Olá, Sonhadores! Sabe aqueles momentos em que as coisas parecem estar caminhando bem e surge uma vontade de compartilhar algo positivo com outras pessoas? Foi justamente nesse clima que decidi escolher mais um livro da Monja Coen para aparecer aqui no blog. Como li várias obras da autora no começo do ano, havia algumas opções possíveis, mas Verdade? Porque nem tudo o que ouvimos ou falamos é verdadeiro acabou se destacando por apresentar uma proposta simples, curiosa e, ao mesmo tempo, bastante necessária.
Afinal, todos nós crescemos ouvindo ditados populares, conselhos prontos e afirmações que parecem carregar alguma sabedoria universal. Entretanto, será que costumamos refletir sobre o que realmente estamos repetindo?
As verdades escondidas nas frases do cotidiano
Ao longo do livro, Monja Coen seleciona diferentes ditados populares e frases conhecidas para analisar as ideias que existem por trás deles. Expressões como “Quem espera sempre alcança” ou afirmações como “Amor de mãe é incondicional” costumam ser repetidas com tanta frequência que, muitas vezes, passam a ser tratadas como verdades absolutas.
No entanto, basta observarmos a realidade com um pouco mais de atenção para percebermos que as coisas não são tão simples. Esperar pacientemente não garante que alguém alcançará seus objetivos. Da mesma forma, embora muitas mães amem profundamente seus filhos, não é possível afirmar que toda relação materna seja necessariamente saudável ou incondicional.
A proposta de Verdade? é justamente interromper esse processo automático. Em vez de aceitar cada frase como uma regra, a autora convida o leitor a analisar seus possíveis significados, suas limitações e os diferentes contextos em que ela pode ou não fazer sentido.
“Quem deve mudar é você. O outro, os outros, são reflexos da sua mudança.”
Um olhar zen-budista sobre ideias familiares
Um dos pontos mais interessantes da leitura é a maneira como Monja Coen incorpora sua visão zen-budista às reflexões. Assim, o livro não apenas questiona se determinada frase está correta, mas também apresenta outras possibilidades de interpretação.
Para leitores ocidentais, principalmente aqueles que cresceram em ambientes influenciados pelo cristianismo, essa perspectiva pode oferecer uma forma diferente de observar o cotidiano. A autora fala sobre impermanência, relações humanas, comunicação, expectativas e sobre nossa tendência de transformar experiências particulares em regras universais.
Além disso, Monja Coen não tenta simplesmente provar que todos os ditados populares estão errados. Algumas frases carregam ensinamentos válidos, enquanto outras podem ser verdadeiras apenas em determinadas situações. Existem ainda aquelas que precisam ser reinterpretadas, pois foram repetidas durante tanto tempo que seu significado original acabou se perdendo.
Outros livros que podem te interessar:
- Mãos em Prece – Monja Coen
- A Sabedoria da Transformação – Monja Coen
- A Monja e o Poeta – Monja Coen & Allan Dias Castro
- Da Negação ao Despertar – Monja Coen
- O que Aprendi com o Silêncio – Monja Coen
Quando a reflexão parece incompleta
Apesar de ter gostado muito da proposta, nem todas as análises me convenceram. Em alguns momentos, senti que determinadas questões poderiam ter sido aprofundadas ou abordadas por outro ângulo. Nessas horas, surgiu aquela pequena agonia de querer contra-argumentar, mas não existir a possibilidade de conversar diretamente com o livro.
Um exemplo aparece na reflexão sobre a frase “Para bom entendedor, meia palavra basta”. Monja Coen comenta que algumas pessoas ficam tão presas à própria maneira de interpretar a realidade que não conseguem enxergar além dela, mesmo quando alguém tenta explicar uma situação.
Embora esse raciocínio seja válido, sempre enxerguei esse ditado por outra perspectiva. A falha de comunicação é um dos grandes problemas das relações humanas. Portanto, ainda que meia palavra possa bastar para alguém muito atento, não deveríamos nos limitar a oferecer apenas metade da informação.
Pelo contrário, precisamos dizer todas as palavras necessárias para que uma mensagem seja compreendida corretamente. Deixar que os outros completem nossas ideias pode gerar interpretações equivocadas, conflitos e expectativas que nunca foram realmente comunicadas.
Esse não foi o único momento em que senti falta de outras possibilidades de análise. Contudo, talvez essa própria vontade de discutir com a autora seja um sinal de que o livro alcançou seu objetivo: fazer o leitor abandonar a passividade e começar a questionar aquilo que escuta.

Uma escrita simples que incentiva o debate
A escrita de Monja Coen é acessível, direta e acolhedora. Mesmo quando aborda conceitos relacionados ao budismo, ela evita transformar a leitura em algo excessivamente teórico. Dessa forma, os capítulos podem ser lidos aos poucos, permitindo que o leitor faça pausas para refletir sobre cada tema.
Além disso, a estrutura baseada em frases conhecidas facilita a identificação com os assuntos. Quase sempre encontramos alguma expressão que já ouvimos dentro de casa, na escola, no trabalho ou durante conversas com amigos.
“Apreciar a vida, em suas múltiplas manifestações e momentos transitórios, em suas imperfeições e incompletudes, é mais significativo do que procurar por uma beleza eterna, permanente e perfeita.”
Afinal, o que podemos considerar verdade?
A principal reflexão que retirei de Verdade? é que poucas situações da vida podem ser explicadas completamente por uma frase pronta. O mundo é complexo, diverso e está em constante transformação. Cada acontecimento possui suas próprias causas, condições e consequências.
Por isso, uma ideia que funciona para determinada pessoa pode não funcionar para outra. Da mesma maneira, uma característica isolada não é suficiente para definir alguém ou explicar toda uma situação.
Mesmo quando não concordei totalmente com as interpretações apresentadas, gostei de ser provocado a pensar. Recomendo o livro principalmente para quem deseja uma leitura leve, mas capaz de gerar questionamentos sobre comportamentos, crenças e frases que repetimos sem perceber.
Talvez nem tudo o que ouvimos seja verdadeiro. Entretanto, quando paramos para refletir, até uma frase equivocada pode se transformar no começo de uma conversa importante.
Avaliação
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Verdade?
Monja Coen
ISBN: 978-85-465-0191-5
2019 – BestSeller
144 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Você sempre pensa sobre aquilo que você fala? E já pensou em como o que você fala influencia o que você pensa e sente? Usamos muitas expressões por décadas – gerações! – sem nunca nos perguntarmos sobre seu real significado ou mesmo veracidade. Nesse livro, Monja Coen, fundadora da Comunidade Zen Budista do Brasil, reflete sobre alguns desses ditos populares através da luz da sua longa experiência com o ensinamento Budista e nos guia a pensar sobre muitas dessas “verdades”, todas com certeza muito familiares ao leitor e que já saíram de sua boca algumas dezenas de vezes. Um livro para refletir sobre o que a linguagem representa e a necessidade de autoquestionamento constante. Para Monja Coen, verdade sempre precisa ser seguida por um ponto de interrogação.