Heartstopper

Crítica da Série – Heartstopper [P.S. Allen]

Olá, Sonhadores! Tudo bem com vocês? Sim, este mês vai ter um post meu! A faculdade e o trabalho estão consumindo muito meu tempo, ando muito atarefado e não consigo parar para escrever sobre outras coisas além dos livros que tenho lido (que por sinal também estão sendo lidos bem devagar), mas esse mês consegui aparecer por aqui.

O post de hoje é sobre a série que a Netflix lançou recentemente: HEARTSTOPPER. Eu acabei de assistir e já corri aqui para escrever sobre ela antes que todas as minhas impressões e emoções desapareçam.

A série conta a história de Charlie, um garoto gay que namora sigilosamente um outro garoto de sua escola. Porém esta relação está longe de ser saudável, pois esse cara faz com que Charlie se sinta todo errado por ser quem é e ficar constrangido por estarem juntos. No meio dessa relação abusiva ele vai conhecer Nick, um jogador do time de rúgbi que será sua dupla em uma das matérias que farão juntos. Os dois começam a se aproximar e Nick ajuda Charlie a sair desse lugar escuro, enquanto que Charlie ajuda Nick a se questionar e tentar compreender quem ele realmente é. Nesse processo, ambos começam a ficar muito próximos. Aos poucos, eles percebem que podem sentir um pelo outro algo além de uma simples amizade.

Sim, essa sinopse é batida e já foi vista em diversos lugares. A princípio pode parecer apenas “mais uma série”, mas o que me surpreendeu aqui foi a delicadeza com que os assuntos foram abordados. Eu particularmente não gosto de Euphoria, Elite (depois da 3ª temporada), Skam e alguns outros. Acho todas elas relevantes por contribuírem para a representatividade e visibilidade LGBTQIA+, mas não gosto da abordagem mais agressiva e que, por muitas vezes, é regada a álcool, drogas e sexo demais.

Estou sendo conservador? NÃO! Eu só me refiro ao fato de que quando o assunto é sexualidade ninguém parece tão revoltado ou bem resolvido quanto alguns personagens dessas séries apresentam. Nem sempre precisamos da ferocidade, basta do suporte emocional necessário. Acho que o fundo sensível que Heartstopper traz se assemelha muito ao de “Com amor, Simon“, onde a identidade vai sendo construída diariamente enquanto você se sente perdido em um dia e confiante em outro. A adolescência não é fácil, todos somos desengonçados e deslocados, sem entender o quanto a nossa sexualidade é uma das coisas mais complicadas, principalmente quando o que somos pode não ser aquilo que a sociedade espera.

Mas voltando a série, a delicadeza na construção e amadurecimento dos personagens parece uma centelha de esperança para quem está assistindo. Parece dizer “viu, é complicado mesmo. Haverá dias bons e ruins. Você vai achar que está chegando lá e aí vai voltar dois passos. Mas vai tudo se ajeitar e ficar tudo bem”. A série também incentiva que sejamos fortes para lidar com a nós mesmos e com o mundo. Eu gostaria de ter tido séries assim quando eu era adolescente e estava tentando entender a mim mesmo.

Claro que a série tem o clichê de todo romance (paixão, complicações, reviravoltas, primeiro beijo), mas nem por isso ela acaba sendo descreditada. Obviamente acabamos nos imaginando vivendo uma relação como Nick e Charlie, e essa é a uma das duas armadilhas da série: pois sabemos que nem sempre viveremos esse romance que nos faz sentir borboletas no estômago. A outra armadilha é que nem sempre as pessoas que praticam bullying receberão o que merecem. Infelizmente.

Fora o casal central, a série também aborda as experiências de alguns amigos. Tara e Darcy, duas garotas que acabam de assumir o seu namoro e estão lidando com a reação de toda escola enquanto tentam ser felizes juntas; e Tao e Elle que sentem uma imensa dificuldade de assumirem o que sentem um pelo outro, principalmente Tao que tem medo que a amizade mude caso não dê certo. Tao é também o personagem mais irritante, ele tem algumas atitudes egoístas que claramente mostram o quanto somos imaturos, inseguros e não sabemos muito sobre nada aos quinze anos.

A série é baseada em HQ’s homônimos e acredito que logo a Netflix anunciará uma continuação, afinal ainda há muita coisa para ser falada. Eu não sei se pretendo ler os quadrinhos, tenho receio de estragar minhas emoções, mas superindico a série. Vale a pena conferir se você gostou de “Garoto encontra garoto”, “Com amor, Simon” e “Please like me“.

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Até a próxima!

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