Resenha | Ausência na Primavera – Mary Westmacott

Olá, Sonhadores! Hoje gostaria de falar sobre um livro que me impactou muito no passado e que eu decidi fazer uma releitura para ver como eu iria reagir a algo que eu lembro ter influenciado meu eu mais jovem. Para quem gosta e jornada transformadoras, autoconhecimento e analisar o comportamento humano, esse livro é um prato cheio!

“Se você não tivesse nada em que pensar a não ser em si mesma por dias a fio, o que será que você descobriria a respeito de si mesma?”

Ausência na Primavera é um livro escrito pela Agatha Christie, mas sob o pseudônimo Mary Westmacott. É também encontrado em edições mais antigas pelo título de A Ausência. A famosa autora de romances policiais queria escrever também livros de outros gêneros, mas não queria o peso de seu nome nessas histórias, por isso acabou usando outro nome. Infelizmente, isso não durou muito tempo, pois vazaram que Mary Westmacott era Agatha Christie, o que deixou a autora muito chateada segundo conta suas biografias. Mas independente de ser ou não um livro policial, ela teve talento suficiente para criar um obra incrível.

A trama dessa história é extremamente simples: Joan Scudamore, uma mulher britânica de meia idade, está voltando de Bagdá através de um trajeto que envolve pegar trens e atravessar parte do deserto de carro. Ela havia visitado a filha e o genro, pois a jovem havia ficado muito doente e a mãe achou melhor ir ajuda-la até ela se recuperar. Porém, nesse retorno para a Inglaterra, acontecem imprevistos com o trem que ela deveria pegar por causa da época de chuvas na região. Joan acaba presa por vários dias em uma pousada isolada no meio do deserto, absolutamente sozinha, tendo apenas a companhia dos árabes que cuidavam do local. Como ela era a única pessoa nessa parte do trajeto, não tinha ninguém para se distrair até o próximo trem aparecer. E assim ela ficou, dias e dias tendo a companhia apenas dos próprios pensamentos.

A principio, Joan tenta se convencer que até que não é uma situação tão ruim. Ela sempre teve uma vida muito agitada administrando a casa, cuidado do marido e dos três filhos. Promovendo reuniões e encontros para socializar a família e formar amigos. Também se mantinha ocupada com trabalhos na comunidade em que moravam. Ela finalmente tinha alguns dias de paz e silêncio para descansar agora. Porém, não foi bem isso que aconteceu. Estar esses dias, pela primeira vez na vida, sem ter o que fazer, apenas refletindo sobre a própria vida, fez ela adentrar terrenos em sua memória que inutilmente ela passou a vida jogando debaixo do tapete.

Eu tenho certeza que essa história não vai agradar muita gente. Ela é bem diferente do mainstream. Ela é parada. A história toda se passa no mesmo lugar isolado e é composta basicamente por memórias e reflexões. Muita gente acostumada a ler livros mais dinâmicos vai achar um tédio. Então não é um livro para qualquer um. É um livro para ser lido em momentos de introspecção. E quando eu li esse livro, quando eu tinha meus 21 anos, mais ou menos, eu estava passando por uma fase de transformação, sensível a qualquer coisas que me fizesse repensar quem eu havia sido durante a adolescência e quem eu gostaria de ser. Foi um livro que eu li na hora certa e, por isso, me impactou bastante. E olha que eu não parecia em nada com a protagonista, ela é uma mulher de meia idade, casada e com filhos crescidos. Eu era um rapaz que mal tinha saído da adolescência e não sabia nada da vida. E mesmo assim me identifiquei com algumas coisas da história de Joan.

Naquela época eu já tinha percebido como as pessoas preenchiam suas vidas com qualquer coisa só para não ter que lidar consigo mesmas. Que confundiam fugir de problemas com diversão. E ter lido esse livro apenas consolidou esse pensamento que carrego até hoje. E até hoje procuro me conhecer e tentar evoluir, por isso decidi reler esse livro para descobrir o porquê dele ter me afetado tanto. É um ciclo engraçado esse, não? A medida que vamos ficando mais velhos, coisas vão nos transformando e mais pra frente analisando essas transformações nos transformamos de novo e de novo. E só aprendemos isso na prática porque ignoramos, ou melhor, não conseguimos absorver quando alguém mais velho nos diz.

E sabe o que é mais engraçado ainda? Nessa releitura eu descobri porquê esse livro me afetou. Mesmo tendo afetado eu não percebi o motivo na época, achei que tinham sido pelo motivo x ou y, mas não tinha percebido de verdade. Recentemente, em terapia, eu percebi algo muito importante sobre mim (que não vou dizer o que é por motivos de assuntos pessoais), e que é algo responsável por boa parte dos meus sofrimentos e angustias. E nessa releitura enxerguei essa característica na Joan. E provavelmente por isso me identifiquei com ela. Só por isso ela leitura valeu super a pena e esclareceu muitas coisas sobre meu eu mais novo. Eu não costumo reler livros, mas esse foi um caso que vale muito a pena fazer isso. Se você tem algum livro que te impactou no passado, tente reler e identificar por que você gostou tanto dele. É uma forma bem interessante de autoconhecimento.

E depois e todo esse meu relato você se interessou por esse livro, vale apena dar uma chance para ele também! Quem já gosta da escrita da Agatha Christie vai estar vantagem, pois apesar de não ser um romance policial, a características da escrita dela são as mesmas, o que me fez sentir confortável e em casa, lendo.

“Toda a história de sua vida, a história real de Joan Scudamore… Esteve aqui esperando por ela… Ela nunca teve de pensar nessa história. Sempre foi bastante fácil preencher sua vida com trivialidades que a deixavam sem tempo para autoconhecimento”


Avaliação

Avaliação: 5 de 5.

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Ausência na Primavera

Mary Westmacott

ISBN: 978-85-254-2044-2

2010 – L&PM Pocket

224 páginas (Pt/Br)

Sinopse: Em “Ausência na primavera”, Mary Westmacott conta a história de Joan Scudamore, uma típica dona de casa que está voltando do Oriente após fazer uma visita a sua filha em Bagdá. De seu casamento feliz com o advogado Rodney, Joan teve duas filhas e um filho. Mas um imprevisto muda bruscamente seus planos e a deixa presa em uma estação ferroviária no meio do deserto. A solidão do lugar obriga a refletir sobre seu casamento e sua vida… Teria ela sido tão feliz assim?

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