Por P.S. Allen
Olá, Sonhadores! Vamos começar com uma pergunta provocativa: o que você faria se vivesse em um reino governado por quatro rainhas e descobrisse que existe um plano para assassiná-las? Você procuraria a Guarda Real? Pediria ajuda às autoridades? Ou decidiria investigar tudo por conta própria?
É a partir desse dilema que se constrói As Quatro Rainhas Mortas, romance de estreia de Astrid Scholte, uma aventura distópica com fortes elementos políticos, personagens marcantes e uma trama que prende a atenção do início ao fim.
Quadara e suas quatro regiões
A história acompanha Keralie Corrington, uma jovem de 17 anos que vive em Quadara, um reino dividido em quatro regiões, cada uma governada por uma rainha e com valores muito bem definidos:
- Archia, que valoriza a simplicidade, o trabalho duro e a vida prática;
- Eonia, voltada para a razão, a ciência e a tecnologia;
- Toria, lar dos comerciantes, negociadores e mentes curiosas;
- Ludia, a terra das artes, da criatividade e do desapego material.
Keralie vive em Toria e está longe de ser uma heroína tradicional. Ela é uma ladra, sobrevivendo de pequenos furtos, golpes e trapaças pelas ruas da cidade. Cínica, egoísta e sempre pensando primeiro em si mesma, ela deixa claro desde o início que não é alguém em quem se pode confiar facilmente.
“A nação dividida de Quadara era um ecossistema, cada quadrante cumprindo um papel. E as Leis da Rainha eram os alicerces do sistema.”
Um chip roubado e um segredo perigoso
Tudo muda quando Keralie cruza o caminho de Varin, um mensageiro de Eonia que carrega uma mensagem extremamente importante, armazenada em um chip. Usando de sua lábia e experiência, Keralie engana o garoto e rouba o chip para si.
No entanto, Varin não é tão ingênuo quanto parece e decide ir atrás dela para concluir sua missão. Juntos, eles acabam descobrindo o conteúdo da mensagem: as memórias do assassino das quatro rainhas de Quadara.
Assustados e, ao mesmo tempo, curiosos, os dois resolvem investigar a veracidade daquela informação. Aos poucos, eles se veem envolvidos em uma conspiração política que vem sendo orquestrada há anos. Além disso, passam a ser perseguidos por um inimigo em comum, enquanto um sentimento inesperado (e claramente impossível) começa a surgir entre eles.
Será que tudo vai acabar bem?
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Uma distopia envolvente, ainda que contida
As Quatro Rainhas Mortas é uma aventura distópica com leves toques de romance, que cumpre muito bem as intenções da autora. A trama é envolvente, com cenas bem escritas e um ritmo que mantém o interesse do leitor, ainda que sem ser grandiosa ou excessivamente complexa.
Contudo, para quem gosta de comparações, leitores de A Seleção e A Rainha Vermelha provavelmente vão se sentir em casa. Keralie segue o mesmo arquétipo de protagonista: uma garota de personalidade ácida, ideias fortes e extremamente determinada. Ao longo da leitura, ela deixa constantemente aquela sensação incômoda de dúvida: será que posso confiar nela?
Em contraste, Varin é um personagem doce, tímido e empático, que exala confiança e funciona muito bem como coadjuvante. A dinâmica entre os dois é equilibrada e ajuda a sustentar a narrativa.

Mulheres no centro da história
Um dos aspectos que mais gostei neste livro é a forma como as personagens femininas ocupam o centro da narrativa. Ou seja, se determinado personagem é uma peça fundamental para a trama, pode ter certeza: é uma mulher.
Aqui, o dia não é salvo por um homem. Não há príncipe subindo torre para resgatar ninguém, nem um rei assumindo o controle do reino. As mulheres são líderes, estrategistas, governantes e agentes ativas de mudança.
Além disso, as figuras femininas são diversas e bem delineadas, representando diferentes escolhas e estilos de vida: desde aquelas que optaram por se dedicar à casa e à família até aquelas que decidiram viver por si mesmas. O livro também traz representatividade LGBTQIA+ em um dos pares românticos, de forma natural e integrada à história.
“Embora cada região tivesse desenvolvido forças e habilidades próprias, compartilhavam da mesma fraqueza: a inveja.”
A sensibilidade da autora
Astrid Scholte também conquistou pontos comigo fora da narrativa. Nos agradecimentos finais, ela demonstra uma alegria genuína por ter escrito essa história e um carinho enorme por todas as pessoas que a ajudaram ao longo do processo.
Esse momento é simples, mas muito sincero, e me fez refletir sobre como devemos ser mais empáticos e sensíveis com o trabalho criativo dos outros. Afinal, para muitos autores, publicar um livro é a realização de um sonho.
Vale a pena ler As Quatro Rainhas Mortas?
No geral, As Quatro Rainhas Mortas é uma leitura muito agradável. Não é uma história revolucionária dentro do gênero, mas é bem construída, envolvente e cheia de bons personagens.
Recomendo especialmente para quem busca uma leitura para se distrair, sair de uma ressaca literária ou acompanhar durante uma viagem. É um livro que cumpre o que promete e deixa uma boa impressão ao final.
Bom, espero que tenham gostado da resenha. Até a próxima leitura! 📚✨
Avaliação
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As Quatro Rainhas Mortas
Astrid Scholte
ISBN: 978-85-011-1827-1
2019 – Galera Record
392 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Na efervescência de paixões proibidas, segredos e alguns mistérios, o reinado das quatro rainhas de Quadara está ameaçado – resta saber como, e por quem. No continente de Quadara, há séculos quatro rainhas reinam absolutas, cada uma representando o próprio quadrante. Juntas, mas separadas. A decidida Iris fala por Archia, a ilha de terras férteis; a estoica Corra representa a tecnológica Eonia; Marguerite, a mais velha das rainhas, é a soberana de Toria e de seus curiosos habitantes; e Stessa, a mais jovem, é o rosto de Ludia, o quadrante da diversão e da arte.
As quatro mulheres dividem o poder, sempre respeitando as Leis das Rainhas, sempre pensando no povo e no melhor para a nação. Mas elas têm segredos, e estes podem ser letais. Tão letais quanto Kelarie Corrington. Aos 17 anos, a toriana é a mais hábil larápia e a melhor mentirosa de Jetée. um distrito de excessos, contrabando e charlatões.
O último lugar que Varin, um mensageiro eonista, deveria visitar. Mas ele foi roubado… por Keralie, e a jovem é a única esperança de reaver a mercadoria e manter seu emprego. Um mensageiro nunca pode perder sua encomenda. Para piorar, há coisas muito mais sinistras nos chips de comunicação afanados por Keralie. Algo que pode enredar a larápia e o mensageiro em uma conspiração para assassinar as quatro rainhas de Quadara. Sem opção, os dois resolvem se unir para descobrir o assassino e salvar a própria vida no processo. Quando sua relutante parceria começa a se transformar em algo mais, os dois precisam aprender a confiar um no outro e a superar as diferenças entre quadrantes para viver esse amor. Mas será que uma curiosa toriana e um insensível eonista têm alguma chance?