Um de Nós Está Mentindo – Karen M. McManus [P. S. Allen]

Julho passou voando e, de repente, as férias já acabaram. Mas aproveitei bastante: muitos livros, séries, filmes, exercícios… Foi muito bom! Estou pronto para mais um semestre na facul (acho…kkkk).

E aproveitando essa vibe mais tranquila porém curta, acabei optando por leituras que tivessem um ritmo mais fluído, uma escrita não tão densa, algo que fosse mais para distração. E, como no meu aniversário ganhei um livro que se encaixava perfeitamente nessas requisitos, resolvi lê-lo durante as férias.

Quando cinco alunos vão parar na detenção após a aula e um deles morre de forma misteriosa, os outros quatro passam a ser suspeitos. E, como se não bastasse a investigação policial, uma página na internet tem revelado segredos intrigantes sobre o caráter desses alunos. Unindo forças, esses quatro jovens de esferas sociais bem diferentes começam a investigar por conta própria toda essa história. Mas eles não podem confiar nos outros e nem neles mesmos. Afinal, o culpado pode ser qualquer pessoa, até um deles quatro.

“Um de Nós Está Mentindo”, o livro de estreia da autora Karen M. McManus, trará muitas reviravoltas, mentiras e confusão para a cabeça do leitor. Abordando temas como o uso das redes sociais, bullying, relacionamentos e dilemas adolescentes, a história vai construindo um quebra-cabeça sem sentido algum; o leitor se depara com cinco personagens que relatam suas visões de um mesmo acontecimento. Mas você não vai consegue confiar em nenhum deles plenamente.

Nas quase 400 páginas da história, você verá do que as pessoas são capazes para manter as aparências e esconderem seus segredos. Para os amantes de “Clube dos Cinco”, “13 Reasons Why”, “Pretty Little Liars” e “Riverdale”, essa história será um mix de todos esses enredos. Será que você vai conseguir adivinhar quem é o culpado? Seu desafio é ligar os pontos.

TOP 5 – Livros que eu estou a muito tempo enrolando para ler

Esse é um top que eu poderia fazer um TOP 50 de tantas opções que tenho. Mas como eu quero inventar uma desculpa me justificar em cada um, vamos resumir em um top 5!

5 – Batalha do Apocalipse – Eduardo Spohr

Este é um caso simples de “eu quero a edição especial do livro, mas ela é mais cara, portanto aguardo promoções”. Já faz muito tempo isso, e eu sei que é bem provável que eu já tenha deixado passar alguma promoção. Este livro também não é algo que eu esteja desesperado para ler, então eu consigo esperar até encontrar por um preço melhor.

4 – Sherlock Holmes – Sir Arthur Conan Doyle

Desta vez não se trata de apenas um livro, mas de toda a coleção de obras de Sir Arthur Conan Doyle sobre Sherlock Holmes. Comprei a dois anos a box da Editora Nova Fronteira e até agora só li apenas 2/3 de um dos 4 Volumes. Eu gostei bastante e, realmente, não tem justificativa nenhuma em especial para eu não ter lido, apenas o fato de eu passar outras leituras na frente…

3 – Fundação – Isaac Asimov

Vou ser sincero, quero muito ler, mas estou enrolando por achar que vai ser uma leitura cansativa e que vai levar muito tempo. Não sei se estou preparado para ela agora, e gostaria de eliminar outros livros da minha lista de desejos antes. Vou sempre acabar passando livros mais rápidos na frente, mas espero criar coragem qualquer dia desses.

2 – Senhor dos Anéis – J. R. R. Tolkien

Como um nerd de carteirinha, eu sou muito criticado por ainda não ter lido essa saga. Recentemente eu adquiri O Hobbit e Silmarillion (que eu ainda não li também), pois estavam em promoção, mas eu ainda não tenho os livros de Senhor dos Anéis em si. Este é uma das prioridades pra mim neste ano, então tenhamos fé.

1 – A Hora do Vampiro – Stephen King

Recomendado a mim pelo P. S. Allen faz dois anos, eu prometi ler e desde então não li. Motivo? Passo outras leituras na frente. Mas, em minha defesa, ele mesmo me recomenda outras coisas que me fazem passar na frente e demorar ainda mais pra ler este livro. Porém, sinto que a hora de A Hora do Vampiro está chegando! E é claro, vai ter resenha no blog.

Orgulho e Preconceito – Jane Austen [P. S. Allen]

Quando eu era adolescente, eu gostava muito de livros românticos. Quem nunca leu um livro cheio de melodrama? Aqueles livros em que você suspira e fica torcendo para que o casal protagonista consiga superar todas as reviravoltas do destino e ficarem juntos. Você sofre, você chora, você ri, suspira no primeiro beijo e quase se derrete com o final feliz.

