Resenha | Cores Vivas – Patrice Lawrence

Olá, Sonhadores! Geralmente eu evito fazer resenhas de livros que eu não gostei, mas esse eu acho que merece. Li ele em um clube de leitura e, apesar de eu ter tido sorte e gostado da maioria das leituras feitas pelo clube, inevitavelmente, em algum momento, surgiria um livro horrível. Esse dia chegou e vamos falar dele!

“Esse homem nunca tinha sentado do lado errado de uma mesa na delegacia, nunca os guardas tinham olhado para ele de cima, dizendo que era mentiroso. Nunca teve que enfiar o nariz na manga da roupa numa cela fedida nem teve que aguentar um sargento perguntando se ele já tinha dormido com uma garota que acabou de morrer.”

Este livro vai contar a história de Marlon, um adolescente que se envolveu e se apaixonou por Sonya, uma garota popular que ele pensava jamais ter qualquer chance. Porém, sua vida vira de pernas pro ar quando a menina influencia Marlon a tomar LSD durante um encontro em um parque de diversões. Parecia muito divertida a ideia até que Sonya acaba morrendo (talvez de overdose) enquanto eles estavam em um brinquedo. Quando a polícia aparece e encontra a droga em posse de Marlon, ele acaba sendo acusado de ser traficante. O que não é nenhuma surpresa visto que Marlon é negro e todos sabemos o racismo que existe dentro do chamado “Combate as Drogas”.

Disclaimer: Isso tudo se passa no primeiro capítulo e, inclusive, está na sinopse a morte de Sonya. PORÉM, a partir de agora vou falar livremente sobre tudo. Então, cuidado, terão muitos spoilers!

Apesar de a edição da Darkside ser bem bonita e a proposta do livro ser interessante, confesso que o primeiro capítulo já me desanimou um pouco. Eu tenho um total de nenhuma paciência pra adolescente fazendo merda e foi sofrido ler todo esse evento no parque de diversões. Então meio que já comecei com o pé atrás, mas ainda tinha esperança que fosse melhorar… só que me enganei muito!

Começando pelo protagonista que é insuportável… ele tem uma mãe ótima e uma melhor amiga também muito legal, ambas únicas personagens minimamente sensatas desse livro, mas Marlon é completamente cego para tudo o que elas falam e age como um imbecil, uma criança que se acha a bandidona! Ele tem um irmão mais velho que atualmente está internado numa clínica psiquiátrica, mas que no passado era líder de uma gangue. Por tudo o que o irmão passou, Marlon deveria saber como as coisas funcionam, mas não… primeiro que ele não confia na polícia e não quer colaborar com nada (o que até aqui é entendível), mas ele enfiou na cabeça que nunca deve envolver os policiais em nada, por mais que tenha um assassino atrás dele e da família. Na cabeça dele é “contra as regras das ruas” envolver a polícia e ele tem que resolver isso sozinho. E durante a história Marlon acaba arranjando alguns inimigos criminosos que o que eles mais fazem É ENVOLVER A POLÍCIA.

É extremamente frustrante ler esse livro e eu ainda mal comecei as críticas. Outra coisa que torna o protagonista insuportável é a paixão platônica que ele criou pela Sonya. Você acha que eles eram um casalsinho super apaixonado? Não, o encontro do parque foi o primeiro (e único) encontro deles. Mas ele a ama intensamente por ela ter dado cinco minutos de atenção pra ele. E isso dá pra relevar… até a parte em que ele descobre que Sonya tinha envolvimento no tráfico e seu único objetivo com Marlon era transformar ele num cliente viciado. Mas você acha que ele acreditou nessa história? Nem por um momento! Pra ele, ela era uma santa que, coitadinha, estava sendo influenciada pelos bandidos a ajudar a mãe (também criminosa) a pagar sua dívida. O que pode até ser também, apesar da autora ter resolvido ignorar totalmente o ponto de vista da Sonya na trama, mas ainda assim ela não era inocente, apenas usou ele.

Bom, até aqui você pode argumentar: “Ah, mas personagem burro pode existir. Talvez fosse a intenção da autora que ele fosse assim”. E é um argumento justo. Mas eu não acho que tenha sido a intenção, acho que ela que não soube mesmo construir os personagens e nem a história. Digo isso com base no que eu achei ser o pior problema do livro: ele é totalmente mal elaborado.

Em diversas partes a autora começa alguma coisa e essa coisa nunca mais é mencionada. Ela simplesmente joga ali. Parece estar escrevendo só seguindo um fluxo e acaba pegando outro caminho que não era o que ela tinha pensando anteriormente. Tanto que a história começa de um jeito e logo já vira outra coisa e depois termina de um jeito que a gente fica “Que????”. A maior prova disso é que você vai terminar o livro sem saber porque a Sonya morreu. No começo da a entender que ela também usou o LSD (veja bem: da a entender), depois também da a entender que ela fingia que usava pra manipular suas vítimas. Mas, no fim, nada é explicado. E todas as motivações pra tudo são péssimas, até o vilão da história é FRAQUÍSSIMO, é um clone do Marlon, na real. A gente consegue enxergar o que a autora procurou representar na história, mas foi muito, muito mal elaborado.

