Jogador N1 – Ernest Cline

Eu estava receoso de fazer essa resenha, porque assim… pra mim esse livro não foi tudo isso que as pessoas dizem. Eu sempre tento dar destaque para os pontos positivos dos livros, e Jogador Nº1 tem os seus, mas pra mim o que pegou mais foram os negativos. Antes de mais nada, é importante pontuar que eu ganhei este livro porque games é uma área que eu gosto. E tudo isso foi antes do filme, e eu não sabia basicamente nada sobre a história.

O livro conta a história de Wade, um adolescente que vive numa Terra já totalmente corrompida e miserável. Os recursos do planeta estão no fim, e toda a infraestrutura das cidades se tornaram um caos (com exceção de alguns centros urbanos privilegiados). Porém, incrivelmente, neste mesmo mundo, temos o OASIS, que nada mais é do que um mundo de realidade virtual, que pode ser acessado por qualquer pessoa em qualquer lugar, desde que tenha o dispositivo eletrônico para fazer isso. Neste mundo virtual existe tudo o que você pode imaginar: jogos, trabalhos, até mesmo escolas. Ou seja, este é o único lugar em que as pessoas ainda podem ter algum lazer e fugir do mundo real. O primeiro ponto que eu não consegui engolir, é como essa tecnologia é sustentada em um mundo tão desestruturado. Talvez eu acabei tendo uma interpretação um pouco exagerada da situação do planeta, mas pra mim não tem cabimento isso funcionar. Por mais incrível que seja o OASIS, primeiro vem as necessidades básicas humanas.

Ignorando isso e seguindo em frente, vamos falar sobre a trama. Tudo começa quando morre o desenvolvedor e dono do OASIS. Ele não tem herdeiros e, sendo um cara excêntrico, resolve colocar um desafio em sua criação, segredos que qualquer pessoa pode buscar e descobrir. E a regra é simples, quem chegar primeiro até o final desse desafio, herdará o OASIS. Foi um caos quando isso foi declarado, todo mundo estava desesperado para ser o vencedor. Porém, os anos se passaram e ninguém conseguia desvendar os enigmas e avançar no desafio. Até que nosso protagonista, Wade, consegue dar o primeiro passo e reacende a comoção mundial na busca pela herança. Nisso, Wade acaba fazendo algumas amizades com outros jogadores que acabam se tornando a elite do desafio, os primeiros colocados. Mas nem tudo é fácil, o maior concorrente deles é uma empresa privada que, pelo que entendi, é a detentora da maior rede de internet do mundo, e tem a ambição de adquirir o OASIS, para então ter controle absoluto sobre o mundo. O problema é que essa empresa não vai poupar recursos e trapaças para conquistar seu objetivo, deixando os jogadores comuns como Wade e seus colegas em desvantagem.

Particularmente, eu achei a ideia promissora, tinha tudo pra ser divertida. Fiquei durante toda a leitura curioso por saber quem conseguiria vencer. Houveram muitas reviravoltas, onde a cada passo um personagem ultrapassava os concorrentes e tomava a liderança. Minha crítica aqui fica por conta dos desafios chatos, onde claramente a proposta é o leitor, junto com o protagonista, desvendar os mistérios que levam ele para os próximos passos. Só que é IMPOSSÍVEL para o leitor descobrir qualquer coisa, tudo depende de referências muito aleatórias que no mínimo precisaria de algumas pesquisas e, convenhamos, ninguém vai parar a leitura pra fazer isso, sendo que a resposta vai estar a algumas páginas. Eu estou acostumado a ler livros investigativos, e pra mim não desce quando o autor se propõe a isso e espera um milagre da gente.

Esse assunto nos leva ao próximo problema do livro, mas que muita gente não considera como um problema, que são as referências aos anos 80. Legal ter referências, legal que as referências podem ser usadas para o leitor decifrar os próprios enigmas do jogo, quer dizer, tudo isso seria legal se tivesse sido assim. Mas o que realmente aconteceu, foram um monte de referências aleatórias, sem significado nenhum pra história, e que a grande maioria dos leitores não vai pegar, porque é um livro feito para jovens, mas com referências de uma época em que o próprio público não era, sequer, nascido. “Mas Lucas, o livro não é só pra jovens, foi feito para quem viveu na época também!”, de fato, tenho certeza que o autor teve essa intenção com as referências, e não tenho dúvidas que essas pessoas apreciaram muito o livro, mas ele foi um sucesso para todos os públicos! E isso para mim não faz menor sentido. E o pior, é que não da para só ignorar as referências, elas são muito exageradas e desnecessárias a ponto de ser irritante, parando o andamento da história pra um “blá blá blá” sem fim e significado nenhum pra quem não conhece. “Mas Lucas, pra quem não conhece, é legal que passa a conhecer”, se você ler com essa mentalidade, sucesso! Não foi meu caso, e por isso o livro não funcionou pra mim.

Não achei o livro ruim, e não considero que perdi tempo lendo. Se você gostou, por favor, me conte o que te fez gostar, especialmente se você não se encaixa no público dos anos 80. Enfim, o quanto foi bom pra mim não chegou nem perto do quão bom as pessoas dizem que é, e a única conclusão que eu chego é que é um livro superestimado demais.

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