Olá, Sonhadores! Eu já conhecia Edgar Rice Burroughs por causa de seu maior sucesso, Tarzan, uma daquelas criações que ultrapassaram as páginas dos livros e se tornaram parte da cultura popular. No entanto, também sabia que o autor tinha outra série importante, embora menos comentada atualmente: a saga de John Carter em Marte. Como gosto bastante de fantasia e ficção científica, essa mistura sempre despertou minha curiosidade.
Ainda assim, demorei para comprar e finalmente começar a leitura de Uma Princesa de Marte. Talvez justamente por ser uma obra mais antiga, havia aquela dúvida sobre como a história funcionaria para um leitor de hoje. Porém, depois de adiar por um bom tempo, enfim venho trazer minha experiência com esse clássico de aventura, fantasia científica e imaginação pulp.
Uma viagem inesperada para um Marte cheio de vida
A história acompanha John Carter, um ex-soldado que, após alguns acontecimentos misteriosos, acaba sendo transportado para Marte. Porém, este não é o planeta vermelho vazio e silencioso que costumamos imaginar. Pelo contrário, Burroughs apresenta um mundo chamado Barsoom, habitado por diferentes povos, criaturas estranhas, cidades em conflito e sociedades com regras próprias.
Logo no início, a trama parece caminhar para uma aventura mais tradicional, quase no estilo de um explorador enfrentando perigos em regiões desconhecidas. Entretanto, a narrativa muda de direção quando o protagonista chega a Marte e precisa entender como sobreviver em um ambiente completamente diferente da Terra. Nesse novo planeta, John Carter descobre que possui habilidades físicas incomuns, o que o coloca em uma posição curiosa diante dos habitantes locais.
Além disso, a presença de diferentes espécies e culturas torna a leitura mais interessante. Entre guerras, alianças, disputas políticas e costumes marcantes, o leitor vai descobrindo aos poucos como Barsoom funciona. E, claro, no meio de tudo isso surge Dejah Thoris, a princesa que dá título ao livro e que se torna uma peça importante para o desenvolvimento da narrativa.
Outros livros que podem te interessar:
- Tarzan – Edgar Rice Burroughs
- O Mistério da Cruz Egípcia – Ellery Queen
- Poeira de Estrelas – Isaac Asimov
- A Cidadela do Medo – Gertrude Barrows Bennett
- No Oceano Pacífico – Karl May
O que mais me surpreendeu na leitura
Toda a história foi muito diferente do que eu imaginava. No começo, principalmente pela apresentação de John Carter, eu tinha a impressão de que o livro seguiria uma linha mais próxima de um protagonista aventureiro no maior estilo Indiana Jones. Porém, essa ideia de ele quase morrer, ou passar por uma experiência misteriosa, e depois aparecer em um Marte habitado por sociedades complexas me pegou bastante de surpresa.
Inclusive, essas sociedades são, na minha opinião, um dos grandes pontos positivos do livro. Considerando a época em que foi escrito, achei a construção de mundo extremamente criativa. Burroughs não se limita a colocar monstros e paisagens exóticas no caminho do protagonista. Ele também cria detalhes políticos, culturais e sociais para os povos de Barsoom, além de explorar a relação entre essas civilizações e a situação decadente do planeta.
Esse aspecto me surpreendeu muito, porque eu esperava uma aventura simples, mas encontrei um universo com camadas. A ideia de Marte como um mundo antigo, enfraquecido e cheio de conflitos dá uma identidade muito forte à obra. Portanto, mesmo que alguns elementos pareçam datados, ainda existe um encanto na maneira como o autor imagina esse planeta.
Clichês, romance e personagens interessantes
É claro que Uma Princesa de Marte também tem muitos clichês. A figura do herói quase invencível, os conflitos entre povos, as cenas de ação exageradas e o romance central fazem parte do pacote. E, naturalmente, não poderia faltar um caso de amor.