Um livro que me causou todas essas sensações foi Orgulho e Preconceito da Jane Austen. A história gira em torno dos Bennet, uma família de classe média do interior da Inglaterra do século XVIII. As cinco irmãs Bennet são muito diferentes entre si e cada uma traça seu destino maravilhosamente. Elizabeth, umas das cinco filhas do casal, é uma moça de temperamento forte, decidida, astuta e com um humor bem sarcástico. Logo no início da história, ela conhece o antipático, esnobe e arrogante Darcy, um amigo de um vizinho rico que acabou de se mudar para o vilarejo. A repulsa entre Elizabeth e Darcy é imediata: ambos concordam que são muito diferentes e estão prontos para se odiarem e seguirem suas vidas. Porém, uma série de encontros e desencontros vão acontecer para que seus caminhos se cruzem e isso fará com que as primeiras impressões sejam mudadas. Ambos terão de lutar contra um sentimento que não esperavam sentir.

Já li este livro duas vezes, o que é raro acontecer (não costumo repetir leituras) e perdi a conta de quantas vezes já vi o filme (considero um boa adaptação). O que me chama a atenção é que quando o li pela primeira vez, em 2009, eu reagia exatamente como descrevi no começo do texto: me derretendo todo. Em 2017 eu decidi relê-lo e, apesar de ainda torcer muito pelos personagens, consegui compreender algumas questões que são levadas em conta por Elizabeth e Darcy, questões que não eram tão simples assim. Consegui entender, também, o porquê de a história ter esse nome. Parece que o tempo e a maturidade também são ferramentas que auxiliam na compreensão de leituras.

Sobre a autora, Jane Austen foi uma moça que nunca se casou e morreu muito jovem. Não escreveu muitas obras, mas isso não impediu de ser considerada uma das melhores escritoras de todos os tempos. Quem a conhece sabe que suas personagens fazem ironias à classe burguesa da época e que suas heroínas, como ela chamava as personagens principais, são sempre mulheres que quebravam paradigmas e levantavam questionamentos sobre costumes sociais. A escrita é maravilhosa também! Ela conseguia descrever cenas de uma forma bem realista. Você é capaz de sentir o gosto de uma fruta, sentir a temperatura, a maciez do tecido das roupas… Enfim, uma mulher brilhante que, com sua ousadia, ganhou espaço num mundo conservador.

Orgulho e Preconceito é um clássico! Recomendo muito a leitura. Pode ter certeza que o livro trará não somente amor, mas aventuras, comédia, personagens inusitados e questões que ainda existem na sociedade atual. Emma, A abadia de Northanger e Mansfield Park são outras obras de Jane Austen que estão cheias do mesmo brilhantismo, crítica social e ironia.

P. S. Allen

 

Frankenstein – Mary Shelley

A maioria das pessoas pensam que Frankenstein é o monstro dessa história de Mary Shelley. Algumas pessoas, um pouco mais bem informadas, sabem que o monstro é só o monstro e que Frankenstein é o Dr. Frankenstein, o criador dele. Mas só quem realmente já leu este livro, sabe que a história trata muito mais sobre drama do que de terror.

Temos dois lados nessa história. O primeiro é sobre o Dr. Frankenstein, que ultrapassando os limite da ciência e da moralidade, cria, através de orgãos e membros coletados do necrotério, um criatura bizarra. Assustado com sua própria criação, ele deixa o monstro fugir e passa o resto da vida atormentado pelas consequências dessa experiência. Do outro lado da história temos o Monstro, que sem consciência de quem é, onde está e o que fazer, começa a conhecer o mundo, em suas belezas e tristezas. Durante a leitura, você acompanha todo o desenvolvimento desse ser, de como ele se descobre uma aberração, de como ele desenvolve seus sentimentos bons e ruins e de quanto sofrimento ele passa, sem nunca ter uma única oportunidade de ter um amigo ou de receber um pouco de afeto.

Para mim, a parte do livro que narra a trajetória do monstro foi um pouco mais marcante. Tudo é triste! Sentimos empatia e nos identificamos com as coisas ruins que acontecem com ele. O sofrimento é o que o corrompe e é o que faz ele atormentar seu criador em busca de vingança e interesses próprios. O lado do Dr. Frankenstein é onde se encontra o terror da história; é um thriller de como ele é levado a loucura através do trauma e arrependimento da criatura que fez, e de todas as perdas que ele vai ter em sua vida em consequência disso.

Assim como qualquer clássico, este livro tem um certo grau de dificuldade na leitura, sendo considerado um pouco cansativo e monótono. Não é exatamente o que eu recomendo para quem busca terror, mas sim para quem quer, realmente, uma leitura densa e pesada, que vai te fazer pensar e repensar sobre diversas coisas.

Jogador N1 – Ernest Cline

Eu estava receoso de fazer essa resenha, porque assim… pra mim esse livro não foi tudo isso que as pessoas dizem. Eu sempre tento dar destaque para os pontos positivos dos livros, e Jogador Nº1 tem os seus, mas pra mim o que pegou mais foram os negativos. Antes de mais nada, é importante pontuar que eu ganhei este livro porque games é uma área que eu gosto. E tudo isso foi antes do filme, e eu não sabia basicamente nada sobre a história.

