocante revelação de Kirsch… e com a verdade espantosa que ignoramos durante tanto tempo.

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