Fábulas de Esopo

Resenha do Livro Esopo: Fábulas Completas

Olá, Sonhadores! Mesmo quem nunca abriu um livro de Esopo provavelmente já conhece pelo menos uma história atribuída a ele. Afinal, fábulas como A Lebre e a Tartaruga, A Cigarra e a Formiga e O Pastor e o Lobo atravessaram gerações, ganharam inúmeras adaptações e continuam sendo contadas para crianças ao redor do mundo.

Por isso, comecei a leitura de Esopo: Fábulas Completas com expectativas bastante altas. Sempre gostei da proposta das fábulas: histórias curtas, geralmente protagonizadas por animais ou elementos da natureza, que utilizam situações simples para representar comportamentos humanos. Inclusive, um dos meus livros favoritos da vida, Bambi, de Felix Salten, também pode ser interpretado como uma grande fábula sobre a natureza, o amadurecimento e a relação dos animais com os seres humanos.

Diante disso, parecia natural conhecer mais profundamente o trabalho daquele que é considerado o grande nome da tradição das fábulas ocidentais. No entanto, apesar de toda a importância histórica da obra, minha experiência acabou sendo bastante frustrante.

Histórias breves sobre as contradições humanas

As fábulas atribuídas a Esopo apresentam narrativas extremamente curtas, algumas ocupando apenas alguns parágrafos. Em geral, animais falantes assumem características humanas e enfrentam situações envolvendo vaidade, ganância, inteligência, ingenuidade, inveja, poder ou sobrevivência.

Leões costumam representar autoridade e força, enquanto raposas aparecem associadas à esperteza. Lobos podem simbolizar a crueldade dos mais poderosos, ao passo que cordeiros, ratos e outros animais menores frequentemente ocupam o lugar dos mais frágeis. A partir desses encontros, cada história apresenta um conflito e conduz o leitor a uma lição sobre o comportamento humano.

Entretanto, apesar de a estrutura parecer simples, isso não significa que todas as fábulas sejam facilmente compreendidas. Além disso, como a coletânea reúne histórias de uma tradição muito antiga, algumas delas estão bastante distantes dos valores e das preocupações do leitor contemporâneo.

Afinal, quem foi Esopo?

Embora seja tratado como um autor, existem poucas informações confiáveis sobre a vida de Esopo. Tradicionalmente, acredita-se que ele tenha vivido na Grécia Antiga durante o século VI a.C. Algumas narrativas o descrevem como um homem escravizado que teria conquistado sua liberdade graças à inteligência e à capacidade de contar histórias.

No entanto, os estudiosos não conseguem confirmar quanto dessa biografia é verdadeiro. Esopo pode ter sido uma pessoa real cuja trajetória foi transformada pela tradição ou até mesmo uma figura criada para representar diferentes contadores de histórias. Além disso, não existem textos escritos diretamente por ele que tenham sobrevivido.

As fábulas circularam oralmente durante muito tempo e foram registradas, modificadas e reorganizadas por diferentes autores ao longo dos séculos. Portanto, quando lemos uma edição de Fábulas Completas, não estamos necessariamente diante de uma obra planejada e escrita integralmente por Esopo, mas de uma coletânea formada por histórias que passaram a ser associadas ao seu nome.

Essa origem também ajuda a explicar por que algumas narrativas possuem versões diferentes ou apresentam mensagens que parecem contraditórias entre si.

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Quando as lições deixam de convencer

Infelizmente, minha principal dificuldade com o livro esteve justamente nas morais apresentadas. Em muitas fábulas, eu compreendia a conclusão proposta, porém não concordava moralmente com ela. Algumas mensagens me pareceram excessivamente conformistas, cruéis ou baseadas em uma visão na qual os mais fracos precisam apenas aceitar sua posição.

É claro que essas histórias nasceram em um contexto histórico completamente diferente do nosso. Além disso, uma das qualidades das fábulas é permitir que cada leitor construa sua própria interpretação. Mesmo assim, em diversas ocasiões, eu terminava uma narrativa sem encontrar uma reflexão que realmente fizesse sentido para mim.

Em outras, a história parecia tão distante da realidade atual que eu precisava reler para tentar entender o que ela pretendia ensinar. Talvez parte dessa dificuldade tenha relação com a edição, com a tradução ou até mesmo com a bagagem que eu possuía na época. Ainda assim, conforme avançava, minha frustração apenas aumentava.

Uma leitura importante, mas pouco prazerosa

Apesar dos problemas, reconheço a enorme importância cultural das fábulas atribuídas a Esopo. Sua influência pode ser percebida na literatura infantil, nos contos populares, nas animações e em inúmeras histórias que utilizam animais para refletir sobre a sociedade.

Contudo, reconhecer a relevância de uma obra não significa necessariamente gostar da experiência de lê-la. No meu caso, o livro funcionou mais como um contato com um documento histórico e literário do que como uma leitura prazerosa.

Como fiz essa leitura há alguns anos, ainda considero a possibilidade de revisitá-la no futuro. Talvez, com mais maturidade e conhecimento sobre a Grécia Antiga, eu consiga compreender melhor algumas das mensagens. Por enquanto, porém, Esopo: Fábulas Completas permanece como um clássico que respeito por sua importância, mas que não conseguiu me conquistar.

E você, já leu alguma coletânea de Esopo? Gosta de fábulas ou também considera algumas de suas lições ultrapassadas? Conte nos comentários e não se esqueça de acompanhar o blog!


Avaliação

Avaliação: 2 de 5.

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Fábulas Completas

Esopo

ISBN: 978-85-405-0475-2

2013 – Cosac & Naify

564 páginas

Português (Brasil)

Sinopse

Dentro do projeto de publicar clássicos da literatura mundial, a Cosac Naify apresenta mais um material inédito: 383 fábulas atribuídas a Esopo traduzidas diretamente do grego por Maria Celeste C. Dezzotti, professora da Unesp, que propôs uma maneira completamente original de organizar a obra. A tradutora optou por utilizar como fontes a compilação do editor Émilie Chambry –tida como referência – e acrescentar a do também editor Ben Perry, mais atual e completa que a anterior. Com isso, somam-se 26 fábulas ao corpus comumente usado.

Outra novidade proposta pela tradutora é a disposição da moral, que vem separada da narrativa para deixar claro o seu caráter de argumentação – e não de conduta ou comportamento, como se convencionou atribuir às fábulas. A editora convidou o jovem artista Eduardo Berliner – destaque na 30ª Bienal de São Paulo – para também renovar a interpretação pictórica das fábulas, dispostas nesta edição em ordem alfabética.

Ao incorporar a ideia de que os textos trazem animais metaforizando homens, Berliner misturou partes dos corpos de animais e de humanos, em situações tão irônicas e perturbadoras quanto as narradas no texto. Em nanquim preto, as inteligentes ilustrações dividem espaço com as fábulas impressas em vermelho, dispostas cada uma em uma página, como se a proposta fosse oferecer ao leitor um texto por dia. Esse conceito é reforçado pelo tamanho do livro, de proporções pequenas e confortáveis para a leitura.

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