Resenha | O que Aprendi com o Silêncio – Monja Coen

Olá, Sonhadores! Hoje trago mais uma resenha de um livro da Monja Coen! Diferente dos anteriores que eu já fiz resenha (confira aqui), este se trata mais de uma biografia do que sobre Budismo ou autoajuda. Mas é claro que mesmo assim terminamos ele com várias lições aprendidas.

“Quantas vezes sentimos vontade de algo que não é a nossa própria vontade, mas a cópia de alguém?”

Para quem não sabe, Monja Coen Rōshi é uma brasileira, zen budista, missionária da tradição Soto Shu e uma das principais responsáveis por trazer ao Brasil os ensinamentos de sua religião e criar uma grande comunidade de praticantes. Porém, “O que Aprendi com o Silêncio” nos trás a história de Cláudia, seu nome de batismo.

Desde que comecei a me interessar por Budismo, eu já li uns sete livros da Monja Coen e sempre acompanho ela nas redes sociais. E nesse processo criei uma figura dela na minha mente, pois eu tenho apenas essas referencias de como ela é. Nunca a vi pessoalmente, muito menos convivi com ela. Então para mim ela é e “sempre foi” uma pessoa tranquila, iluminada, sensata, inteligente, entre diversas outras características. Nós temos o costume de fazer isso com qualquer celebridade e, quase sempre, nos chocamos quando descobrimos que essa figura projetada na nossa mente não é real. Porém, lendo esse livro o que me chocou não foi isso. Até porque é uma biografia, ela fala do passado, então a leitura não afetou a imagem que eu tenho dela hoje. O que me chocou foi como ela era antes de tudo e toda a transformação que ela teve ao longo do caminho.

Primeiro precisamos levar em conta que ela nasceu em 1947. A cultura da época que ela viveu a juventude era totalmente diferente da nossa atualmente. Ela viveu períodos marcantes da história, nunca sociedade pós Segunda Guerra Mundial, onde o mundo estava se transformando muito, começando uma globalização e uma mistura cultural que, consequentemente, causava muita curiosidade nas pessoas. Da claramente para perceber no livro que a jovem Cláudia sempre foi uma dessa pessoas curiosas, que não tinha medo de viver, de experimentar, que tinha um desejo intrínseco de descobrir o que era realidade. Depois de muitas idas e vindas, uma filha, viagens, um casamento, trabalhos e hobbies, ela acabou conhecendo o Zen Budismo e nele descobriu sua verdadeira vocação.

Não pretendo entrar em detalhes da trajetória aqui, mas definitivamente o que mais me marcou foi ver, através da história de vida dela, o que ela sempre diz em toda oportunidade: nada é fixo, nem permanente. Esse é um ensinamento que infelizmente só aprendemos de verdade com o tempo. Enquanto somos jovens sofremos muita ansiedade por causa do futuro, achamos que estamos condenados a viver os problemas que temos agora para sempre, mesmo sabendo que não é assim. Claudia viveu muitas coisas e só começou a se converter mais velha do que eu sou hoje! A vida é uma surpresa, por mais que façamos planos e traçamos um caminho até um objetivo, não temos como saber com certeza o que pode acontecer.

Essa foi uma leitura muito interessante. Confesso que tenho sempre um pé atrás com biografias porque me irrita muito discursos de superação ou sucesso depois de trabalho duro (a vida não é tão simples). Felizmente, a narrativa que a Monja Coen criou para seu livro em nenhum momento vai por esses caminhos, muito pelo contrário, ela nos mostra mais como a vida foi acontecendo e como as escolhas que ela fez a partir das oportunidades que ela teve, a levou onde está hoje.

“Cada um só pode manifestar o que é, e o que tem é o que pode dar.”


Avaliação

Avaliação: 4 de 5.

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O que Aprendi com o Silêncio

Monja Coen

ISBN: 978-85-422-1778-0

2019 – Editora Planeta

232 páginas (Pt/Br)

Sinopse: Monja, jornalista, pensadora. Por trás da figura serena e sempre alegre, existe uma das maiores personalidades brasileiras da atualidade. Suas convicções são precisas e duradouras, mesmo que transmitidas de maneira doce e leve. Seus ensinamentos têm formado uma geração livre de preconceitos religiosos e focada na evolução do eu interior, na liberdade dos pensamentos, no controle do ego e principalmente na possibilidade de ser zen em um mundo caótico.
Aqui, Coen Roshi conta sua história com um olhar inusitado. Às vezes emotivo, em outros momentos sarcástico, mas sempre com a capacidade de fazer de um instante o infinito e do infinito um instante. Descubra por que o silêncio foi tão importante em meio a tantas histórias barulhentas e dissonantes.

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