Resenha | Percy Jackson e os Deuses Gregos – Rick Riordan

Aqui está uma leitura que me surpreendeu. Eu nunca li nenhum livro da série de Percy Jackson, e nunca tive intenção de ler também. Não que houvesse um motivo especial para isso, apenas ainda não chegou aquele momento em que a gente sabe que agora é a hora de ler tal livro, sabe?

Ganhei essa edição de Percy Jackson e os Deuses Gregos de presente de aniversário. Quem me deu sabia que eu estive, por muito tempo, tentando terminar de ler um livro de histórias da mitologia grega e não conseguia. O livro em questão era “As 100 Melhores Histórias da Mitologia” e é um livro muito bom, recomendo para quem também gosta do tema. O problema era que faltava alguma coisa para me prender e fazer a leitura fluir. Inesperadamente eu encontrei isso em um dos meus presentes de aniversário.

Diferente dos outros livros da série “Percy Jackson e os Olimpianos”, esse não é um romance que gira em torno de Percy. Este livro é uma coletânea de histórias da mitologia grega, narradas pelo personagem Percy Jackson. Apesar de em alguns pontos o narrador criar vínculos com a série dos Olimpianos, as histórias em si seguem as versões mais comuns da mitologia em si.

O que eu encontrei neste livro, e que me fez ler rapidamente até o final, foi a narrativa. Ter alguém com o perfil do Percy, narrando as histórias dos deuses e aplicando em cima seu tom de graça e deboche, prendeu muito mais minha atenção do que um livro que narra apaticamente. Se você conhece a mitologia grega, você sabe que tudo nela é exagerado, dramático e totalmente sem noção. Então, quando você junto tudo isso com uma narrativa engraçada, você tem a fórmula perfeita pra deixar os contos da mitologia mais interessantes.

Até pra quem não tem muito interesse em mitologia, esse é um livro divertido. Sem contar as ilustrações super legais que tem ao longo do livro para cada história. Quem teve a ideia de produzir esse livro, parabéns, foi uma ótima ideia. E espero receber mais presentes com soluções inesperadas para minha vida.

Tipos de Personagens

Tipos de personagens? Protagonistas? Antagonistas? Personagens secundários? Não gente, os tipos de personagens que eu me refiro são aqueles estereótipos que dificilmente alguma obra escapa de usar. E é claro, vou dizer o que eu penso deles.

Começando por um que me irrita muito, porque até quando os autores tentam quebrar esse estereótipo, fica mais longe ainda da realidade. O bom e velho personagem nerd, aquele que geralmente é um menino feio, que com suas habilidades de Deus Ex Machina da tecnologia, ajuda os protagonistas em qualquer situação. Porém, só é assim quando o nerd é menino, quando é uma menina, ela tende a usar livros ao invés de computadores, sabe-se lá o motivo. Em alguns casos, como eu disse a princípio, os autores tentam quebrar esse estereótipo, deixando esses personagens mais badass de alguma forma, como se o problema fosse eles serem nerds demais. Esse não é o problema, meus amigos. O problema é que até os nerds tem uma vida que não gira em torno de computadores e livros.

O segundo tipo de personagem não é bem um estereótipo, pois ele pode ser qualquer coisa. O problema desse tipo é a forma com que ele é usado no enredo. Estou me referindo aos personagens convenientes, aqueles que parecem que não tem vida própria e orbitam em volta do protagonista. Eles aparecem sempre em momentos que são úteis para fazer a história andar. Como se, após saírem de cena, eles sentassem numa cadeirinha e ficassem lá esperando até o próximo momento que forem necessários.

Tipo de personagem número três: garoto adolescente, branco, bonitinho e genérico. Frequentemente usado como protagonista para que o leitor possa o mais facilmente se identificar, visto que ele só tem características que a grande maioria do público tem. Serve para personagens femininos também, tudo depende de quem vai ser o público. Eu não sei exatamente porque alguns livros fazem isso, mas eles adoram fazer esse tipo de personagem ser muito chato e desinteressante. Misericórdia!

