Resenha | As Mães – Brit Bennett

Olá, Sonhadores! Não sei se você é mãe, ou mesmo se é mulher, mas hoje vou trazer um livro que independente do que você seja, vai te trazer muitas reflexões a respeito da maternidade. Reflexões que até mesmo para mães podem ter passadas despercebidas.

“Já vimos o que este mundo tem a nos oferecer. E temos medo do que ele quer em troca.”

Sobre a História

Neste livro, Brit Bennett conta a história de Nádia através de narrativa de um grupo de mulheres de uma igreja cristã chamada As Mães. Nádia é uma adolescente negra que, além de carregar todos os conflitos da transição para a vida adulta, ainda precisa lidar com o suicídio inexplicável de sua mãe e falta de suporte de seu pai.

A garota era uma menina saudável, sociável e as vezes rebelde, como qualquer adolescente. Mas todos esses conflitos em sua vida a fizeram se apaixonar por Luke, o filho do pastor da igreja (a mesma igreja que a família dela frequenta e a mesma das Mães, as narradoras). Esse amor acaba em tragédia quando Nádia engravida e o medo de perder seu futuro e das polêmicas que isso vai gerar na comunidade fazem com que o casal decida abortar o feto (inclusive com o apoio e ajuda dos pais de Luke).

Esse aborto trás consequências e marcas eternas na vida de todos os envolvidos. Por mais que tenham tomado a decisão em acordo, tanto Luke, quanto Nádia não conseguem deixar isso no passado e parar de imaginar “e se…”. Isso faz com que ambos se afastem e sigam suas vidas com aquela sensação de algo mal resolvido.

Minhas Considerações

Não há dúvidas que esse é um livro provocador que faz o leitor questionar suas próprias opiniões. Através de seu livro, a autora nos conta histórias de diferentes tipos de mães que quebram totalmente o paradigma da natureza materna sem defeitos. Temos a mãe que sacrificou sua vida pela filha, temos a mãe que não teve escolha do seu futuro, temos a mãe que abandonou os filhos, temos a mãe hipócrita, temos o pai ou irmã que precisam cumprir o papel da mãe ausente, entre muitas outras. A autora trouxe ao máximo a temática do seu livro.

Por um lado a quantidade enorme de assuntos que o livro aborda é interessante. Ele representa o mundo como ele é, complexo e complicado. Por outro lado, isso faz com que o livro seja superficial como um todo. Ele não é longo o suficiente para abordar todos esses temas em profundidade. Como eu disse, esse livro serve para te cutucar, te provocar, e a partir desse pontapé inicial o desenvolvimento da reflexão é com você. É um livro ótimo para ler em conjunto com outras pessoas e discutir esses temas com elas.

A escrita da autora é muito fluída e até o fim ela consegue te manter preso querendo saber o destino dos personagens e as explicações sobre os eventos precedentes da história. Porém, é aqui também que está o maior defeito do livro na minha opinião: ele não conclui nada, tudo fica em aberto e sem explicação no final. Tem leitores que não ligam para isso e até gostam. Eu já acho péssimo. Fiquei com aquela sensação de incompletude, de que fui enganado, de que a autora foi preguiçosa e simplesmente não quis se dar ao trabalho de elaborar um final para seus personagens e nem explicar nada. De bônus, Brit escreveu o último parágrafo numa linguagem mais poética e subjetiva que parece querer dizer algo, mas ao mesmo tempo dizer nada e que destoa totalmente da linguagem que ela usou o livro inteiro. Como comentei no grupo, parecia uma cortina de fumaça para esconder a ausência do final.

Tirando a superficialidade e o final, foi uma leitura boa e que eu recomendo. Principalmente se você não liga para finais abertos, você tem tudo para apreciar esse livro!

“Talvez a gente nunca saiba quem vai ser no mundo, pensou ela. Talvez a gente seja uma pessoa diferente em cada lugar em que more.”


Avaliação

Avaliação: 3 de 5.

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As Mães

Brit Bennett

ISBN: 978-85-510-0196-7

2017 – Intrínseca

256 páginas (Pt/Br)

Sinopse: Tudo começa com um segredo. As ramificações que se seguem vão acompanhar três personagens desde o fim da adolescência até o início da vida adulta, exercendo um impacto capaz de influenciar suas trajetórias por muito tempo depois de seus anos de juventude. Em uma comunidade negra e cristã no sul da Califórnia, Nadia Turner, uma garota bonita, obstinada e ainda marcada pelo recente suicídio da mãe, será a primeira da família a cursar uma universidade, mas, antes de deixar sua cidade natal, ela se envolve com o filho do pastor da igreja, Luke Sheppard. Aos vinte e um anos, Luke é um ex-atleta que trabalha como garçom depois que uma grave lesão o afastou dos campos. Os dois são jovens e não oficializam o relacionamento, mas o segredo que resulta desse romance terá consequências maiores do que eles imaginam.
Anos depois, eles ainda vivem à sombra das escolhas da juventude e da insistente dúvida: e se tivessem feito diferente? As possibilidades do caminho não tomado se tornam uma sombra implacável.
Romance de estreia de Brit Bennett, As Mães chamou atenção dos críticos antes mesmo de ser lançado nos Estados Unidos. Com um estilo sofisticado e atual, a autora demonstra uma ampla compreensão da alma humana e de como as traições e perdas podem moldar comunidades inteiras. Uma obra necessária, que questiona até que ponto devemos servidão às decisões da juventude e às comunidades que nos criaram.

2 comentários sobre “Resenha | As Mães – Brit Bennett

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