Filhos de Duna - Frank Herbert

Resenha do Livro Filhos de Duna, de Frank Herbert

Olá, Sonhadores! Depois de uma longa pausa, finalmente retomei minha jornada pelo universo de Duna. Hoje chegamos ao terceiro volume da série de Frank Herbert: Filhos de Duna. Para mim, este é o ponto em que deixamos de nos sentir tão perdidos entre tantos nomes, planos políticos, conceitos e organizações e conseguimos mergulhar de cabeça nesse universo tão complexo.

Além disso, Filhos de Duna funciona como uma espécie de encerramento para esse primeiro grande ciclo da história, ao mesmo tempo em que abre caminhos completamente novos para o futuro da série. Portanto, já adianto: esta resenha contém spoilers de Duna e Messias de Duna. Se você ainda não chegou até aqui, talvez seja melhor conferir primeiro as resenhas dos volumes anteriores.

“Existe sempre uma mística predominante em qualquer civilização. Ela se ergue como uma barreira contra a mudança, e isso sempre deixa as gerações futuras despreparadas ante a traição do universo. Todas as místicas são iguais ao construírem essas barreiras: a mística religiosa, a mística do herói-líder, a mística do messias, a mística da ciência-tecnologia, ou a própria mística da natureza. Nós vivemos num Império moldado por essa mística, e agora esse império está desmoronando porque a maioria das pessoas não distingue entre a mística e seu universo.”

Os filhos de Paul Atreides e um Império à beira do caos

Nove anos após os acontecimentos de Messias de Duna, os filhos gêmeos de Paul Atreides, Leto e Ghanima, crescem em Arrakis sob o Império comandado por Alia. Assim como aconteceu com a tia, os dois possuem dentro de si as memórias e os conhecimentos de seus antepassados. Consequentemente, também convivem com o perigo de perderem a própria identidade para alguma dessas consciências.

Enquanto isso, várias ameaças começam a surgir praticamente ao mesmo tempo. Alia perde cada vez mais o controle sobre si mesma, enquanto o Barão Harkonnen ganha espaço em sua mente. Lady Jessica retorna a Arrakis depois de anos afastada, levantando suspeitas sobre uma possível reaproximação com as Bene Gesserit. Por outro lado, Farad’n, neto do antigo Imperador Padixá, torna-se peça de um plano para recuperar o trono.

Como se não bastasse, um misterioso velho cego conhecido como Pregador aparece questionando justamente a religião criada ao redor de Muad’Dib. Paralelamente, Leto e Ghanima percebem que precisam colocar em prática um plano capaz de mudar o futuro da humanidade, algo que nem mesmo Paul conseguiu realizar.

“(…) A religião é um enquistamento de crenças passadas: a mitologia que é a suposição, os pressupostos ocultos de confiança no universo, os pronunciamentos que os homens fazem em busca de poder pessoal, tudo misturado com fragmentos de esclarecimento. E sempre aquele derradeiro mandamento não-verbalizado: ‘Não deverás questionar!'”

Muito mais empolgante que Messias de Duna

Confesso que Messias de Duna deixou um pouco a desejar para mim. Agora, depois de terminar o terceiro livro, tenho ainda mais a sensação de que ele funcionou como um rápido interlúdio entre acontecimentos muito maiores.

Em contrapartida, Filhos de Duna recuperou completamente meu entusiasmo pela série. Basta observar a quantidade de conflitos acontecendo simultaneamente para perceber como Frank Herbert volta a construir uma trama grandiosa. Existem conspirações políticas, disputas familiares, conflitos religiosos, planos dentro de outros planos e, acima de tudo, aquela sensação constante de que cada personagem sabe mais do que está revelando.

Além disso, Herbert continua usando sua ficção científica para discutir temas muito maiores. Política, religião, sociedade, poder e natureza aparecem constantemente nas reflexões dos personagens. Muitas passagens ultrapassam os acontecimentos de Arrakis e nos fazem pensar sobre nossa própria realidade. Para mim, esse é justamente um dos elementos que tornam Duna uma obra tão relevante.

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Lady Jessica está de volta — e ainda melhor

Entre os personagens, meu grande destaque foi Lady Jessica. Eu já adorava a personagem no primeiro livro e senti bastante sua ausência em Messias de Duna. Por isso, fiquei muito satisfeito com seu retorno.

Jessica continua sendo uma personagem extremamente completa. Existe mistério em praticamente tudo o que ela faz, além daquela sensação permanente de que está sempre vários passos à frente dos outros. Ao mesmo tempo, Frank Herbert nunca elimina completamente sua humanidade. É justamente essa combinação que faz dela uma das personagens mais interessantes da série para mim.

Leto e Ghanima também funcionaram muito bem como protagonistas. Inclusive, gostei dos dois mais do que de Paul. Embora tenham uma ligação quase simbiótica, cada um possui personalidade própria. Além disso, o contraste entre seus corpos infantis e as incontáveis gerações de memórias presentes em suas mentes rende algumas das melhores situações do livro.

Já Alia acabou sendo minha principal decepção. A presença do Barão Harkonnen dentro dela prometia situações ainda mais interessantes e, durante boa parte da história, eu esperava que Herbert explorasse melhor essa relação. Ainda assim, seu desfecho é chocante, bizarro e absolutamente memorável.

“Nós mantemos a presença da morte como um espectro dominante entre os que vivem aqui. Com essa presença, os mortos mudam os vivos.”

Vale a pena continuar a série Duna?

Depois de Messias de Duna, eu ainda tinha dúvidas se realmente continuaria lendo todos os livros. Filhos de Duna acabou com elas.

O livro ampliou aquilo que mais gosto nesse universo, trouxe novamente personagens que eu queria acompanhar, apresentou protagonistas excelentes e deixou claro que Frank Herbert ainda tem muito a explorar. Ao mesmo tempo, encerra uma etapa importante da saga e prepara o terreno para algo completamente diferente.

É uma pena pensar que deixaremos muitos desses personagens para trás quando a história avançar milhares de anos no próximo volume. Porém, quem sabe ainda descobriremos o legado que eles deixaram?

Depois desta leitura, uma coisa eu sei: minha jornada por Duna vai continuar.


Avaliação

Avaliação: 5 de 5.

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Filhos de Duna - Frank Herbert

Filhos de Duna

Frank Herbert

ISBN: 978-85-765-7314-2

2017 – Editora Aleph

528 páginas

Português (Brasil)

Sinopse

Nove anos após os acontecimentos de Messias de Duna, o Imperium finalmente superou sua crise política e se estabilizou. Mas Arrakis não está seguro. Antigos inimigos e velhas ameaças retornam, deixando o planeta à mercê de traições e revoltas enquanto o governo regencial aguarda seus poderosos herdeiros por direito. Em meio a um embate geracional de nível planetário e à maior crise política já vista, surge a misteriosa figura do Pregador, com a promessa de resgatar as tradições de Duna. Filhos de Duna fecha com brilhantismo o arco de história iniciado no épico Duna e em sua sequência, Messias de Duna, retomando temas políticos e existenciais, com a já conhecida maestria de Frank Herbert.

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