Orgulho e Preconceito – Jane Austen [P. S. Allen]

Quando eu era adolescente, eu gostava muito de livros românticos. Quem nunca leu um livro cheio de melodrama? Aqueles livros em que você suspira e fica torcendo para que o casal protagonista consiga superar todas as reviravoltas do destino e ficarem juntos. Você sofre, você chora, você ri, suspira no primeiro beijo e quase se derrete com o final feliz.

Um livro que me causou todas essas sensações foi Orgulho e Preconceito da Jane Austen. A história gira em torno dos Bennet, uma família de classe média do interior da Inglaterra do século XVIII. As cinco irmãs Bennet são muito diferentes entre si e cada uma traça seu destino maravilhosamente. Elizabeth, umas das cinco filhas do casal, é uma moça de temperamento forte, decidida, astuta e com um humor bem sarcástico. Logo no início da história, ela conhece o antipático, esnobe e arrogante Darcy, um amigo de um vizinho rico que acabou de se mudar para o vilarejo. A repulsa entre Elizabeth e Darcy é imediata: ambos concordam que são muito diferentes e estão prontos para se odiarem e seguirem suas vidas. Porém, uma série de encontros e desencontros vão acontecer para que seus caminhos se cruzem e isso fará com que as primeiras impressões sejam mudadas. Ambos terão de lutar contra um sentimento que não esperavam sentir.

Já li este livro duas vezes, o que é raro acontecer (não costumo repetir leituras) e perdi a conta de quantas vezes já vi o filme (considero um boa adaptação). O que me chama a atenção é que quando o li pela primeira vez, em 2009, eu reagia exatamente como descrevi no começo do texto: me derretendo todo. Em 2017 eu decidi relê-lo e, apesar de ainda torcer muito pelos personagens, consegui compreender algumas questões que são levadas em conta por Elizabeth e Darcy, questões que não eram tão simples assim. Consegui entender, também, o porquê de a história ter esse nome. Parece que o tempo e a maturidade também são ferramentas que auxiliam na compreensão de leituras.

Sobre a autora, Jane Austen foi uma moça que nunca se casou e morreu muito jovem. Não escreveu muitas obras, mas isso não impediu de ser considerada uma das melhores escritoras de todos os tempos. Quem a conhece sabe que suas personagens fazem ironias à classe burguesa da época e que suas heroínas, como ela chamava as personagens principais, são sempre mulheres que quebravam paradigmas e levantavam questionamentos sobre costumes sociais. A escrita é maravilhosa também! Ela conseguia descrever cenas de uma forma bem realista. Você é capaz de sentir o gosto de uma fruta, sentir a temperatura, a maciez do tecido das roupas… Enfim, uma mulher brilhante que, com sua ousadia, ganhou espaço num mundo conservador.

Orgulho e Preconceito é um clássico! Recomendo muito a leitura. Pode ter certeza que o livro trará não somente amor, mas aventuras, comédia, personagens inusitados e questões que ainda existem na sociedade atual. Emma, A abadia de Northanger e Mansfield Park são outras obras de Jane Austen que estão cheias do mesmo brilhantismo, crítica social e ironia.

P. S. Allen

 

2 comentários sobre “Orgulho e Preconceito – Jane Austen [P. S. Allen]

  1. Olá! Adorei sua opinião sobre esse livro que também adoro e tenho que concordar com você, reler esse livro com anos de diferença da primeira leitura abre os olhos para outras questões dos personagens kkkk acho até que, quando eu reler de novo novos panoramas vão surgir kkkk

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