Por P.S. Allen
Olá, sonhadores! Mentirosos, de E. Lockhart, foi uma das leituras que mais despertaram minha expectativa nos últimos tempos. Eu já conhecia o livro antes mesmo de ele atingir o hype atual, e quanto mais via recomendações, mais curioso ficava. Aproveitei um momento de “surto consumista literário” e finalmente decidi incluí-lo na minha lista de leituras. A empolgação era grande, talvez até grande demais.
A família Sinclair e os segredos de Beechwood
A história gira em torno da poderosa e rica família Sinclair, que passa todos os verões em Beechwood, sua ilha particular. Os quatro primos mais velhos crescem juntos nesse cenário exclusivo, compartilhando brincadeiras, travessuras e, principalmente, mentiras. Por sempre negarem suas próprias ações, acabam recebendo o apelido de “Mentirosos”.
Por trás da fachada de união familiar, existem falsidades, preconceitos e dissimulações que sustentam uma estrutura aparentemente perfeita. No entanto, tudo muda no verão em que os adolescentes têm quinze anos, quando um acidente grave acontece com Cadence Sinclair. Ela é encontrada desacordada na praia, com traumatismo craniano e sem qualquer lembrança do que ocorreu.
Após o acidente, Cadence sofre com enxaquecas constantes, confusão mental, náuseas e episódios de terror noturno. Impedida de retornar à ilha nos verões seguintes, ela vive em meio a uma névoa de memórias fragmentadas. Dois anos depois, quando finalmente volta a Beechwood, percebe que sua família está ainda mais estranha e distante. Convencida de que escondem algo sobre o dia do acidente, ela passa a investigar o que realmente aconteceu.
“Você entende, Cady? O silêncio é uma camada protetora sobre a dor.”
Hype, expectativa e frustração
Eu estava realmente ansioso para ler Mentirosos. A sinopse me conquistou desde o início, e a crescente popularidade do livro só aumentou minhas expectativas. No entanto (e digo isso com certo pesar) não consegui entender ou justificar o tamanho do alvoroço em torno da obra.
Costumo evitar resenhas negativas por respeito ao trabalho do autor, mas desta vez não consegui ignorar minha experiência. Para quem nunca leu algo semelhante, a história pode parecer inovadora e original. Contudo, existem outras obras que exploram conceitos parecidos de forma mais consistente, o que acabou me deixando frustrado.
Outros livros que podem te interessar:
- Um de Nós Está Mentindo – Karen M. McManus
- Mortos Não Contam Segredos – Karen M. McManus
- Um de Nós é o Próximo – Karen M. McManus
- Aconteceu Naquele Verão
- Sangue de Lobo – Rosana Rios & Helena Gomes
Narrativa confusa e personagens pouco convincentes
A narrativa é construída em diferentes linhas temporais, com transições extremamente sutis entre passado e presente. Essa escolha estilística pode confundir o leitor, a ponto de não ficar claro em qual momento da história estamos. É possível argumentar que essa confusão contribui para reforçar a perspectiva em primeira pessoa de Cadence, já que sua mente está fragilizada pelo trauma e pela perda de memória. De certa forma, o leitor compartilha dessa sensação de desorientação.
Ainda assim, para mim, isso não foi suficiente para tornar a experiência agradável. A estrutura narrativa caótica não compensou o desconforto gerado pela falta de clareza. Além disso, senti que os personagens não são convincentes o bastante para sustentar a proposta do enredo. Em alguns momentos, certos comportamentos simplesmente não fazem sentido dentro da lógica apresentada.

Um final surpreendente, mas não original
Um ponto positivo é o desfecho. O final realmente surpreende, principalmente porque o livro não entrega pistas claras sobre o caminho que está construindo — ou, pelo menos, eu não consegui percebê-las. Apesar disso, a revelação não me pareceu particularmente original, o que diminuiu um pouco o impacto.
“Somos Sinclair. Ninguém é carente. Ninguém erra. Talvez isso seja tudo o que você precisa saber a nosso respeito.”
Vale a pena ler Mentirosos?
Para leitores que apreciam narrativas psicológicas, atmosferas caóticas e histórias que brincam com a percepção da realidade, Mentirosos pode ser uma excelente escolha. O livro aposta fortemente na ambiguidade, na confusão mental e na tensão emocional.
No meu caso, porém, a leitura não funcionou. Apesar da expectativa inicial e da curiosidade que senti por tanto tempo, não foi uma experiência que eu recomendaria pessoalmente. Ainda assim, é uma obra que claramente encontra seu público e talvez funcione muito melhor para quem busca exatamente esse tipo de proposta narrativa.
Avaliação
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Mentirosos
E. Lockhart
ISBN: 978-85-657-6548-0
2014 – Seguinte
271 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Na família Sinclair, ninguém é carente, criminoso, viciado ou fracassado. Mas talvez isso seja mentira.
Os Sinclair são uma família rica e renomada, que se recusa a admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todo ano o patriarca, suas três filhas e seus respectivos filhos passam as férias de verão em sua ilha particular. Cadence – neta primogênita e principal herdeira -, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo chamado Mentirosos.
Durante o verão de seus quinze anos, as férias idílicas de Cadence são interrompidas quando a garota sofre um estranho acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, depressão, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos. Toda a família a trata com extremo cuidado e se recusa a dar mais detalhes sobre o ocorrido… até que Cadence finalmente volta à ilha para juntar as lembranças do que realmente aconteceu.
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