Mihail - Eduardo Baka

Resenha | Mihail – Eduardo Baka

Olá, Sonhadores! O ano está chegando na reta final, mas ainda tem muito livro bom para comentarmos. A resenha dessa semana é de um autor independente que atualmente faz bastante sucesso na internet trazendo o que ele chama de “Filosofia de Beco” e que me chamou muito a atenção tanto pela estética quanto pelo conteúdo. Estou falando de Baka Gaijin.

O rapaz (que me parece ser da minha geração) vive atualmente no Japão e seu gosto pelo movimento Cyberpunk o fez escrever sua própria história de ficção, publicando de forma independente. Depois de ter assistido a vários de seus vídeos e descoberto o livro, fiquei curioso e decidi dar uma chance. Eu gosto muito de ficção científica, mas nunca tive muito contato com esse “subgênero” Cyberpunk, pelo menos não em livros. 

“Não existe linha de chegada – disse contemplativo. – A meta é o processo em si. Se o objetivo fosse chegar a algum lugar, a melhor vida seria a mais curta.”

Sobre o Livro

Bom, em resumo, a história se passa em um futuro distópico em que o mundo está nas mãos de duas grandes empresas cujos interesses estão em conflito. A guerra entre essas potências é violenta, nenhum lado poupa esforço no desenvolvimento de tecnologias que possam subjugar a outra.

Vincent, nosso protagonista, é um jornalista independente que, ao tentar conseguir o maior furo de reportagem da sua vida, se envolve no evento que vai marcar a história desse conflito. Um evento que não vai por fim a nenhum lado, mas vai deixar tudo em uma espécie de “guerra fria” por muitos anos. O que Vincent não sabe, é que ele, de uma forma misteriosa, foi o responsável por tudo.

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Vou parar por aqui, pois qualquer coisa além disso estragaria a experiência, pois uma característica que me marcou muito foram os caminhos que a trama seguia. Em vários momentos eu pensava: “Ah não, estava indo tão bem! Por que a história está indo para este caminho?”, e depois era surpreendido quando tomava outro rumo. Não sei se para leitores mais experientes no gênero era previsível, mas para mim não foi.

Minha Opinião

Gostei bastante das tecnologias apresentadas também. É bem presente a influência das tecnologias que vem se popularizando atualmente, que são integradas nos corpos humanos. Uma coisa meio ciborgue, só que menos rústica e mais polida. Uma coisa nesse tipo de gênero que sempre me deixa bolado é a mistura entre coisas tão rústicas ao lado de tecnologias tão avançadas. 

Os personagens são bem construídos. A maioria não ter muito desenvolvimento por não participarem por muito tempo, mas os mais presentes são incríveis. Lucas, meu xará, foi meu favorito. Eu sou gay, então não precisava de muito para me identificar com ele. Eu nunca vou superar seu destino, mas aceito pelo que ele representou.

Mas não é a trama, nem a tecnologia, nem mesmo os personagens que me conquistaram no livro, foram as reflexões que ele traz a respeito da sociedade. Não foi nada de novo, nada que eu já não tivesse ouvido, até mesmo direto do autor em seus vídeos, mas ver tudo aquilo representado em um contexto é especial, torna as coisas palpáveis e é o que faz a ficção científica ser tão incrível.

“O dinheiro atuava em sua vida exatamente como um ditador. Não precisava impedi-lo de dizer qualquer coisa que fosse, mas a liberdade de falar não valia nada quando sua voz não alcançava nenhum ouvido, e sua voz só alcançava algum ouvido quando dizia o que o dinheiro queria escutar.”

Recomendo demais a leitura e fiquei super animado para ler mais livros do gênero e quem sabe do autor, caso ele tenha interesse em novos lançamentos. 


Avaliação

Avaliação: 4 de 5.

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Skoob


Mihail

Eduardo Baka

2024 – UiClap

227 páginas

Português (Brasil)

Sinopse

Vincent é um repórter independente realizando a cobertura da guerra mundial entre Reatech e Gexin no leste asiático. Durante uma entrevista com o general Hallek em Taipei, ele registra o evento que põe fim à guerra e altera para sempre o curso da história. Ele não sabia, porém, o quão caro aquilo o custaria. Mihail é uma história de ficção científica que transita por temas clássicos da literatura cyberpunk – inteligências artificiais, implantes cibernéticos, engenharia genética, capitalismo tardio –, para propôr reflexões filosóficas profundas acerca da dialética e fenomenologia da realidade.

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