Olá, Sonhadores! Com a sequência de Duna cada vez mais próximo dos cinemas, achei que este era o momento perfeito para retornar ao universo criado por Frank Herbert. Por isso, depois de ter gostado bastante do primeiro livro, decidi continuar a saga com Messias de Duna, segundo volume da série e justamente a obra que servirá como base para o próximo filme.
Antes de continuar, entretanto, fica o aviso: esta resenha contém spoilers de Duna. Afinal, é praticamente impossível falar sobre a situação de Paul Atreides neste segundo volume sem comentar as consequências do final da primeira história.
O que acontece depois que o herói vence?
Uma dúvida comum para quem começa a série é até que ponto os livros de Duna funcionam como continuações. Os primeiros volumes acompanham diretamente as consequências da trajetória de Paul e de sua família, embora cada livro tenha seu próprio arco. Portanto, é perfeitamente possível terminar Duna satisfeito com aquela história, mas Messias de Duna mostra justamente o que acontece depois daquela aparente vitória.
Agora mais velho, Paul Atreides se tornou imperador e precisa enfrentar aquilo que mais temia no primeiro livro. Sua ascensão transformou Muad’Dib em uma figura religiosa, enquanto seus seguidores espalharam uma guerra santa pelo universo em seu nome. Como consequência, bilhões morreram enquanto um gigantesco império político e religioso se formava ao redor de Paul.
Enquanto ele tenta conviver com o peso de suas escolhas e das visões sobre o futuro, diferentes grupos começam a conspirar para derrubá-lo. Entre eles estão as Bene Gesserit, a Guilda Espacial e os Bene Tleilax. Além disso, a princesa Irulan, com quem Paul se casou por motivos políticos, também participa das intrigas enquanto tenta impedir que Chani gere um herdeiro para o imperador.
“Quem governa assume uma responsabilidade irrevogável pelos governados.”
Menos batalhas, muito mais política
Se você gostou de Duna principalmente pelas batalhas, pelos vermes da areia e pela aventura no deserto, é importante ajustar as expectativas. Messias de Duna segue por um caminho completamente diferente.
Este é um livro essencialmente político e filosófico. Grande parte da trama acontece ao redor da corte de Paul e acompanha conspirações, conversas, interesses conflitantes e, principalmente, as reflexões do protagonista sobre seu próprio destino. Os vermes praticamente ficam de lado e as grandes cenas de ação também desaparecem.
Ainda assim, não achei o livro parado. Pelo contrário: a tensão das intrigas conseguiu me carregar pelas páginas justamente porque nunca sabemos até onde cada personagem está disposto a ir. Existem tantos interesses envolvidos que qualquer pequena decisão pode alterar completamente o equilíbrio daquele império.
Além disso, Herbert aproveita esse cenário para aprofundar ainda mais o universo de Duna. Religião, poder, fanatismo e liderança aparecem constantemente, mas agora vemos esses temas pela perspectiva de alguém que já conquistou aquilo que desejava e precisa enfrentar as consequências.
Outros livros que podem te interessar:
- Duna – Frank Herbert
- Filhos de Duna – Frank Herbert
- Star Wars: A Trilogia – George Lucas
- A Mão Esquerda da Escuridão – Ursula K. Le Guin
- O Planeta dos Macacos – Pierre Boulle
Paul Atreides nunca foi apenas um herói
Esse é justamente o aspecto que mais gostei no livro. Messias de Duna transforma a trajetória de Paul em algo muito mais complexo.
As reflexões sobre líderes carismáticos, religião e estruturas de poder continuam extremamente interessantes porque podemos relacioná-las facilmente com diferentes momentos da nossa própria sociedade. Paul possui enorme poder, consegue enxergar possibilidades do futuro e, ainda assim, parece constantemente preso às consequências de suas próprias decisões.
Isso também torna o título perfeito. Aqui, Frank Herbert está muito menos interessado em mostrar um grande herói salvando o universo e muito mais preocupado em questionar o que acontece quando milhões de pessoas transformam alguém em um messias.
Inclusive, essa intenção não surgiu por acaso. Herbert explicou em entrevistas que concebeu os três primeiros livros como partes de uma mesma ideia e queria explorar justamente os perigos das estruturas criadas ao redor de líderes carismáticos. Messias de Duna, portanto, ajuda a deixar ainda mais evidente algo que talvez alguns leitores não percebam completamente no primeiro volume: Paul não deveria ser visto simplesmente como um herói.
“A religião também é uma arma. E que tipo de arma seria a religião quando ela se torna o governo?“
Uma continuação menos épica, mas igualmente interessante
A escrita de Frank Herbert continua seguindo aquilo que já conhecemos. Ele não entrega todas as respostas de maneira simples e exige atenção do leitor. Porém, achei Messias de Duna consideravelmente mais fácil de acompanhar do que o primeiro livro, provavelmente porque eu já conhecia aquele universo, suas organizações e boa parte de seus conceitos.
Por outro lado, senti falta de Lady Jessica, que foi uma das minhas personagens favoritas em Duna e praticamente não participa desta história. Considerando todas as intrigas políticas e religiosas presentes aqui, acredito que ela poderia ter acrescentado muito à trama.
No geral, considero Messias de Duna uma ótima continuação, embora não seja tão épico quanto seu antecessor. Inclusive, ele funciona quase como um grande epílogo das consequências de Duna.
Por isso, recomendo especialmente para quem gostou dos aspectos políticos e filosóficos do primeiro livro. Se você entrar esperando outra grande aventura pelo deserto, talvez se decepcione. Entretanto, se quiser descobrir o preço que Paul Atreides precisou pagar por se tornar Muad’Dib, encontrará uma continuação fascinante.
E eu certamente continuarei minha jornada por Arrakis. Nos encontramos novamente em Filhos de Duna!
Avaliação
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Messias de Duna
Frank Herbert
ISBN: 978-85-765-7382-1
2017 – Aleph
272 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Doze anos se passaram desde que Paul Atreides ascendeu ao trono e acumulou os títulos de imperador e messias. Líder do maior império que a humanidade já viu, Paul está terrivelmente consciente do peso de suas decisões. Arrakis tornou-se o centro do Imperium, de onde os fremen se propagaram a fim de levar sua filosofia e forma de governar aos planetas por eles conquistados. Os inevitáveis conflitos gerados por essa expansão fazem importantes facções contrárias ao imperador reunirem forças para detê-lo. Uma grande disputa está prestes a ter início nos bastidores do poder, e apenas Muad’Dib pode decidir o destino de todos. Messias de Duna é o segundo volume da série criada por frank herbert. Ele revela um lado mais humano de seus personagens, além de aprofundar e estender o universo de Duna, aliando discussões políticas, filosóficas e religiosas à épica história de poder, vingança e redenção.