Até agora eu só critiquei, né ? Mas tem também tipos de personagens que eu gosto. Por exemplo, os personagens deprimidos e reclamões, que trazem sempre junto um tom de comédia e ironia que me faz rir. Super me identifico. E o melhor é que ele pode ser homem, mulher, animal, robô, qualquer coisa, a essência é a mesma.

Existem muitos outros tipos de personagens para comentar, mas deixarei eles para uma parte dois. Mas não se preocupe, não vou fazer como aquele tipo de personagem que sai da história e nunca mais aparece. Risos.

Resenha | Jogador N1 – Ernest Cline

Eu estava receoso de fazer essa resenha, porque assim… pra mim esse livro não foi tudo isso que as pessoas dizem. Eu sempre tento dar destaque para os pontos positivos dos livros, e Jogador Nº1 tem os seus, mas pra mim o que pegou mais foram os negativos. Antes de mais nada, é importante pontuar que eu ganhei este livro porque games é uma área que eu gosto. E tudo isso foi antes do filme, e eu não sabia basicamente nada sobre a história.

O livro conta a história de Wade, um adolescente que vive numa Terra já totalmente corrompida e miserável. Os recursos do planeta estão no fim, e toda a infraestrutura das cidades se tornaram um caos (com exceção de alguns centros urbanos privilegiados). Porém, incrivelmente, neste mesmo mundo, temos o OASIS, que nada mais é do que um mundo de realidade virtual, que pode ser acessado por qualquer pessoa em qualquer lugar, desde que tenha o dispositivo eletrônico para fazer isso. Neste mundo virtual existe tudo o que você pode imaginar: jogos, trabalhos, até mesmo escolas. Ou seja, este é o único lugar em que as pessoas ainda podem ter algum lazer e fugir do mundo real. O primeiro ponto que eu não consegui engolir, é como essa tecnologia é sustentada em um mundo tão desestruturado. Talvez eu acabei tendo uma interpretação um pouco exagerada da situação do planeta, mas pra mim não tem cabimento isso funcionar. Por mais incrível que seja o OASIS, primeiro vem as necessidades básicas humanas.

Ignorando isso e seguindo em frente, vamos falar sobre a trama. Tudo começa quando morre o desenvolvedor e dono do OASIS. Ele não tem herdeiros e, sendo um cara excêntrico, resolve colocar um desafio em sua criação, segredos que qualquer pessoa pode buscar e descobrir. E a regra é simples, quem chegar primeiro até o final desse desafio, herdará o OASIS. Foi um caos quando isso foi declarado, todo mundo estava desesperado para ser o vencedor. Porém, os anos se passaram e ninguém conseguia desvendar os enigmas e avançar no desafio. Até que nosso protagonista, Wade, consegue dar o primeiro passo e reacende a comoção mundial na busca pela herança. Nisso, Wade acaba fazendo algumas amizades com outros jogadores que acabam se tornando a elite do desafio, os primeiros colocados. Mas nem tudo é fácil, o maior concorrente deles é uma empresa privada que, pelo que entendi, é a detentora da maior rede de internet do mundo, e tem a ambição de adquirir o OASIS, para então ter controle absoluto sobre o mundo. O problema é que essa empresa não vai poupar recursos e trapaças para conquistar seu objetivo, deixando os jogadores comuns como Wade e seus colegas em desvantagem.

Particularmente, eu achei a ideia promissora, tinha tudo pra ser divertida. Fiquei durante toda a leitura curioso por saber quem conseguiria vencer. Houveram muitas reviravoltas, onde a cada passo um personagem ultrapassava os concorrentes e tomava a liderança. Minha crítica aqui fica por conta dos desafios chatos, onde claramente a proposta é o leitor, junto com o protagonista, desvendar os mistérios que levam ele para os próximos passos. Só que é IMPOSSÍVEL para o leitor descobrir qualquer coisa, tudo depende de referências muito aleatórias que no mínimo precisaria de algumas pesquisas e, convenhamos, ninguém vai parar a leitura pra fazer isso, sendo que a resposta vai estar a algumas páginas. Eu estou acostumado a ler livros investigativos, e pra mim não desce quando o autor se propõe a isso e espera um milagre da gente.

