Olá, Sonhadores! Eu já disse algumas vezes por aqui, mas é sempre bom repetir para o caso de quem tenha conhecido o Leitor dos Sonhos agora: eu já li todos os livros da Agatha Christie e no momento estou em um projeto (de bem longo prazo) de releitura desses livros para trazer resenhas deles aqui para o blog. A resenha de hoje é de um livro que por algum motivo não ficou na minha cabeça da primeira vez que eu li, eu não lembrava de nada da história até essa releitura. E isso é estranho porque ele é ótimo! Como raios não me marcou? Enfim, vamos falar sobre A Extravagância do Morto!
Sobre o Livro
Tudo começa neste mistério com um chamado a Poirot feito pela maluca amiga e escritora de romances policiais: Ariadne Oliver. Ela está hospedada na mansão de uma família rica no interior da Inglaterra para ajudar na organização de um festival em que ela ficou responsável de fazer uma brincadeira de “caça ao assassino”.
Nesta brincadeira, uma garota local será a vítima. Ela ficará trancada e escondida numa casa de barcos da propriedade, e através de pistas deixadas por Ariadne, os participantes dessa caçada precisam localizar o corpo e descobrir quem é o assassino. O problema é que a escritora sente que tem algo errado, que um assassinato real pode acontecer naquela festa. Ela não sabe dizer o que a faz imaginar tal coisa, nem quem seria a provável vítima, muito menos o provável assassino, mas decide chamar seu velho amigo Hercule Poirot para estar por perto durante as festividades no caso de acontecer mesmo alguma coisa. E é claro que acontece.
Essa mansão é propriedade de um homem rico chamado Sir George Stubbs. Ele se casou com Hattie, uma garota muitos anos mais jovem do que ele, o que até então nada de surpresa, mas que apesar de já ser uma mulher, é mentalmente infantil. Ela foi uma protegida adotada pela Sra. Folliat, a ex-proprietária dessa mansão, que após ter perdido o marido e os filhos precisou vender o lugar. Junto com a Srta. Brewis, a governanta, Michael Weyman, um arquiteto que está trabalhando em mudanças na propriedade, e mais alguns personagens locais que estão ajudando na organização do evento, temos nosso grupinho de suspeitos.
Porém, um novo personagem surge na história, Hattie recebe uma carta de um primo distante que ela não vê desde a adolescência. Ele está vindo para a Inglaterra para uma visita e chega no dia da festa. A mulher surta e diz que não quer encontrar esse tal primo, pois ele é mau.

Outros livros que podem te interessar:
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- Os Elefantes Não Esquecem – Agatha Christie
- Little Grey Cells – The Quotable Poirot
- O Assassinato de Roger Ackroyd – Agatha Christie
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Minha Opinião
Como sempre, Agatha Christie criando uma elaborada trama de relações que ao mesmo tempo dão pistas sobre o mistério e confundem o leitor. Como eu não lembrava de nada dessa história, para mim foi como ler pela primeira vez, e achei incrível. Foi uma trama muito bem elaborada e coerente. No meio da história ficamos meio perdidos, pois é realmente muita informação, mas no final, quando Poirot junta as peças do quebra-cabeça, a gente vê que realmente tudo faz muito sentido. Por mais ousado e maluco e tenha sido o plano do tal assassino.
Uma curiosidade, talvez o título te engane, pois ele dá a entender que o personagem que é assassinado no livro é uma pessoa extravagante, mas não tem nada a ver com isso. Extravagância (Folly no inglês) é o nome de um tipo de edificação que ganhou fama por serem sem propósito ou função prática, erguidas mais pela arte e decoração. Existe uma dessas na propriedade em que se passa a história e, por estar no título, acredito que você já tenha entendido que ela é de grande importância na trama.
Uma coisa que essa leitura me fez perceber foi como a Agatha conseguia criar situações que objetivamente tinham um significado, e que é onde a maioria das pessoas conseguem ver e interpretar, mas que, por trás, significam outras coisas, e que só conseguimos entender depois de termos acesso a determinados fatos. Eu fiquei pensando em livros policiais atuais que conseguem fazer isso, e não me veio nenhum em mente. É meio que o clichê “nem tudo é o que parece”, só que um nível acima. Não sei nem explicar direito. A mulher era realmente ardilosa!
Com certeza esse livro entrou como um dos meus favoritos da autora e não vou esquecê-lo novamente. Fica aqui mais essa grande indicação e espero que você goste! Para mais indicações de livros da Agatha e diversos outros bons escritores, não deixe de seguir o blog. Até a próxima!
Avaliação
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A Extravagância do Morto
Agatha Christie
ISBN: 978-85-209-1154-9
1956 – Nova Fronteira
236 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Recebido pela crítica do Times como um “clássico, o melhor de Agatha Christie”, A extravagância do morto é considerado exemplar na literatura policial.
Uma ‘caçada ao assassino’ é organizada por Mrs. Ariadne Oliver, romancista de renome, nos moldes de uma ‘caçada ao tesouro’. Numa pequena mesa de jogo forrada de feltro, as armas mortíferas: uma pequena pistola, um pedaço de cano de chumbo com uma sinistra mancha cor de ferrugem, uma garrafa azul com o rótulo de veneno, um pedaço de corda de varal e uma seringa hipodérmica. Há também uma lista de suspeitos e seis pistas para desvendar o mistério. E quando a última pista da ‘brincadeira’ leva à vítima, o corpo encontrado é um cadáver de verdade!