A Paixão Segundo G.H. é um dos livros de maior sucesso da escritora Clarice Lispector.
Olá, Sonhadores! Hoje decidi entrar em uma polêmica literária: finalmente chegou o momento de falar sobre Clarice Lispector aqui no blog. Essa foi minha primeira experiência com a autora e, sinceramente, pensei muito antes de escrever esta resenha. Primeiro, porque não gostei do livro. Segundo, porque terminei a leitura sem saber ao certo se entendi alguma coisa.
Mesmo assim, resolvi compartilhar minhas impressões. Acho importante registrar aqui essa experiência, por mais confusa que tenha sido.
Sobre o Enredo de A Paixão Segundo G.H.
O livro tem essencialmente uma única personagem: G.H., uma mulher de classe média alta no Rio de Janeiro. A história, se é que podemos chamar assim, começa quando a empregada doméstica deixa o emprego e G.H. decide limpar o antigo “quartinho da empregada”.
A partir do momento em que entra no quarto, a protagonista entra em um surto existencial. Cada detalhe do ambiente desencadeia uma nova onda de reflexões intensas e subjetivas. Esse fluxo de consciência nos acompanha por praticamente toda a leitura, culminando em um encontro perturbador com… uma barata.
Sim, uma barata é o ápice narrativo.
Uma Narrativa Altamente Subjetiva
Não vou me alongar em prós e contras. Clarice Lispector tem uma reputação literária imensa, e essa obra é considerada uma das mais importantes da autora. Mas, sendo honesto: eu não gostei.
E nem foi pelo formato. A proposta é ousada e até interessante: explorar o íntimo da personagem ao extremo. O problema, para mim, foi que não consegui absorver nada. Tudo é tão subjetivo que pode significar qualquer coisa (ou coisa nenhuma).
Os conflitos internos de G.H. me pareceram apenas devaneios de uma pessoa ociosa demais. Não consegui me identificar com nada do que ela sente ou pensa.
Outros livros que podem te interessar:
- A Metamorfose – Franz Kafka
- A Filha Perdida – Elena Ferrante
- As Mães – Brit Bennett
- Ausência na Primavera – Mary Westmacott
- Ponti – Sharlene Teo
Uma Questão de Gosto Literário
Muitos dirão que talvez eu precise de mais maturidade literária para compreender Clarice. Ou que eu deveria ter lido com a mente mais aberta. Pode ser. Mas acredito que é, principalmente, uma questão de gosto.
Talvez a beleza do livro esteja principalmente na linguagem, na estrutura, no impacto filosófico das palavras. Só que eu sempre tive dificuldade com textos excessivamente subjetivos. Eles me irritam. Para mim, uma boa escrita é aquela que transmite a mensagem com clareza,e não que exija um esforço quase arqueológico do leitor.
Vale a leitura? Minha recomendação
Não, eu não recomendo A Paixão Segundo G.H. para quem busca uma leitura fluida, envolvente ou com uma narrativa mais concreta. E, se você não entender ou não gostar do livro, nunca se culpe por isso.
O fato é que questões de interpretação estão longe de ser um problema exclusivo de quem lê Clarice. Mesmo textos objetivos já são desafiadores para muitos brasileiros, então duvido muito que a maioria das pessoas que dizem amar essa obra realmente tenham compreendido algo do que ela pretende dizer.
E você? Já leu algo da Clarice? Entendeu A Paixão Segundo G.H.? Gostou da experiência? Quero muito saber, talvez você consiga me explicar o que eu perdi nessa leitura!
Avaliação
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A Paixão Segundo G.H.
Clarice Lispector
ISBN: 978-65-553-2006-0
2020 – Rocco
192 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Romance original, desprovido das características próprias do gênero, A paixão segundo G.H. conta, através de um enredo banal, o pensar e o sentir de G.H., a protagonista-narradora que despede a empregada doméstica e decide fazer uma limpeza geral no quarto de serviço, que ela supõe imundo e repleto de inutilidades. Após recuperar-se da frustração de ter encontrado um quarto limpo e arrumado, G.H. depara-se com uma barata na porta do armário. Depois do susto, ela esmaga o inseto e decide provar seu interior branco, processando-se, então, uma revelação. G.H. sai de sua rotina civilizada e lança-se para fora do humano, reconstruindo-se a partir desse episódio. A protagonista vê sua condição de dona de casa e mãe como uma selvagem. Clarice escreve: “Provação significa que a vida está me provando. Mas provação significa também que estou provando. E provar pode se transformar numa sede cada vez mais insaciável.”
Nova edição do de um dos mais conhecidos romances de Clarice Lispector, agora com projeto gráfico de Victor Burton e capa criada a partir de pinturas da própria Clarice. Esta edição traz posfácio do cineasta Luiz Fernando Carvalho que adaptou o texto para o cinema.
As Resenhas Relâmpagos são um formato que decidi trazer para o blog para falar de livros que li faz tempo, mas que, por algum motivo, acabei não fazendo a resenha na época. Como o tempo passou e já não lembro o suficiente deles para fazer uma resenha completa, criei este formato diferente. Nele falo de forma um pouco mais breve e superficial sobre livros que acho que valem a pena terem seu espaço por aqui.