Esse assunto nos leva ao próximo problema do livro, mas que muita gente não considera como um problema, que são as referências aos anos 80. Legal ter referências, legal que as referências podem ser usadas para o leitor decifrar os próprios enigmas do jogo, quer dizer, tudo isso seria legal se tivesse sido assim. Mas o que realmente aconteceu, foram um monte de referências aleatórias, sem significado nenhum pra história, e que a grande maioria dos leitores não vai pegar, porque é um livro feito para jovens, mas com referências de uma época em que o próprio público não era, sequer, nascido. “Mas Lucas, o livro não é só pra jovens, foi feito para quem viveu na época também!”, de fato, tenho certeza que o autor teve essa intenção com as referências, e não tenho dúvidas que essas pessoas apreciaram muito o livro, mas ele foi um sucesso para todos os públicos! E isso para mim não faz menor sentido. E o pior, é que não da para só ignorar as referências, elas são muito exageradas e desnecessárias a ponto de ser irritante, parando o andamento da história pra um “blá blá blá” sem fim e significado nenhum pra quem não conhece. “Mas Lucas, pra quem não conhece, é legal que passa a conhecer”, se você ler com essa mentalidade, sucesso! Não foi meu caso, e por isso o livro não funcionou pra mim.

Não achei o livro ruim, e não considero que perdi tempo lendo. Se você gostou, por favor, me conte o que te fez gostar, especialmente se você não se encaixa no público dos anos 80. Enfim, o quanto foi bom pra mim não chegou nem perto do quão bom as pessoas dizem que é, e a única conclusão que eu chego é que é um livro superestimado demais.

Sonhos

Começarei explicando sobre o que eu quero falar, usando o próprio blog como exemplo. Quando eu criei o Leitor dos Sonhos, eu não estava me referindo a ler e interpretar os nossos sonhos de cada noite, muito embora eu tenha brincado com esse significado, criando a imagem do site a partir do conceito de um apanhador de sonhos (ou filtro de sonhos – como você quiser chamar). O nome do blog remete ao sonho como um objetivo, como algo que você deseja conquistar. Neste caso, eu quero ser aquele leitor que lê de tudo, consegue manter suas leituras constantes, aprende algo com cada história, evolui seus conhecimentos e compartilha tudo isso para que outras pessoas também possam ser assim. Este é UM DOS meus sonhos, e aqui estou eu, neste blog, fazendo acontecer.

Dito isso, podemos entrar na parte onde vamos viajar um pouquinho (e provavelmente não chegar a lugar nenhum, mas tudo bem, esse sou eu, prazer!).

Provavelmente você tem algum sonho e, provavelmente, você faz muito pouco (ou nada) efetivo para faze-lo acontecer. Isso é a coisa mais “normal” do mundo.  A questão é que: sempre que você vai atrás dos seus sonhos, depara-se com outras pessoas correndo atrás do mesmo sonho. E é NESTE MOMENTO que a coisa pega! Já parou pra refletir sobre como você se sente nesta hora? Eu vou dizer como eu me sinto: eu me sinto apenas mais um, irrelevante. Existem outras novecentos e vinte e sete pessoas atrás da mesma coisa e, muitas delas, muito mais talentosas do que eu. Ou seja, eu concluo que não vou, jamais, realizar tal sonho. E disso surgem outras questões ainda mais profundas e malucas, do tipo: será que isso realmente é um sonho meu ou eu desejei isso porque a sociedade me induziu a acreditar que eu deveria ter esse sonho?

No final das contas não fazemos nada, desistimos, arranjamos outro sonho e repetimos o ciclo. Até começarmos a ficar mais velhos e pensar que é tarde demais pra qualquer coisa, quando na verdade não é, porque se olharmos num todo, não vivemos nem 1/3 da nossa vida ainda. Depois de seguir toda essa linha de raciocínio, e parar para tomar um café, é que eu me dei conta que nada disso importa.

