Por P.S. Allen
Olá, Sonhadores! Tudo bem com vocês? Indo direto ao ponto, a resenha de hoje é sobre um livro que está bombando por aí. Ao mesmo tempo em que é aclamado como atemporal e necessário, também divide opiniões, gera debates acalorados e até ameaças de cancelamento. Além disso, como a segunda parte já está circulando pelas livrarias, achei que este era o momento ideal para falarmos sobre ele. Estamos falando de Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo, de Benjamin Alire Sáenz ou simplesmente AriDante, apelido carinhoso (e prático) que o livro ganhou por conta de seu título enorme.
Um encontro casual que muda tudo
A história se passa durante o verão de 1987 e acompanha a amizade entre dois garotos completamente diferentes. De um lado, temos Aristóteles, ou Ari: calado, rebelde, mal-humorado e extremamente antissocial. Do outro, Dante: jovial, aventureiro, excêntrico e profundamente poético.
Os dois se conhecem à beira de uma piscina, em um dia absurdamente quente, e, a partir desse encontro aparentemente simples, uma série de momentos marcantes começa a se desenrolar. Passeios de bicicleta, conversas silenciosas, corridas matinais e até acidentes graves passam a fazer parte da trajetória dos dois.
Pouco a pouco, essa amizade improvável vai se fortalecendo. Um aprende com o outro, mesmo sem perceber. Até que, como manda o “manual” das histórias de amadurecimento, alguém precisa se mudar para longe.
“…Só não sabia como falar com eles, como ser eu perto deles. Andar com outros caras me dava a sensação de ser burro e deslocado. Era como se todos fizessem parte de um clube do qual eu não era sócio.”
Distância, descobertas e sentimentos não nomeados
No entanto, a distância não marca o fim da amizade. Pelo contrário: ela se torna o ponto de partida para sentimentos, sensações e descobertas que até então estavam camuflados por hormônios, inseguranças e ansiedade.
A grande pergunta que acompanha o leitor é: será que a maturidade vai trazer clareza suficiente para que eles entendam o que sentem um pelo outro? Essa dúvida permeia toda a narrativa, conduzindo o leitor até as páginas finais.
Uma escrita poética que sustenta a narrativa
Indo diretamente aos pontos positivos, o maior destaque do livro está na escrita de Benjamin Alire Sáenz. Ela é delicada, sensível e profundamente poética. Existem diversas passagens que dão vontade de marcar, reler e guardar.
A narrativa é lenta e não possui um clímax bem definido, já que o foco está no desenvolvimento da amizade ao longo de quase dois anos. Ainda assim, isso não torna o livro maçante. Pelo contrário: o autor consegue transformar essa linearidade em curiosidade constante. A sensação é sempre a mesma: “o que vai acontecer a seguir?”.
Outros livros que podem te interessar:
- Will & Will – John Green & David Levithan
- O Amor nos Tempos de #Likes
- Aconteceu Naquele Verão
- O Caderninho de Desafios de Dash e Lily – David Levithan & Rachel Cohn
- Quinze Dias – Vitor Martins
Um romance LGBTQIA+ que foge parcialmente do clichê
Como todo livro com temática LGBTQIA+, a história passa, sim, pelo caminho do autoconhecimento e da aceitação que surgem a partir do afeto por outra pessoa. No entanto, aqui existe um diferencial importante: a narrativa é feita pelo ponto de vista de Ari.
Ari não possui uma boa autoconsciência sobre si mesmo, muito menos sobre sua sexualidade. Ele está tão imerso em conflitos familiares, traumas e na tentativa constante de ignorar o mundo ao redor que sequer percebe quem é ou o que deseja. E é justamente aí que o livro se afasta do clichê.
A obra mostra como a negligência consigo mesmo afeta diretamente o humor, a motivação e a forma como enxergamos o mundo. Nesse sentido, a jornada de Ari é menos sobre “descobrir quem ama” e mais sobre aprender a se olhar.
