Olá, Sonhadores! Quem acompanha o blog sabe que eu adoro uma boa fantasia. Sempre que possível, dou uma chance para autores que ainda não conheço, na esperança de encontrar novos mundos fascinantes e personagens memoráveis. Magonía, de Maria Dahvana Headley, foi uma dessas apostas. Publicado originalmente em 2015, o livro chegou ao Brasil com a promessa de misturar fantasia e realidade de uma forma única, mas, infelizmente, a experiência ficou muito abaixo do esperado.
Navios no Céu e Uma Doença Misteriosa
A história gira em torno de Aza Ray, uma adolescente com uma condição respiratória extremamente rara e inexplicável, que a acompanha desde o nascimento. Os médicos nunca conseguiram entender como ela sobreviveu por tanto tempo, e sua vida é marcada por internações, limitações e incertezas. Um dia, Aza avista um navio flutuando no céu. Embora pareça um delírio causado por sua saúde debilitada, esse momento marca o início de uma transformação drástica em sua vida, tanto física quanto existencial.
O livro é o primeiro volume de uma série (cuja continuação sequer foi publicada no Brasil), e propõe uma dualidade entre o mundo real e o fantástico. Enquanto na Terra seguimos os dilemas adolescentes da protagonista, nos céus existe o reino de Magonía, uma sociedade composta por seres que misturam características humanas e aviárias, que no passado mantinham uma relação com os humanos, até que uma traição causou o rompimento dos laços entre os dois mundos.
Outros livros que podem te interessar:
- As Quatro Rainhas Mortas – Astrid Scholte
- O Castelo Animado – Diana Wynne Jones
- Warbreaker – Brandon Sanderson
- A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil – Becky Chambers
- Sombra e Ossos – Leigh Bardugo
Uma Boa Ideia Mal Executada
Magonía surgiu em uma época em que livros adolescentes com personagens doentes estavam em alta — como A Culpa é das Estrelas, por exemplo. A autora teve uma ideia até criativa ao misturar esse tipo de narrativa com elementos de fantasia, mas, na prática, o resultado não funcionou para mim. Confesso que esse subgênero de “romance adolescente com doença terminal” nunca me agradou, e continuo sem entender como tanta gente consegue gostar de histórias que giram em torno de sofrimento físico e emocional desde a primeira página.
Ainda assim, o que me manteve curioso na leitura foi a promessa da parte fantástica. A ideia de uma civilização nos céus, com navios voadores e humanos-aves, poderia render um universo rico e envolvente. No entanto, o mundo de Magonía é extremamente mal explorado. A autora joga conceitos e descrições confusas ao leitor, que parecem inventados no calor do momento e não fazem muito sentido. Faltam regras claras, estrutura política, cultura… tudo parece existir “porque sim”, sem profundidade.
Um Começo Promissor Que Se Perde no Caminho
A primeira metade do livro é quase inteiramente dedicada à vida de Aza na Terra, seu sofrimento com a doença e a relação com o amigo (e par romântico) Jason. São muitas páginas dedicadas a construir esse drama — e isso se torna cansativo. Quando finalmente a protagonista chega a Magonía, a história muda abruptamente de tom. Aza se transforma de maneira tão brusca que parece outra personagem. Toda a fragilidade emocional e física que foi construída desaparece da noite para o dia, sem uma transição convincente. É como se a autora tivesse escrito dois livros diferentes e costurado mal as pontas.

Uma Fantasia Rasa e Esquecível
O que poderia ser um universo instigante, com elementos originais e metáforas poéticas (afinal, navios no céu têm um certo charme literário), se transforma em um emaranhado confuso e raso. O livro entrega muito pouco da mitologia de Magonía, e os personagens secundários mal têm tempo para se desenvolver. A própria narrativa soa apressada depois do ponto de virada, como se a autora quisesse chegar logo a algum clímax, que também não é memorável.
Uma Leitura Que Não Empolga
Infelizmente, Magonía foi uma leitura frustrante. Tinha potencial, mas escorregou em quase todos os pontos: excesso de melodrama, universo mal construído e ritmo desequilibrado. Não me surpreende que a continuação nunca tenha sido publicada no Brasil, a história não se sustenta nem como volume único. Se você busca uma fantasia jovem-adulta envolvente, com mundos bem estruturados e personagens cativantes, há opções muito melhores no mercado.
Apesar do esforço da autora em tentar misturar gêneros e criar algo diferente, Magonía ficou no meio do caminho. Não recomendo a leitura, a não ser que você esteja muito curioso sobre esse universo e mesmo assim, vá com expectativas bem ajustadas.
Avaliação
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Magônia
Maria Dahvana Headley
ISBN: 978-85-011-0588-2
2016 – Record
308 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Uma fantasia original com ótimos personagens, complexidade emocional e um universo fantástico. Aza Ray nasceu com uma estranha doença incurável que faz com que o ato de respirar se torne mais difícil. Aos médicos só resta prescrever medicamentos fortes na esperança de mantê-la viva. Quando Aza vê um misterioso navio no céu, sua família acredita que são alucinações provocadas pelos efeitos do medicamento. Mas ela sabe que não está vendo coisas, escutou alguém chamar seu nome lá de cima, nas nuvens, onde existe uma terra mágica de navios voadores e onde Aza não é mais a frágil garota enferma. Em ”Magônia”, ela não só pode respirar como cantar. Suas canções têm poderes transformadores e, através delas, Aza pode mudar o mundo abaixo das nuvens. Em uma brilhante e sensível estreia no gênero young adult, Maria Dahvana Headley constrói uma fantasia rica em nuances e cheia de simbolismo.