E é AGORA que chegamos na parte onde podemos concluir algumas coisas. Começando por: se você não fizer nada do que quer, nada do que você quer será feito. E se você ler essa frase mais uma vez, perceberá o quão obvia ela é. E se você adapta-la para: se você estiver infeliz e não fazer nada para mudar isso, você vai continuar infeliz, porque nada vai acontecer milagrosamente para mudar isso sozinho. E por mais que você saiba que, na verdade, isso pode sim, pois há muitas pessoas sortudas por aí, simplesmente temos que partir do princípio de que não somos tais pessoas sortudas. Se fôssemos não estaríamos aqui refletindo sobre isso, estaríamos realizando nossos sonhos da forma mais fácil do mundo e entrando em uma crise existencial sobre não ter sonhos verdadeiros (mas isso é assunto pra outro post).

O jeito que funciona para mim sobre este assunto é: fazer as coisas do meu jeito, no meu tempo. Não tem condições de ficar me comparando com os outros. Até quem você considera melhor do que você, deve ter alguém que ela considera melhor do que ela e assim por diante, até o clico chegar em um leonino que se considere melhor do que todos e terminar. Não ter pressa também é fundamental, resultados nunca são imediatos, e todo mundo aqui já está bem grandinho pra saber que nada acontece quando a gente quer, então resta ter paciência. É importante lembrar também que ao ajudar os outros a realizar os sonhos deles, indiretamente ajudamos a nós mesmos, pois a gratidão vai faze-las retribuir o gesto. E por fim, mas não menos importante, fazer as coisas por prazer, pois são essas coisas que irão, verdadeiramente, te dar um retorno positivo.

Resenha | Drácula – Bram Stoker

Assim como qualquer clássico da literatura, Drácula carrega o preconceito das pessoas de acharem que ele é um livro difícil de ler. A história é contada através de cartas e diários, em que os personagens vão narrando os acontecimentos. Por ter sido escrito no século XIX, carrega toda o estilo da época vitoriana, que pode desagradar muita gente. Todavia, eu me impressionei ao ver que o livro tem um fluxo dinâmico e envolvente com seus mistérios e fenômenos sobrenaturais.

A história começa com Jonathan Harker, um agente imobiliário que vai a Transilvânia para auxiliar um conde em sua mudança para Londres, o Conde Drácula. Acontecimentos estranhos fazem Jonathan criar suspeitas e temores sobre seu anfitrião. Enquanto isso, aguardando o retorno de seu noivo (Jonathan), Mina Murrey decide passar um tempo na casa de sua amiga Lucy, uma jovem senhorita com vários pretendentes tentando conquistar seu coração. Desde o principio, o livro já começa a trazer todo um clima sobrenatural e medonho. Porém, a trama só começa a desenrolar quando Drácula finalmente parte para Londres e os caminhos dos personagens se cruzam.

É extremamente importante destacar que, apesar do protagonismo do Conde Drácula, ele é o vilão, e em nenhum momento tem o seu ponto de vista narrado. Ele somente participa através do depoimentos dos outros personagens. E para a frustração de algumas pessoas, ele participa pouco. Porém, eu gostaria de esclarecer que ele aparece pouco, mas ele está indiretamente sempre presente, tudo na história acontece devido a sua influência; e isso é bem diferente de dizer que ele participa pouco.

Por ter sido uma obra que inspirou muitos autores, é necessário comentar sobre vampiros. Muitos desses autores adaptaram o conceito clássico do vampiro para serem criaturas elegantes e atraentes, que utilizam de seu charme para capturar suas presas. Se você pretende ler Drácula esperando por isso, esqueça. O conde segue o estilo clássico, ele é um monstro sanguinário, não há beleza nele.

Recomendo muitíssimo para quem gosta de terror. Quem quer dar uma chance para literatura clássica, essa é uma boa opção também. Eu, pelo menos, não achei uma leitura difícil, comparada a outras obras clássicas. Mas a grande motivação para eu ter lido o livro, foi conhecer a verdadeira origem do vampiro mais famoso de todos os tempos.