Famílias, silêncios e impactos emocionais
Outro aspecto interessante é o contraste entre os dois núcleos familiares apresentados. Em ambos existe amor, mas ele se manifesta de formas muito diferentes. Em uma família, o afeto é explícito e verbalizado; na outra, está encoberto por silêncios e segredos.
Mais uma vez, o livro reforça como o ambiente familiar influencia diretamente a formação do caráter, a sensação de segurança emocional e a saúde mental dos personagens.

Personagens difíceis de engolir
Por outro lado, os aspectos negativos pesam bastante. Para mim, os dois protagonistas são insuportáveis e, em muitos momentos, inverossímeis.
Dante é excessivamente alegre, confiante e bem resolvido consigo mesmo. Considerando que ele é um adolescente gay, excêntrico e vivendo nos anos 80, essa representação soa pouco crível. Não é impossível, claro, mas dentro de um contexto realista, ele provavelmente enfrentaria bullying, exclusão ou conflitos mais explícitos na escola. O autor poderia ter retratado isso e, ainda assim, mostrado um personagem resiliente — o que não acontece.
Já Ari representa o estereótipo do adolescente eternamente irritado: responde mal, afasta quem tenta se aproximar e carrega uma “nuvem de chuva” constante sobre a cabeça. Ele rejeita deliberadamente o carinho de Dante e dos próprios pais, agindo de forma negligente e egoísta. Não se trata apenas de imaturidade ou impulso, mas de escolhas conscientes, o que torna sua convivência cansativa.
“Passara todo aquele tempo tentando descobrir os segredos do Universo, os segredos do corpo, do coração. Todas estas respostas estavam tão próximas e, contudo, sempre as combati sem saber.”
Vale a pena ler Aristóteles e Dante?
No fim das contas, Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo é um livro de altos e baixos. Ele aborda, sim, temas importantes e necessários, como homofobia, transtorno de ansiedade, dependência emocional e TEPT.
Eu recomendo a leitura, mas com expectativas moderadas. A linguagem poética é, sem dúvida, o grande ponto alto da obra e pode ser suficiente para conquistar muitos leitores. No entanto, os personagens e algumas escolhas narrativas podem afastar outros tantos.
É um livro que provoca reflexão, gera discussão e, goste-se ou não, dificilmente passa despercebido.
Avaliação
Se interessou? Compre este livro pelo meu link da Amazon e apoie o blog!

Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo
Benjamin Alire Sáenz
ISBN: 978-85-657-6535-0
2014 – Seguinte
392 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Dante sabe nadar. Ari não. Dante é articulado e confiante. Ari tem dificuldade com as palavras e duvida de si mesmo. Dante é apaixonado por poesia e arte. Ari se perde em pensamentos sobre seu irmão mais velho, que está na prisão.
Um garoto como Dante, com um jeito tão único de ver o mundo, deveria ser a última pessoa capaz de romper as barreiras que Ari construiu em volta de si. Mas quando os dois se conhecem, logo surge uma forte ligação. Eles compartilham livros, pensamentos, sonhos, risadas – e começam a redefinir seus próprios mundos. Assim, descobrem que o amor e a amizade talvez sejam a chave para desvendar os segredos do Universo.
Que pena que a leitura não correspondeu as suas expectativas =/
Gostei muito, se tornou um dos meus queridinhos, amei a escrita poética =D
Mas acontece, foi bom ler sua perspectiva
http://www.saidaminhalente.com
TAPEGA QUE ESCULACHO KKKKKKK
Contem spoiler abaixo!!
tive o mesmo olhar quando li essa obra; acho que falta muita coisa, muitas explicaçoes, cenas, os dialogos ficam bastante pela metade. E acho que a tragetoria do Ari poderia ter sido mais bem desenvolvida, tanto que so fica claro que ele tinha sentimentos por dante quando os pais dizem isso. a parte poetica e de fato a coisa mais bonita. amo a cena que dante desenha a cadeira pro ari.