Resenha | O Mistério dos Três Pedaços – Sophie Hannah

Olá, Sonhadores! Não sei se você sabe, mas até os dias de hoje ainda são publicados livros com o icônico personagem Hercule Poirot. Bem, não são livros escritos pela rainha do crime, Agatha Christie, mas sim por Sophie Hannah, uma escritora que ganhou os direitos de incluir o personagem em suas histórias. Confesso que quando eu descobri isso há alguns anos eu fiquei com um pé atrás, mas depois de já ter lido três livros dessa autora, posso dizer que ela faz um ótimo trabalho e que vale a pena você dar uma oportunidade para ela. E para a resenha de hoje eu vou trazer o último lançamento dela no brasil: O Mistério dos Três Pedaços. Eu li esse livro em parceira com o P.S. Allen, então ele também vai deixar pra gente as suas impressões ao final da resenha!

“- O ódio pode sobreviver por muito mais tempo depois da pessoa que o inspirou ter morrido – falou Poirot.”

Por mais que Agatha Christie tenha escrito dezenas de histórias de detetives com os mais diferentes enredos e tramas, Sophie Hannah ainda consegue trazer novidade. Começamos esse livro com uma mulher chamada Sylvia Day abordando furiosamente Hercule Poirot por ele ter lhe enviado uma carta a acusando de ter assassinado Barnabas Pandy, um homem que ela nem se quer conhecia. E ela não foi a única, o jovem John McCrodden e mais outras duas pessoas também foram tirar satisfações por terem recebido a mesma carta enviada em nome de Poirot. A questão é que o detetive não enviou carta nenhuma. Ele nem se quer conhecia o falecido. E é claro que ele não ia deixar barato que alguém estivesse usando seu nome para causar todo esse transtorno. Com a ajuda de seus contatos da Scotland Yard, Poirot sai para investigar o caso. Seria tudo apenas uma pegadinha? Barnabas Pandy realmente foi assassinado por um dos acusados? E qual a ligação entre essas peças? Por que essas pessoas foram as escolhidas?

Bem, desde o princípio muitos mistérios rondam essa história e nos deixam presos a leitura até descobrirmos o que está acontecendo. Não se preocupe, não pretendo dar nenhum spoiler nessa resenha. Posso dizer que quanto a trama, a autora fez uma papel excelente, criando um mistério interessante e uma solução satisfatória. O que é uma conquista incrível visto que as vezes até mesmo Agatha falhava nisso.

Acho que o que é importante dizer sobre esse livro são algumas características para tentar convencer você de que os livros de Poirot escritos por Sophie Hannah valem a pena. É meio óbvio que, por serem pessoas diferentes, os livros dela vão ter diferenças para os da Agatha, mas a semelhança da escrita, do ritmo, da criação dos personagens e das ferramentas que ela usa para montar o enredo são muito grandes! Tenho certeza que isso foi propositalmente pensado e nenhum leitor vai sentir um estranhamento durante a leitura.

Sendo Poirot o personagem que é resgatado nesses livros, uma preocupação evidente é ele acabar diferente, perder suas essência nas mãos de outra pessoa. Mas acredite, acontece exatamente o contrário! Sophie Hannah conseguiu não só manter quem Poirot sempre foi, mas também aprofundou bastante o personagem, nos mostrando mais de como ele é, sem criar nada novo em cima, sem inventar nada além do que Agatha já havia feito. Ela faz isso apenas colocando Poirot em situações diferentes e dando mais voz e espaço para ele expressar seu jeito de ser. Agatha fazia pouco disso, apesar do detetive ser sempre um dos personagens com mais “tempo de cena”, tudo era sempre voltado ao crime que ele estava resolvendo e não a suas questões particulares. Não que este livro aborde questões da vida particular dele, mas a gente consegue ver mais quem ele é. E eu achei isso um trabalho esplêndido!

“- (…) Acho importante entender que os entes mais próximos e queridos não são perfeitos. Se a pessoa não puder aceitar isso… bem, ela vai enlouquecer.”

P.S. Allen: Bom, quanto as minhas impressões, eu já achei que o Poirot está diferente do que a Agatha sempre nos apresentou. Particularmente ele é, para mim, o detetive que eu menos gosto nos livros. Assim como Sherlock, acho Poirot arrogante, dono da verdade, pedante e sempre tirando conclusões de situações muito nada a ver. Outro fato irritante nele é o estilo de investigação: fala com todos os envolvidos, medita, fala de novo com todo mundo e depois aparece com uma solução. Confesso que acho isso muito entediante. Mas concordo com o que o Lucas falou: ele ganhou mais espaço para se exercer, expressar seu emocional e falibilidade. Esse “novo” Poirot me agrada mais por ser mais humano, mais palpável e condizente com a realidade.

O que gostei bastante na história foram as voltas que ela dá, parecendo que não vai ocorrer a resolução da trama e por aparentar que, no fim das contas, não ocorreu um assassinato. Mas é claro que seremos surpreendidos (risos). Confesso que o momento do desfecho deixou um pouco a desejar por ter sido uma narrativa muito longa de Hercule revelando o assassino e, o mesmo, sentado e ouvindo tudo sem nem ao menos se perturbar com o fato, tentar fugir ou se defender. Mas fora isso, achei o livro genial e muito divertido de ler. Uma das melhores narrativas que li em 2021. 

Eu recomendo bastante este livro para que gostou de O Mistério Sittaford, E Não Sobrou Nenhum e A Casa Torta. Todos são mistérios improváveis com reviravoltas surpreendentes.

Espero que tenham gostado desta indicação. Até a próxima!


Avaliação

Avaliação: 5 de 5.

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O Mistério dos Três Pedaços

Sophie Hannah

ISBN: 978-65-551-1124-8

2021 – HarperCollins

345 páginas (Pt/Br)

Sinopse: Ao chegar em casa após o almoço, Hercule Poirot é abordado por uma mulher irada. O motivo de tamanha revolta? Ter recebido uma carta em que o detetive a acusa de assassinato! Poirot, no entanto, está tão confuso quanto ela, pois jamais enviou aquela mensagem. Logo a situação ganha novas proporções quando outras três pessoas batem à porta do belga com a mesma missiva. Algumas delas afirmam que nem conheciam Barnabas Pandy, o falecido em questão, e a neta dele diz que a morte de seu avô foi um acidente. Poirot se vê, então, envolvido em mais um surpreendente mistério. Quem, afinal, enviou aquelas mensagens? E por quê? Quem é Barnabas Pandy? Ele foi mesmo assassinado? Alguém está em busca de confusão, e Poirot terá que usar suas pequenas células cinzentas para montar esse confuso quebra-cabeça.

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