Os Assassinatos de Kingfisher Hill - Sophie Hannah

Resenha do Livro Os Assassinatos de Kingfisher Hill, de Sophie Hannah

Olá, Sonhadores! Assim que vi Os Assassinatos de Kingfisher Hill na pré-venda, já garanti o meu exemplar. Sophie Hannah vem fazendo um trabalho interessante ao criar novas histórias protagonizadas por Hercule Poirot sem fazer com que o detetive perca completamente sua essência. Por isso, fiquei bastante curioso para descobrir qual seria o novo mistério e como a autora trabalharia novamente com um personagem tão marcante da literatura policial.

Naturalmente, assumir a responsabilidade de continuar as aventuras de uma criação de Agatha Christie não é uma tarefa simples. Qualquer mudança no comportamento de Poirot, na ambientação ou na estrutura da investigação pode incomodar os leitores mais atentos. Ainda assim, como nos livros anteriores, comecei a leitura disposto a aceitar a proposta e aproveitar mais uma investigação conduzida pelas famosas células cinzentas do detetive belga.

Um crime escondido atrás da perfeição

Em Os Assassinatos de Kingfisher Hill, Hercule Poirot e o inspetor Edward Catchpool viajam de Londres até Kingfisher Hill, uma propriedade exclusiva onde vive a influente família Devonport. A viagem acontece a pedido de Richard Devonport, que deseja provar a inocência de sua noiva, Helen, acusada de assassinar Frank, irmão de Richard.

O problema é que Helen confessou o crime e parece determinada a aceitar sua condenação. Entretanto, Richard acredita que ela não é culpada e espera que Poirot consiga descobrir a verdade antes que seja tarde demais.

A investigação começa a ficar ainda mais estranha durante a própria viagem. Dentro do ônibus, uma mulher entra em desespero ao perceber que terá de ocupar um assento específico. Segundo ela, alguém teria afirmado que, caso se sentasse naquele lugar, seria assassinada. Pouco depois, outro acontecimento perturbador aumenta a quantidade de perguntas que Poirot e Catchpool precisam responder.

Ao chegarem à propriedade, os investigadores encontram uma família cercada por segredos, ressentimentos e versões contraditórias. Dessa forma, aquilo que parecia ser apenas a tentativa de inocentar uma mulher se transforma em um quebra-cabeça muito mais complexo.

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Pistas difíceis de esquecer

Uma coisa que percebi quando terminei o livro foi que todos os pequenos detalhes, pistas e acontecimentos continuavam muito claros na minha cabeça. Achei isso curioso porque é bastante comum chegar ao final de um mistério e descobrir que determinada revelação estava relacionada a uma pista apresentada no começo, da qual eu já não me lembrava absolutamente nada.

Portanto, existem duas possibilidades: ou minha memória melhorou bastante, ou Sophie Hannah realmente sabe apresentar pistas marcantes. Acredito que a segunda explicação seja a mais provável, embora a autora também utilize um recurso que contribui diretamente para isso.

Em diferentes momentos, Catchpool organiza listas e resumos sobre o que aconteceu na investigação. Esses trechos ajudam a manter os fatos frescos na memória do leitor, especialmente porque o mistério envolve muitos personagens, declarações e situações aparentemente desconectadas.

Por outro lado, esse recurso também prejudica um pouco o ritmo da narração. Além de interromper o andamento da história, ele transmite uma sensação de trapaça. Afinal, organizar as pistas e tentar encontrar conexões deveria fazer parte da experiência do leitor. Caso alguém queira criar uma lista para acompanhar o mistério, deveria fazer isso por conta própria, e não receber tudo praticamente organizado pelo narrador.

Uma trama muito bem amarrada

Essa clareza também me ajudou a perceber como a trama foi bem construída. Sophie Hannah apresenta diversas pontas ao longo da investigação e consegue explicar cada uma delas até o final. Nenhuma situação importante parece ter sido colocada no livro apenas para confundir ou desviar a atenção.

É verdade que oferecer respostas para os elementos de um mistério deveria ser o mínimo esperado de uma obra do gênero. Ainda assim, como essa história possui muitos detalhes e acontecimentos estranhos, amarrar tudo de maneira coerente foi um ótimo trabalho.

A escrita também consegue reproduzir a atmosfera de um romance policial clássico. O livro não tenta modernizar Poirot nem transformar sua investigação em algo contemporâneo. Pelo contrário, Sophie Hannah procura preservar o período, o comportamento dos personagens e a maneira teatral como o detetive conduz suas revelações.

Os Assassinatos de Kingfisher Hill - Sophie Hannah

Uma explicação difícil de aceitar

Apesar de toda a construção cuidadosa, detestei o desfecho do grande crime. Não porque ele seja incoerente ou porque contradiga as pistas apresentadas, mas porque considerei a motivação uma enorme forçação de barra.

A explicação faz sentido dentro da lógica criada pela autora. Entretanto, quando toda uma história elaborada se sustenta sobre uma base tão fraca, o resultado acaba sendo frustrante. Depois de acompanhar tantas pistas, mentiras e relações complicadas, eu esperava que a revelação tivesse uma força proporcional ao restante da trama.

Sophie Hannah e o legado de Poirot

Uma curiosidade é que Os Assassinatos de Kingfisher Hill foi o quarto romance de Hercule Poirot escrito por Sophie Hannah. Essas continuações são oficiais e produzidas com a autorização da Agatha Christie Limited, responsável por administrar o legado da autora e de seus personagens. O livro foi publicado originalmente em 2020.

Vale a pena ler Os Assassinatos de Kingfisher Hill?

Apesar do final frustrante, recomendo a leitura. Os Assassinatos de Kingfisher Hill é um livro agradável, divertido e capaz de manter a curiosidade durante boa parte da investigação.

Além disso, ele preserva aquilo que se espera de uma história de Agatha Christie protagonizada por Poirot. Sophie Hannah não tenta tornar o personagem moderno e faz o possível para que a obra realmente pareça um romance clássico da Rainha do Crime.

Portanto, não se deixe levar pelo preconceito de ver outra escritora utilizando Hercule Poirot. Evidentemente, Sophie Hannah não é Agatha Christie, mas isso não significa que suas histórias não possam oferecer bons mistérios e novos momentos ao lado de um dos detetives mais famosos da literatura.


Avaliação

Avaliação: 4 de 5.

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Os Assassinatos de Kingfisher Hill

Sophie Hannah

ISBN: 978-65-551-1930-5

2026 – HarperCollins

306 páginas

Português (Brasil)

Sinopse

Sob um verniz enganoso de perfeição, esconde-se uma rede de segredos e mentiras que ameaçam destruir a harmonia de uma família. É nesse cenário que Poirot é chamado às pressas a luxuosa região de Kingfisher Hill para solucionar um mistério perturbador ― um caso que pode levar uma mulher inocente ao cadafalso. Ele só não esperava que, no caminho, a investigação assumisse contornos ainda mais enigmáticos… e mortais.

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