E pra complementar tem algumas cenas terríveis que ficaram marcadas pra mim. Tem um momento que o Marlon decide visitar a avó da Sonya (e eu fiquei: “P.R.A. Q.U.E.???????”). Em outro momento, Marlon decide que precisa conseguir uma arma, mas acaba sendo enganado pelo traficante vendedor, pois quando Marlon vai usar a pistola a gente descobre que ela era de brinquedo (eu não sei nem o que comentar sobre isso). E por fim, tem a PIOR CENA desse livro que é o grande clímax, o embate entre Marlon e seu arqui-inimigo que parece ter saído direto de um filme de ação meia boca, super mal escrito, você não entende NADA do que está acontecendo porque todas as ações que os personagens decidem tomar são TOTALMENTE NON SENSE. Você não sabe se não entendeu ou se foi algo absurdo mesmo.E o inimigo de Marlon, que o livro todo é colocado como o maior bandidão, tem uma arminha ridícula que acaba estourando na própria mão no meio do processo. Nossa, essa última cena foi uma das coisas mais terríveis que eu já li! No final eu só queria que todo mundo morresse de uma vez.

Esse foi o livro de estreia da autora, mas ela já lançou outros desde então. Eu ainda não li, mas espero que, com a experiência que ela ganhou, esses novos livros sejam melhores. Como falei no início, li esse livro através de clube de leitura e a frustração foi UNÂNIME. A gente nem se quer entendeu porque a editora decidiu mudar o título do livro para “Cores Vivas” sendo que o título original é outro e esse nem se quer faz sentido! Muita gente também percebeu problemas de edição no texto, então a sensação que deu foi de relaxo por parte da autora, da editora e de todos os envolvidos. Fazer uma edição bonita não é o suficiente (fica a dica, não comprem um livro só pela capa) e eu não indico esse livro para ninguém. Eu só dei duas estrelas e não uma porque o fato de ter lido em conjunto e depois ter me reunido com as pessoas pra falar mal e reclamar dele foi muito divertido. Só por isso não me arrependo da leitura também.

“..Meu corpo, minhas mãos, tudo tremia. Os guardas pediram que eu me virasse, então estiquei os braços e afastei as pernas. Fechei os olhos, mas isso só fez com que eu sentisse mais fortemente aquelas mãos dando tapinhas em mim, de cima a baixo, como se estivessem tentando tirar pó de alguma coisa…”


Avaliação

Avaliação: 2 de 5.

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Cores Vivas

Patrice Lawrence

ISBN: 978-85-945-4178-9

2019 – DarkSide

304 páginas (Pt/Br)

Sinopse: Marlon prometeu. Ele não se meteria em problemas. Não como seu irmão, Andre, líder de uma gangue que pagou um preço alto pelo caminho que escolheu. Sempre foi mais fácil ficar na dele, no quarto, ouvindo os antigos discos do Earth, Wind & Fire de seu pai e assistindo a filmes de ficção científica.
Até que ele conhece Sonya. Uma garota linda da escola que, contra todas as probabilidades, lhe dá uma chance. Mas o primeiro encontro dos dois termina em tragédia e, de uma hora para outra, Marlon se torna suspeito e não entende o porquê. Com seu pai morto e o irmão incapaz de ajudá-lo, ele não tem escolha a não ser entrar no mundo de Andre — um mundo violento, cruel e desumano — para descobrir a verdade e proteger as pessoas que ama.
O livro que você está prestes a conhecer é uma leitura poderosa e emocionante — e extremamente necessária nos dias atuais. Cores Vivas, o mais novo lançamento da DarkSide Books®, aborda com muita honestidade como escolhas erradas, mesmo feitas com a mais nobre das intenções, podem levar uma pessoa a um caminho tortuoso e, muitas vezes, sem volta.
Patrice Lawrence, autora premiada com o Waterstones Children’s Book Award e o The Bookseller ya Book Prize em 2017, nos apresenta a uma Londres que vai muito além dos pontos turísticos: aqui, conhecemos o cotidiano de uma família que não vive na área nobre da cidade, mas em proximidade com um submundo em que a violência é constante, e o medo é apenas uma consequência.
Cores Vivas é uma história poderosa sobre compreensão, amor e sobrevivência. A sensibilidade e o cuidado narrativo de Patrice Lawrence encontram casa na linha DarkLove, dedicada a revelar novas vozes femininas da literatura contemporânea. O coming of age urbano e repleto de camadas mostra que, às vezes, você pode fazer tudo certo, e mesmo assim as coisas dão errado. Mas respeito e compaixão são questões básicas para mantermos todas as nossas cores vivas.

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