Olá, Sonhadores! Hoje eu venho falar de um livro que me pegou de um jeito muito particular. Dois Garotos se Beijando, de David Levithan, é uma daquelas leituras que não parecem apenas contar uma história, mas tocar em lugares muito profundos da nossa própria vivência. Para mim, este se tornou o melhor livro de temática LGBT que já li, justamente porque ele consegue transformar sentimentos muito íntimos em literatura.
Além disso, é um livro que fala diretamente com o público gay. E não digo isso porque outras pessoas não possam lê-lo ou se emocionar com ele, pelo contrário. Mas existe algo na forma como David Levithan constrói seus personagens, seus medos, suas inseguranças e suas pequenas vitórias que faz com que o leitor gay reconheça, em alguma página, uma parte de si mesmo. Portanto, é uma leitura de identificação, acolhimento e também de muita dor.
Uma história contada em muitos corações
A narrativa é dividida em quatro núcleos principais, cada um acompanhando garotos gays em momentos diferentes de suas vidas. Em um deles, dois jovens decidem participar de um desafio público: passar 32 horas se beijando para tentar entrar no Livro dos Recordes. A atitude nasce como forma de protesto e também como resposta à violência sofrida por um colega gay. Porém, mais do que quebrar uma marca, o gesto deles se transforma em um símbolo de existência.
Enquanto isso, acompanhamos outros personagens lidando com descobertas, relacionamentos, solidão, família, medo da rejeição e desejo de pertencimento. Dessa forma, o livro não se limita a um único tipo de experiência. Pelo contrário, ele mostra que não existe uma única maneira de ser gay, de amar, de sofrer ou de tentar encontrar um lugar no mundo.
Outro ponto muito marcante é a escolha dos narradores. A história é contada por uma espécie de coro formado por homens gays que já morreram, muitos deles pertencentes a uma geração que enfrentou um mundo ainda mais hostil. Essa decisão narrativa dá ao livro uma força imensa, pois cria uma ponte entre passado, presente e futuro. Segundo sinopses e resenhas da obra, o livro é parcialmente narrado por essa geração marcada pela epidemia de Aids e acompanha Harry e Craig em sua tentativa de quebrar o recorde do beijo mais longo.
O maior acerto: a identificação
O que mais me impressionou em Dois Garotos se Beijando foi a capacidade do autor de colocar no papel sentimentos que muitas vezes são difíceis até de explicar. David Levithan entende os pequenos detalhes: aquele medo constante do julgamento, a insegurança antes de se abrir para alguém, a necessidade de parecer forte quando, por dentro, tudo está desmoronando, e também a alegria quase revolucionária de perceber que você não está sozinho.
Por isso, a leitura funciona como uma montanha-russa emocional. Em alguns momentos, dá vontade de sorrir porque os personagens encontram beleza em gestos simples. Em outros, dá um aperto no coração porque as dores retratadas são muito reconhecíveis. Ainda assim, o livro nunca me pareceu desesperançoso. Pelo contrário, mesmo quando fala de preconceito e sofrimento, ele também fala de resistência.
E talvez seja isso que torne a experiência tão especial. O livro não romantiza as dificuldades, mas também não reduz seus personagens a elas. Eles são jovens com dúvidas, desejos, afetos, erros e sonhos. Ou seja, são pessoas inteiras.
Outros livros que podem te interessar:
- Garoto Encontra Garoto – David Levithan
- Will & Will – John Green & David Levithan
- Quinze Dias – Vitor Martins
- Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo – Benjamin Alire Sáenz
- Tipo Uma História de Amor – Abdi Nazemian
Uma escrita sensível e poderosa
A escrita de David Levithan é um dos grandes destaques da obra. Ele tem uma forma muito delicada de conduzir a narrativa, quase poética em alguns trechos, mas sem tornar o texto distante ou difícil. Pelo contrário, a leitura flui muito bem, ao mesmo tempo em que carrega um peso emocional enorme.
Além disso, a escolha por alternar entre diferentes núcleos mantém o ritmo interessante e amplia o alcance da história. Cada personagem representa uma faceta diferente da experiência LGBT, e isso faz com que o livro pareça maior do que sua própria trama. Ele não fala apenas sobre dois garotos se beijando. Ele fala sobre gerações, memória, visibilidade e futuro.
Um livro inspirado por histórias reais
Uma curiosidade importante é que o núcleo do beijo foi inspirado em acontecimentos reais envolvendo jovens que tentaram quebrar o recorde do beijo mais longo como forma de visibilidade. Essa informação torna tudo ainda mais impactante, porque reforça como a literatura pode transformar um gesto público em reflexão. Afinal, para muitas pessoas, dois garotos se beijando ainda é visto como provocação, quando deveria ser apenas uma demonstração de afeto como qualquer outra.
Uma leitura necessária
Dois Garotos se Beijando é um livro emocionante, sensível e profundamente necessário. Para leitores gays, acredito que a identificação pode ser imediata e intensa. Para leitores que não fazem parte dessa vivência, a obra também tem muito a oferecer, pois ajuda a enxergar dores, medos e esperanças que muitas vezes são ignorados pela sociedade.
Portanto, recomendo muito a leitura, especialmente para quem busca uma história LGBT que vá além do romance e fale sobre existência, memória e pertencimento. É triste, bonito, acolhedor e poderoso. E, acima de tudo, é um daqueles livros que lembram ao leitor que, mesmo quando o mundo parece difícil demais, ainda existe futuro.
Avaliação
Se interessou? Compre este livro pelo meu link da Amazon e apoie o blog!

Dois Garotos se Beijando
David Levithan
ISBN: 978-85-011-0209-6
2015 – Galera Record
224 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Baseado em fatos reais e em parte narrado por uma geração que morreu em decorrência da Aids, o livro segue os passos de Harry e Craig, dois jovens de 17 anos que estão prestes a participar de um desafio: 32 horas se beijando para figurar no Livro dos Recordes. Enquanto tentam cumprir sua meta – e quebrar alguns tabus -, os dois chamam a atenção de outros jovens que também precisam lidar com questões universais como amor, identidade e a sensação de pertencer.
[…] que eu li Dois Garotos se Beijando, David Levithan, lindíssimo, falou […]
[…] Resenha Completa: Dois Garotos se Beijando – David Levithan […]