Confesso que achei um pouco de pataquada o protagonista se apaixonar por uma alienígena, mesmo ela sendo muito próxima de uma humana normal. Além disso, a forma como esse relacionamento se desenvolve entra em caminhos que prefiro não comentar muito para evitar spoilers. Ainda assim, dentro da proposta do livro, esse romance faz sentido para movimentar a trama.
No geral, os personagens são interessantes. Alguns poderiam ser mais profundos, mas eles acrescentam camadas ao universo e ajudam a história a avançar de forma natural. Seus conflitos, alianças e diferenças culturais fazem com que a narrativa não dependa apenas das habilidades de John Carter.

Uma escrita simples, fluida e datada
A escrita de Edgar Rice Burroughs é simples e até bastante fluida. O livro avança com facilidade, principalmente porque os capítulos costumam trazer sempre algum perigo, descoberta ou mudança de cenário. Por outro lado, é uma escrita claramente ultrapassada em alguns aspectos.
Hoje em dia, a exigência para uma boa construção literária é muito maior. O leitor atual costuma esperar mais profundidade psicológica, diálogos mais naturais e personagens com ambiguidades mais fortes. Portanto, quem começar essa leitura esperando algo moderno provavelmente vai se frustrar. Ainda assim, se a expectativa for ajustada, Uma Princesa de Marte continua sendo uma aventura agradável.
Uma curiosidade sobre a origem da série
Uma curiosidade interessante é que Uma Princesa de Marte apareceu primeiro em formato serializado, com o título Under the Moons of Mars, na revista The All-Story, em 1912. Depois, a história foi publicada em livro como A Princess of Mars, em 1917. Segundo a Encyclopaedia Britannica, o sucesso dessa publicação foi tão importante que ajudou Burroughs a se dedicar à escrita em tempo integral.
Esse detalhe mostra como John Carter teve um papel relevante na carreira do autor, mesmo que Tarzan tenha se tornado muito mais famoso.
Vale a pena ler Uma Princesa de Marte?
Eu gostei da leitura, principalmente pela surpresa de encontrar uma construção de mundo mais criativa do que eu esperava. No entanto, não acho que vou continuar a série. Entre Barsoom e Tarzan, confesso que tenho mais curiosidade por Tarzan.
Ainda assim, é uma pena que Edgar Rice Burroughs seja hoje um autor pouco lembrado pelas editoras brasileiras. Seria muito interessante ver novas edições, inclusive de títulos que nunca chegaram ao país, especialmente porque suas obras ajudam a entender uma fase importante da fantasia e da ficção científica de aventura.
Avaliação
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Uma Princesa de Marte
Edgar Rice Burroughs
ISBN: 978-85-765-7091-2
2010 – Aleph
269 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Um século após sua publicação, Uma Princesa de Marte recebe sua primeira versão brasileira do texto original que inspirou o filme John Carter, dos estúdios Disney. O capitão John Carter, combatente do exército confederado, tenta recomeçar sua vida após perder tudo o que possuia com o fim da Guerra Civil Americana. Ele só não poderia imaginar que seu caminho o levaria a terras desconhecidas em outro planeta. Apesar da aparência inóspita, Marte é repleto de vida, com uma flora peculiar e fauna diversificada, habitada por estranhas raças constantemente em guerra umas com as outras.
Capturado pelos temíveis tharks, John Carter luta por sua liberdade e busca conquistar o amor de Dejah Thoris, princesa de Helium. Numa jornada repleta de contratempos, ele se envolve em disputas entre as diversas tribos de Barsoom – como o planeta é chamado por seus habitantes –, fazendo poderosos inimigos e ganhando a confiança de importantes aliados. Em seus romances barsoomianos, do qual Uma Princesa de Marte é o primeiro livro, seguido por Os Deuses de Marte e O Comandante de Marte, Burroughs criou um herói marcante, uma cultura vasta e rica.