Morte nos Alpes - Lucy Foley

Resenha do Livro Morte nos Alpes, de Lucy Foley

Olá, Sonhadores! Descobri que Morte nos Alpes, de Lucy Foley, seria lançado poucos dias antes da Bienal do Livro de São Paulo deste ano e que, inclusive, algumas cópias estariam disponíveis por lá antes da data oficial de lançamento. Portanto, obviamente eu não poderia perder essa oportunidade. Afinal, estamos falando de uma história NOVA de Miss Marple! E, dessa vez, ela não foi escrita pelas mãos de Agatha Christie, mas sim de uma das autoras britânicas de romances policiais mais populares da atualidade.

Essa não é exatamente a primeira vez que escritores contemporâneos assumem a responsabilidade de trabalhar com a personagem. Alguns anos atrás, tivemos Histórias de Miss Marple, uma coletânea de contos escritos por diferentes autores. Ainda assim, eu não imaginava que algum deles acabaria recebendo a missão de criar um romance completo. Então, quando descobri que Lucy Foley seria responsável pelo retorno da detetive, fiquei curioso, mas também um pouco receoso.

Um assassinato no alto dos Alpes

Em Morte nos Alpes, Miss Marple decide fazer algo um pouco diferente do habitual: viajar para o exterior. Seu destino é o luxuoso Grand Alpine Hotel, localizado nos Alpes Suíços, um lugar cercado por montanhas, neve e hóspedes que, como podemos imaginar em qualquer bom romance policial, carregam seus próprios segredos.

Entretanto, a tranquilidade das férias não dura muito. Quando uma pessoa aparece morta e uma forte nevasca deixa o hotel praticamente isolado do restante do mundo, todos os hóspedes passam a integrar uma lista bastante conveniente de suspeitos.

Felizmente — ou não, dependendo do ponto de vista dos demais personagens — Miss Marple está por perto. E sabemos muito bem que poucos detalhes conseguem escapar de sua capacidade de observar o comportamento humano.

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O desafio de escrever uma nova Miss Marple

Já tinha lido um livro de Lucy Foley e conhecia seu sucesso dentro do gênero policial, mas o estilo da autora é bem diferente daquele que encontramos nos livros de Agatha Christie. Além disso, eu nem lembrava se tinha gostado ou não do conto escrito por ela para Histórias de Miss Marple.

Mesmo assim, obviamente eu daria uma chance ao livro. Não sou dessas pessoas excessivamente conservadoras que acreditam que apenas o original presta. É claro que as obras de Agatha Christie têm um valor próprio — e o fato de continuarem relevantes tantas décadas depois já demonstra isso —, mas também gosto da possibilidade de vermos novas histórias utilizando personagens tão importantes.

Por isso, meus principais receios eram dois. Lucy Foley poderia simplesmente colocar Miss Marple dentro de uma história escrita completamente em seu próprio estilo, fazendo a personagem parecer deslocada, ou poderia tentar imitar Agatha Christie demais e acabar produzindo algo artificial.

Felizmente, Morte nos Alpes encontrou um equilíbrio interessante entre essas duas possibilidades.

Lucy Foley encontra seu próprio equilíbrio

É bastante evidente que não estamos lendo um livro escrito por Agatha Christie, e acredito que tentar esconder isso seria um erro. Ao mesmo tempo, Lucy Foley adapta sua narrativa para algo mais próximo do formato clássico das aventuras de Miss Marple e, principalmente, parece preocupada em entregar uma versão legítima da personagem.

Nesse sentido, ela tinha um desafio considerável nas mãos. Sophie Hannah já vem fazendo algo semelhante há bastante tempo com Hercule Poirot e, na minha opinião, conseguiu bons resultados. Portanto, inevitavelmente surgem comparações.

A própria estrutura da trama também lembra bastante as aventuras clássicas de Miss Marple: ela viaja para algum lugar aparentemente tranquilo, conhece um grupo de pessoas e, naturalmente, acaba encontrando um assassinato pelo caminho.

Confesso apenas que não achei muito convincente a ideia de Miss Marple, já idosa, decidir viajar justamente para os Alpes. Porém, depois que aceitei essa premissa, o restante funcionou melhor para mim.

Morte nos Alpes - Lucy Foley

Um começo estranho, mas um mistério que funciona

As primeiras páginas também me assustaram um pouco. A narração parecia estranha, em um estilo que, para mim, não lembrava nem Lucy Foley nem Agatha Christie. Felizmente, essa sensação desapareceu rapidamente e, de repente, a narrativa encontrou um ritmo muito mais próximo daquilo que eu esperava.

Além disso, gostei bastante da resolução do mistério. O final conseguiu me surpreender e, principalmente, apresentou uma ideia bastante original. Inclusive, a maneira como algumas expectativas são quebradas me lembrou justamente daqueles momentos em que Agatha Christie contrariava os padrões estabelecidos pelo próprio gênero para revelar seus assassinos.

E acredito que esse seja um dos maiores elogios que eu poderia fazer a uma nova história protagonizada por Miss Marple.

Vale a pena ler Morte nos Alpes?

No fim das contas, Morte nos Alpes foi uma experiência muito boa. Lucy Foley causou uma boa primeira impressão utilizando Miss Marple e conseguiu encontrar um caminho intermediário entre respeitar aquilo que Agatha Christie criou e escrever uma história que não parece simplesmente uma tentativa de copiar sua autora.

Naturalmente, caso novos romances sejam publicados, ainda existe espaço para aperfeiçoar essa fórmula. Porém, como primeiro livro, o resultado foi bastante satisfatório.

Portanto, se você gosta de Agatha Christie, já leu toda a obra da autora e sente falta de encontrar Miss Marple diante de um novo mistério, acredito que vale a pena dar uma chance para Morte nos Alpes. Talvez não seja Agatha Christie — e nem deveria tentar ser —, mas é muito bom poder acompanhar novamente uma das maiores detetives da literatura entrando em cena.


Avaliação

Avaliação: 4 de 5.

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Morte nos Alpes - Lucy Foley

Morte nos Alpes

Lucy Foley

ISBN: 978-85-950-8729-3

2026 – HarperCollins

288 páginas

Português (Brasil)

Sinopse

Em Morte nos Alpes , Lucy transporta a solteirona de St. Mary Mead, para o glamouroso cenário pós-guerra da Suíça, em um mistério que parece gloriosamente escapista, mas totalmente relevante para os nossos tempos.

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