Resenha | Cartas Para Martin – Nic Stone

Olá, Sonhadores! É triste em pleno 2021 ainda serem necessárias discussões sobre racismo, mas sabemos como o ser humano tem memória curta e, convenientemente fácil, poderia deixar o que aconteceu na escravidão para trás. E pior, sabemos como muitas pessoas tem dificuldade de enxergar temas pelo ponto de vista social e não individual. Dito isso, resolvi trazer a resenha de um livro que eu li no clube de leitura do blog Mãe Literatura em Fevereiro que aborda o tema de racismo pelo ponto de vista de um garoto negro de dezessete anos.

“Mas, antes de pensar que algo ‘não é justo’, você deveria considerar seu lugar de partida em comparação com o de outras pessoas.”

Como a sinopse (que você pode conferir no final deste post) foi muito bem escrita e consegue introduzir perfeitamente a história, não vou fazer esse papel dessa vez e vou focar somente na minha experiência com a leitura.

Por fazer parte de uma minoria, eu sempre me preocupei em me informar sobre debates políticos e sociais tanto a respeito da minha, quanto de outras minorias. Sendo assim, quando peguei este livro para ler fiquei me perguntando: “o que será que ele vai me acrescentar? Será que vai ser mais do mesmo que já estou acostumado a ouvir?”. Depois da leitura tive minha resposta: de fato, a autora não me trouxe nenhuma ideia ou discussão desconhecida, mas o formato de ficção me deu outra coisa que eu ainda não tinha: a experiência de ao me colocar, como leitor, no papel do personagem, pude ver e sentir os efeitos do racismo nas práticas e ações da sociedade. Eu não sou negro e sei que essa experiência literária não chega nem perto do que é viver na pele, mas tenho certeza que o objetivo da autora foi tentar fazer isso, nos aproximar dessa realidade o máximo possível.

É muito interessante como a autora usa o elemento das cartas que Justyce escreve para Martin Luther King Jr. de forma terapêutica para o personagem se entender e entender o mundo em sua volta. Fiquei levemente decepcionado por esse elemento ser apenas isso e não ter um papel mais fundamental na trama, pois acho que fecharia o livro com chave de outro. Infelizmente em alguns momentos, em especial durante um grande debate que o protagonista participa, achei que a autora perdeu boas oportunidades de nos trazes informações sobre o racismo que poderia ter sido, para mim, aquele conhecimento novo que eu estava procurando. Essas coisas não fazem o livro ser ruim, mas foi o que me fez não dar cinco estrelas.

Este é um livro muito bom, principalmente por ser direcionado para um público adolescente que conhece sobre o assunto mais superficialmente. Tanto que, por isso, acho que este livro deveria ser lido por muita gente que ainda precisa entender sobre o que se trata o combate ao racismo. Recomendo para todos os tipos de leitores!

“Às vezes, quando as pessoas sabem que se livraram de algo que não deveria ter passado em branco, aprendem mais do que se tivessem sido punidas.”


Avaliação

Avaliação: 4 de 5.

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Cartas Para Martin

Nic Stone

ISBN: 978-85-510-0665-8

2020 – Intrínseca

256 páginas (Pt/Br)

Sinopse: Justyce McAllister é um garoto de dezessete anos com um futuro brilhante pela frente. É um dos melhores alunos de uma prestigiada escola de Atlanta, tem uma mãe amorosa e um melhor amigo incrível. No entanto, um episódio de violência policial traz à tona que a distância entre ele e seu futuro é quase um abismo. Porque Justyce McAllister é negro, e isso significa que, muitas vezes, é julgado pela cor de sua pele.
Ao ser agredido e detido injustamente, o olhar de Justyce desperta para um novo mundo, um lugar solitário em uma sociedade que insiste em vê-lo como ameaça ou como promessa de fracasso. Ele se dá conta, então, de que não pode mais fingir que não tem nada errado e decide iniciar um projeto: escrever cartas para Martin Luther King Jr., um dos mais importantes ativistas políticos pelos direitos dos negros, símbolo da luta contra a segregação racial nos Estados Unidos, morto em 1968.
Ao tentar aplicar os ensinamentos de Luther King em sua vida, Justyce começa a trilhar um caminho para entender não só como deve reagir diante das injustiças, mas que tipo de pessoa ele quer ser. Em meio a questões familiares, desentendimentos com os amigos e complicações da vida amorosa, nas cartas ele expõe suas dúvidas, sua angústia, sua revolta e a percepção clara de que a sociedade não é tão igualitária quanto deveria.
No livro de estreia de Nic Stone, vemos Justyce passar pelos desafios da adolescência, amadurecer e encarar o racismo que tanto afeta sua existência. Comovente e extremamente necessário, Cartas para Martin é um relato sobre ser um jovem negro e sobre o direito inalienável de existir. Um livro impossível de ignorar.

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