Cujo – Stephen King

Definitivamente este é um dos meus livros favoritos de Stephen King! Desde que fiquei sabendo sobre este livro, por algum motivo, eu sentia que eu iria gostar. Fiquei nutrindo o desejo de ler por um bom tempo, lendo até mesmo outros livros do autor antes, mas sabia que em algum momento leria Cujo e não iria me decepcionar.

“Ele sentia o cheiro do HOMEM, a mistura de suor e excitação, a carne macia grudada nos ossos. O rosnado ficou cada vez mais grave, até se transformar em um intenso e desestabilizante urro de fúria.”

Sobre a História

O livro conta a história de um adorável e enorme cão da raça São Bernardo que, apesar de já estar velho, mantinha seus hábitos de caça; até o dia em que meteu o focinho onde não devia, foi mordido por um morcego e pegou Raiva. A trama gira em volta da evolução da doença em Cujo e de suas consequências, quando o mesmo começa a atacar as pessoas. No meio disso, se desenrolaram as histórias das famílias Camber (donos de Cujo) e Trenton, ambas composta por um menino e seus pais. A família Trenton se mudou recentemente para cidade e estão passando por uma crise; ou melhor, várias crises. O filho, Ted Trenton, tem passado noites de terror em seu quarto, sentindo a presença de algo em seu closet e deixando seus pais preocupados com sua saúde mental. Enquanto isso, os pais estão passando por um crise no casamento, onde por um lado Donna Trenton tem um amante, enquanto seu marido é negligente com a família devido a problemas profissionais em um plot paralelo. A família Camber, não muito diferente, também tem seus problemas internos que faz com que ninguém perceba o que está havendo com Cujo, deixando a doença piorar até o momento em que vão ter que lidar com ela da pior forma possível.

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Minhas Considerações

Particularmente eu prefiro suspense a terror. Medo do sobrenatural não é tão emocionante para mim quanto medo de um perigo real e palpável como um cachorro enorme com raiva. Especialmente porque eu já passei por experiências, quando criança, de ser atacado por cães e que por muito tempo me fez ter muito receio deles (talvez exista resquícios disso até hoje). Então, para mim, esse livro foi um prato cheio para sentir a tensão do começo ao fim.

Em várias resenhas eu critiquei Stephen King por enrolar demais em suas histórias para acontecer algo, é sempre muita construção para no final vir a emoção. Mas em Cujo não foi assim e deu muito certo. No começo do livro já sabemos o que acontece com Cujo e desde então ficamos na constante tensão de que todos estão em perigo a todo momento.

Um ponto muito legal é que o autor narrou o que se passava na mente de Cujo e como foi a evolução da doença. Desde o que ele sentia por seus donos enquanto estava bem até perder totalmente o controle sobre si mesmo e sentir o desejo incontrolável matar as pessoas que mais amou. Para quem gosta de animais, ver isso acaba sendo ainda mais emotivo e triste.

Eu recomendo demais esse livro, eu diria que é meu favorito do autor. Apenas não se prendam muito a sinopse do livro, pois ela tem um grande problema que vou explicar abaixo na sessão com spoilers.

“O velho monstro, pensou ela, incoerentemente, mantém a guarda.”

Discussão (com Spoilers)

Apesar de todos os elogios, a história não é perfeita. Já na sinopse somos apresentados ao monstro no armário de Ted Trenton que representa Frank Dodd, um serial killer que aterrorizou a cidade por anos, mas que agora está morto. Para quem leu A Zona Morta, Frank Dodd era o vilão e eu não sei se a menção dele foi um easter egg gratuito ou se Stephen King tinha alguma outra intenção. O que eu sei é que esse pequeno fato destoou totalmente do que importa em Cujo. O que eu imagino é que King quis dizer que Ted tinha o mesmo tipo de iluminação que Danny de O Iluminado e o fato dele sentir a presença de um serial-killer ajudava no desenvolvimento da tensão da trama. Só que, primeiro, essa tal iluminação de Ted não serve para a nada em relação a história principal e, segundo, sendo a iluminação desnecessária, o monstro no armário poderia ser qualquer coisa que teria o mesmo efeito de tensão. É claro que King quis assim e é isso, mas o que eu quero dizer é que a gente começa a ler a história esperando uma coisa e não é nada disso que é entregue (e ainda bem, pois eu gostei muito mais de como foi). Na minha opinião é um erro isso ser destacado na sinopse, não é nem de longe sobre isso que Cujo se trata. Deixe nos comentários o que você acha sobre isso, se eu deixei passar algo batido, porque isso me deixa inconformado até hoje.

As piores partes do livro foram as narrativas sobre o pai de Ted, com aquela situação irrelevante da empresa que ele e seu colega tentavam salvar. Era algo muito distante do que importava também: Cujo.

O ápice do livro, quando mãe e filho estão presos no carro, debaixo do sol, por dias, foi o pesadelo mais incrível. Não parei de ler até aquilo chegar ao fim. E que fim! A pior coisa é ler algo sabendo que por pior que esteja a situação, no final vai ficar tudo bem. Mas com Stephen King sabemos que não existe essa regra.


Avaliação

♥ ♥ ♥ ♥ ♥

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CUJO_1473839443611959SK1473839443B Título: Cujo

Autor: Stephen King

Editora: Suma De Letras

Ano: 2016

Páginas: 376

Idioma: Português (Inglês)

ISBN: 978-85-565-1025-9

Sinopse: Frank Dodd está morto e a cidade de Castle Rock pode ficar em paz novamente. O serial-killer que aterrorizou o local por anos agora é apenas uma lenda urbana, usada para assustar criancinhas. Exceto para Tad Trenton, para quem Dodd é tudo, menos uma lenda. O espírito do assassino o observa da porta entreaberta do closet, todas as noites. Você pode me sentir mais perto… cada vez mais perto. Nos limites da cidade, Cujo – um são Bernardo de noventa quilos, que pertence à família Camber – se distrai perseguindo um coelho para dentro de um buraco, onde é mordido por um morcego raivoso. A transformação de Cujo, como ele incorpora o pior pesado de Tad Trenton e de sua mãe e como destrói a vida de todos a sua volta é o que faz deste um dos livros mais assustadores e emocionantes de Stephen King.

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