Olá, Sonhadores! Depois de anos tentando ler A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr, o dia finalmente chegou. Essa não foi minha primeira tentativa e nem mesmo a segunda. Nas ocasiões anteriores, a leitura simplesmente não fluiu, o que me deixou bastante receoso ao começar novamente. Inclusive, decidi que essa seria minha última chance: caso não funcionasse, abandonaria o livro definitivamente.
Felizmente, dessa vez consegui avançar e chegar ao fim. Portanto, depois de tantas idas e vindas, finalmente posso compartilhar minha experiência com uma das obras mais conhecidas da fantasia nacional.
Uma guerra que atravessa a história da humanidade
A história acompanha Ablon, um anjo que se rebelou contra as decisões tomadas pelos arcanjos no Paraíso Celeste. Ao lado de outros guerreiros, ele questionou a forma como os anjos tratavam a humanidade e, por isso, acabou expulso do céu e condenado a vagar pelo mundo dos homens.
Ao longo dos séculos, Ablon presencia diferentes períodos da história humana, enfrenta criaturas poderosas e conhece culturas que transformam sua maneira de enxergar o universo. Durante essa jornada, ele também desenvolve uma ligação especial com Shamira, uma feiticeira misteriosa que passa a ocupar um papel importante em sua trajetória.
Entretanto, enquanto o anjo renegado atravessa civilizações e conflitos, o mundo se aproxima do Apocalipse. Lúcifer prepara suas legiões para o confronto definitivo entre o Céu e o Inferno, enquanto antigas rivalidades entre os próprios anjos ameaçam determinar o destino da humanidade.
Outros livros que podem te interessar:
- O Caminho dos Reis – Brandon Sanderson
- O Filho da Luz – Christian Jacq
- Duna – Frank Herbert
- Babel – R.F. Kuang
- Magônia – Maria Dahvana Headley
Um começo que exige paciência
Confesso que o início da leitura foi bastante arrastado. Na minha percepção, Eduardo Spohr não conseguiu começar a história de maneira verdadeiramente empolgante ou instigante. Logo nas primeiras páginas, somos apresentados a muitas informações, acontecimentos e personagens que ainda não significam nada para o leitor.
Por causa disso, tive dificuldade para criar uma conexão emocional com o que estava acontecendo. Em vez de descobrir aquele universo aos poucos, senti que precisava absorver uma grande quantidade de nomes, hierarquias e conflitos antes mesmo de ter motivos para me importar com eles.
O livro já tem alguns anos e foi publicado em uma época na qual não se falava tanto sobre a importância de começar uma narrativa com um gancho imediato. Ainda assim, acredito que essas informações poderiam ter sido apresentadas de maneira mais orgânica. Felizmente, depois que a história encontra seu caminho, principalmente da metade em diante, a leitura se torna muito mais fluida.
Uma mitologia grandiosa — talvez até demais
A proposta de A Batalha do Apocalipse é extremamente criativa e original. Eduardo Spohr utiliza elementos da tradição cristã como base, mas amplia esse universo ao incorporar personagens, lendas, culturas e acontecimentos de diferentes partes da história humana.
Por um lado, essa combinação torna o mundo do livro grandioso. A sensação é de acompanhar uma guerra cósmica que influencia diferentes povos e períodos históricos. Além disso, o autor procura criar explicações para que todos esses elementos coexistam de forma coerente dentro de uma mesma mitologia.
Por outro lado, em alguns momentos, essa mistura beira o exagero. Mesmo com as justificativas apresentadas, tive a impressão de que culturas e mitos demais foram colocados dentro da mesma narrativa. Consequentemente, certas passagens parecem uma grande mistureba que poderia ter sido reduzida sem prejudicar a história.
Ainda assim, existem momentos épicos, batalhas interessantes e personagens que despertam curiosidade. O universo apresentado é elaborado, possui regras próprias e demonstra que o autor dedicou bastante tempo ao planejamento da obra.

Uma boa história que precisava de mais lapidação
De forma geral, não considero que tenha sido uma leitura ruim. No entanto, depois de tantos anos ouvindo falar sobre o livro e sobre sua importância para a fantasia brasileira, terminei um pouco decepcionado.
A narrativa tem qualidade, é ambiciosa e consegue manter a coerência mesmo trabalhando com uma quantidade enorme de personagens e acontecimentos. Porém, acredito que faltou um pouco mais de lapidação, tanto na maneira como certas informações são apresentadas quanto no ritmo de algumas partes.
Curiosamente, tive uma sensação parecida com a que experimentei ao ler o primeiro volume da série Ramsés, de Christian Jacq. Nos dois casos, reconheci o potencial da história e gostei de vários elementos, mas senti que a execução ainda precisava amadurecer para alcançar tudo o que a proposta prometia.
Das primeiras cem cópias ao sucesso nacional
Uma curiosidade interessante é que a trajetória de A Batalha do Apocalipse começou de maneira bastante modesta. Eduardo Spohr recebeu cem exemplares do livro depois de participar de um concurso promovido pela Fábrica de Livros do Senai. Essas primeiras cópias começaram a ser vendidas pela NerdStore em 28 de setembro de 2007.
O sucesso entre o público do site Jovem Nerd ajudou o livro a conquistar milhares de leitores antes mesmo de receber o apoio de uma grande editora. Posteriormente, a obra chegou às livrarias pela Verus e se transformou em um dos grandes fenômenos recentes da literatura fantástica brasileira. Essa trajetória torna o livro ainda mais significativo para quem acompanha a produção nacional.
Vale a pena ler A Batalha do Apocalipse?
Eu recomendo a leitura, embora faça uma ressalva: A Batalha do Apocalipse pode parecer mais truncado quando comparado a outras fantasias contemporâneas, principalmente em seu início. Portanto, é necessário ter um pouco de paciência até que a história ganhe ritmo.
Apesar das minhas críticas, é impossível ignorar a criatividade, a ambição e a importância da obra. Como livro nacional que conquistou tantos leitores e abriu espaço para novas histórias de fantasia no Brasil, ele merece reconhecimento. Mesmo não tendo correspondido completamente às minhas expectativas, fico muito orgulhoso ao ver uma produção brasileira alcançar tamanha repercussão.
Avaliação
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A Batalha do Apocalipse
Eduardo Spohr
ISBN: 978-85-768-6076-1
2011 – Verus
586 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o dia do Juízo Final.
Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas, o dia do despertar do Altíssimo. Único sobrevivente do expurgo, o líder dos renegados é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na batalha do Armagedon, o embate final entre o Céu e o Inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro do universo.
Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano; das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval. A Batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana, mas é também uma jornada de conhecimento, um épico empolgante, cheio de lutas heróicas, magia, romance e suspense.