Resenha | Fome – Márcio Benjamin [P. S. Allen]

Olá, sonhadores! Esse mês está super especial aqui no blog. Planejamos um BEDA recheado de resenhas, posts, tags e muitas outras curiosidades do mundo da literatura. E claro, chegou a minha vez de dividir algumas coisas com vocês. Essa semana inteirinha estarei por aqui compartilhando minhas leituras.

“Aquilo não tinha fé, não tinha alegria. Aquilo era só fome. E fome de bonita não tem nada.”

Mas indo para a resenha de hoje: quem aí gosta de zumbis? Vocês acham a temática cringe, horripilante ou saturada? Verdade seja dita: independente dos acontecimentos, um zumbi sempre gera uma tensão. O livro de hoje vai trazer tudo isso e com um elemento inusitado extra: a história se passa no sertão nordestino.

Em um pequeno vilarejo a fome e a escassez assolam a vida dos seus habitantes. A esperança nasce quando o prefeito anuncia que finalmente a água vai chegar até ali e que a grande festa da Padroeira será uma celebração ao milagre. Porém, inesperadamente, a festa é cancelada e o prefeito desaparece. Frustrados com o estado de abandono que o lugar se encontra, moradores e visitantes resolvem sair dali, buscando conforto em outras regiões. Os poucos que ficam veem o tempo e a vida passarem lentamente. Até que um dia, sem saber bem o porquê, o primeiro zumbi aparece, dando inicio a uma corrida pela sobrevivência dos poucos sertanejos que sobraram. E elas terão de correr, pois a fome desses bichos é grande.

O escritor brasileiro Márcio Benjamin, nascido em Natal (RN), possui uma escrita deliciosa: retrata o contexto social do sertão através de seus personagens: suas gírias, costumes e suas crenças; mostra a esperança por coisas boas que esperam vir; e consegue construir uma narrativa que nos prende, gera tensão e curiosidade para saber o desfecho dos fatos.

Com identidade própria, o autor se une a Jorge Amado (Capitães da Areia), Ariano Suassuna (O Auto da Compadecida) e outros para retratar essa região do país que possui uma cultura muito rica, forte e expressiva. Um dos poucos problemas do livro é que é curto, os acontecimentos são rápidos (mas sem serem superficiais) e, no fim, você fica com aquele pensamento “Mas já acabou?”. Porém, I heard a rumor que uma continuação está vindo por aí. Acho ótimo, pois há muito desse mundo a ser explorado ainda.

O fator que mais me deixou curioso para ler este livro (que descobri durante a Bienal do Livro de 2020), foi a ambientação da temática zumbi em um lugar pouco comum e até pouco provável como o sertão nordestino. E, além disso, trazer os pensamentos dos personagens que foram infectados, mostrar o zumbi de sua própria perspectiva, seus pensamentos. Não é algo que se vê muito por aí.

Para o amantes de The Walking Dead, O Vale dos Mortos e dos escritores do Modernismo brasileiro, esse livro será uma aventura maravilhosa. Você vai ler tudo em uma sentada só.

Até a próxima!

“Nenhum disse que ia ficar bem, como em filme de televisão, porque ali era vida de verdade, e em vida de verdade as coisas vez em quando ficam o pior que podem ficar, e não se tem como mudar isso.”


Avaliação

Avaliação: 5 de 5.

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Fome

Márcio Benjamin

ISBN: 978-85-665-0598-6

2016 – Jovens Escribas

192 páginas (Pt/Br)

Sinopse: É numa pequena cidade do interior do nordeste, com seus tipos e personagens tradicionais, como o Padre, o Delegado, o Prefeito, que essa festa sinistra dos mortos-vivos acontece.
Mantendo-se fiel à proposta de traduzir para um cenário sertanejo a pegada das histórias de terror (como fez eu seu primeiro livro, “Maldito Sertão”), Márcio constrói um apocalipse zumbi temperado pelo sol e pelas paisagens rochosas e empoeiradas de um Sertão urgente, lapeado de realidade, onde precisaram cortar todos os excessos, onde o sol onipresente e onisciente parece conhecer e consumir cada recanto daquele lugar e das pessoas que ali vivem, e acaba por assumir-se como o palco da maioria das cenas da história, como se neste interior não houvesse tempo para o anoitecer.
Com uma narrativa simples e direta, bastante teatral e cênica, o criador dessa história atravessa o horizonte do sertão, o grande tropo da literatura brasileira do século XX, com imagens rápidas de horas de flagelados aos farrapos se arrastando em busca de comida, contaminados de uma desconcertante pulsão que mesmo na morte os move em sua fome sem fim. Pois como o próprio autor coloca na boca de um de seus personagens: “pra que pressa, mãe, se as arribaçãs rasgam o céu como se soubessem que vamos todos morrer?”.

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