O Memorial do Desterro – Mauro Maciel

Olá Sonhadores! Trago hoje a resenha de uma obra diferente do que estão acostumados a ver por aqui. O Memorial do Desterro é um livro que foi autopublicado na Amazon em 2017 para concorrer pelo Prêmio Kindle e conseguiu vencer! Eu fiquei muito curioso para ler, não apenas pela sinopse, mas para observar o que este prêmio está buscando.

Sobre a História

A história fala sobre uma reviravolta na vida de um escritor que abandonou sua carreira a muitos anos e foi viver exilado no nordeste brasileiro. Um dia ele recebe uma ligação dizendo que o inquilino que viva de aluguel em sua casa na cidade (fictícia) de Santa Maria do Mar Revolto havia morrido. O problema é que este homem não tinha parentes, era uma pessoa solitária cujo único contato era o dono da casa em que vivia. O que era um grande transtorno, pois havia uma lei na cidade que requeria um obituário sobre a vida do falecido para que o mesmo pudesse ser enterrado.

O escritor, que não é nomeado no livro, recebeu a contragosto o encargo de escrever o obituário. Ele havia conhecido o inquilino a muitos anos atrás quando o mesmo alugou a casa, mas sabia apenas que era um Irlandês e que por todos esses anos pagou o aluguel irrepreensivelmente. Não tinha informações o suficiente, não estava disposto a viajar para o outro lado do pais e tampouco tinha vontade de voltar a escrever qualquer coisa. Porém, ele acabou sendo convencido quando soube que o Irlandês tinha um barco e que poderia recebe-lo de herança caso aceitasse a proposta.

Ao voltar para sua antiga cidade, o escritor começa a não apenas investigar a vida do seu ex-inquilino, mas a refletir sobre várias questões sobre si mesmo e sobre a vida.

“Sou apenas um homem que tenta salvar com palavras a memória de uma pessoa quase indecifrável.”

Minhas Considerações

Não conheço Mauro Maciel, mas sinto que ele colocou muito de si nesta obra. É comum autores fazerem isso, mas neste caso foi um pouco mais intenso. A história é muito mais sobre isso do que sobre o protagonista conseguir escrever o obituário, tanto que muita coisa acaba ficando a margem de interpretação (coisa que particularmente não me agrada). Porém, eu me simpatizei com a história por carregar um pouco características dos livros de Júlio Verne.

Quanto ao que eu comentei na introdução deste post, consegui identificar alguns pontos que acredito serem o que o Prêmio Kindle busca:

  • Mesmo com lugares fictícios, ser de representação nacional.
  • Ter profundidade e trazer reflexão. Agregar algo além do entretenimento.
  • Tratar com maturidade questões que vem com a maturidade.

Posso estar completamente enganado, mas sinto que esses são pontos relevantes. E vale pontuar também que apesar do Young Adult poder se encaixar nesses três tópicos, ele está bem distante do que eu vejo a premiação buscar. A maturidade que me referi é um pouco mais adulta e subjetiva. O que é curioso, pois mesmo um prêmio moderno como este se mantém na mesma fórmula de prêmios clássicos. Pretendo fazer um post em breve sobre Young Adult e minhas opiniões sobre ele para desenvolver mais esse assunto.

Concluindo, O Memorial do Desterro é uma obra que tem sua qualidade, mas eu não a vejo atraindo o público consumidor atual. Porém, se você é autor e tem interesse em ganhar algum prêmio, não pode deixar de ler os vencedores.

“(…) um autor de livros não está condenado a repetir as mesmas palavras para sempre, como um cantor de músicas.”


Avaliação

♥ ♥ ♥ ♥

SkoobGoodreads

O_MEMORIAL_DO_DESTERRO_1507906926721387SK1507906926BTítulo: O Memorial do Desterro

Autor: Mauro Maciel

Editora: Autopublicação (Amazon)

Ano: 2017

Páginas: 185

Idioma: Português

Sinopse: O inquilino de um renomado escritor é encontrado morto ao lado de um barco à vela, às margens de um rio, na fictícia cidade de Santa Maria do Mar Revolto, no sul do Brasil. Com o inquilino morto, apenas uma carta foi encontrada e ela estava endereçada ao seu escritor preferido que vivia em autoexílio numa praia distante do nordeste do país, há mais de vinte anos.
Identificado como irlandês, o falecido inquilino permanece insepulto durante vários dias, sem que nenhum parente, amigo ou vizinho manifestasse interesse em providenciar o enterro. Diante dessa inusitada situação, o redator-chefe de obituários de Santa Maria do Mar Revolto resolve telefonar para o escritor, solicitando que assumisse o encargo de realizar o sepultamento, cujos trâmites dependiam apenas do registro de um obituário no Livro Tombo dos Mortos.
Convencido de que poderia escrever um obituário e enterrar o inquilino irlandês em troca de um barco à vela, o renomado escritor aceita regressar àquela cidade, mesmo sabendo que nela reencontraria todos os fantasmas e tormentos que o fizeram desistir de escrever vinte anos atrás.

 

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