O livro conta a história de Wade, um adolescente que vive numa Terra já totalmente corrompida e miserável. Os recursos do planeta estão no fim, e toda a infraestrutura das cidades se tornaram um caos (com exceção de alguns centros urbanos privilegiados). Porém, incrivelmente, neste mesmo mundo, temos o OASIS, que nada mais é do que um mundo de realidade virtual, que pode ser acessado por qualquer pessoa em qualquer lugar, desde que tenha o dispositivo eletrônico para fazer isso. Neste mundo virtual existe tudo o que você pode imaginar: jogos, trabalhos, até mesmo escolas. Ou seja, este é o único lugar em que as pessoas ainda podem ter algum lazer e fugir do mundo real. O primeiro ponto que eu não consegui engolir, é como essa tecnologia é sustentada em um mundo tão desestruturado. Talvez eu acabei tendo uma interpretação um pouco exagerada da situação do planeta, mas pra mim não tem cabimento isso funcionar. Por mais incrível que seja o OASIS, primeiro vem as necessidades básicas humanas.

Ignorando isso e seguindo em frente, vamos falar sobre a trama. Tudo começa quando morre o desenvolvedor e dono do OASIS. Ele não tem herdeiros e, sendo um cara excêntrico, resolve colocar um desafio em sua criação, segredos que qualquer pessoa pode buscar e descobrir. E a regra é simples, quem chegar primeiro até o final desse desafio, herdará o OASIS. Foi um caos quando isso foi declarado, todo mundo estava desesperado para ser o vencedor. Porém, os anos se passaram e ninguém conseguia desvendar os enigmas e avançar no desafio. Até que nosso protagonista, Wade, consegue dar o primeiro passo e reacende a comoção mundial na busca pela herança. Nisso, Wade acaba fazendo algumas amizades com outros jogadores que acabam se tornando a elite do desafio, os primeiros colocados. Mas nem tudo é fácil, o maior concorrente deles é uma empresa privada que, pelo que entendi, é a detentora da maior rede de internet do mundo, e tem a ambição de adquirir o OASIS, para então ter controle absoluto sobre o mundo. O problema é que essa empresa não vai poupar recursos e trapaças para conquistar seu objetivo, deixando os jogadores comuns como Wade e seus colegas em desvantagem.

Particularmente, eu achei a ideia promissora, tinha tudo pra ser divertida. Fiquei durante toda a leitura curioso por saber quem conseguiria vencer. Houveram muitas reviravoltas, onde a cada passo um personagem ultrapassava os concorrentes e tomava a liderança. Minha crítica aqui fica por conta dos desafios chatos, onde claramente a proposta é o leitor, junto com o protagonista, desvendar os mistérios que levam ele para os próximos passos. Só que é IMPOSSÍVEL para o leitor descobrir qualquer coisa, tudo depende de referências muito aleatórias que no mínimo precisaria de algumas pesquisas e, convenhamos, ninguém vai parar a leitura pra fazer isso, sendo que a resposta vai estar a algumas páginas. Eu estou acostumado a ler livros investigativos, e pra mim não desce quando o autor se propõe a isso e espera um milagre da gente.

Esse assunto nos leva ao próximo problema do livro, mas que muita gente não considera como um problema, que são as referências aos anos 80. Legal ter referências, legal que as referências podem ser usadas para o leitor decifrar os próprios enigmas do jogo, quer dizer, tudo isso seria legal se tivesse sido assim. Mas o que realmente aconteceu, foram um monte de referências aleatórias, sem significado nenhum pra história, e que a grande maioria dos leitores não vai pegar, porque é um livro feito para jovens, mas com referências de uma época em que o próprio público não era, sequer, nascido. “Mas Lucas, o livro não é só pra jovens, foi feito para quem viveu na época também!”, de fato, tenho certeza que o autor teve essa intenção com as referências, e não tenho dúvidas que essas pessoas apreciaram muito o livro, mas ele foi um sucesso para todos os públicos! E isso para mim não faz menor sentido. E o pior, é que não da para só ignorar as referências, elas são muito exageradas e desnecessárias a ponto de ser irritante, parando o andamento da história pra um “blá blá blá” sem fim e significado nenhum pra quem não conhece. “Mas Lucas, pra quem não conhece, é legal que passa a conhecer”, se você ler com essa mentalidade, sucesso! Não foi meu caso, e por isso o livro não funcionou pra mim.

Não achei o livro ruim, e não considero que perdi tempo lendo. Se você gostou, por favor, me conte o que te fez gostar, especialmente se você não se encaixa no público dos anos 80. Enfim, o quanto foi bom pra mim não chegou nem perto do quão bom as pessoas dizem que é, e a única conclusão que eu chego é que é um livro superestimado demais.