Olá, Sonhadores! Depois de ler A Princesa Salva a Si Mesma Neste Livro por pura curiosidade, aproveitei que havia comprado o volume seguinte da série — A Bruxa Não Vai Para a Fogueira Neste Livro — e resolvi dar continuidade à leitura. Mesmo que poesia não seja exatamente meu gênero favorito, achei válido mergulhar nessa experiência, até para entender melhor o fenômeno em torno das obras de Amanda Lovelace.
Assim como no primeiro livro, Lovelace mantém o estilo de versos livres, curtos e intensamente pessoais, explorando temas como dor, resistência, empoderamento e autodefesa feminina. Dessa vez, porém, a figura da princesa dá lugar à bruxa — símbolo histórico de mulheres fortes, independentes e, muitas vezes, condenadas justamente por não se submeterem às normas impostas. O título já antecipa a postura combativa da obra: essa bruxa resiste, fala, denuncia, e, acima de tudo, se recusa a ser silenciada.
A autora claramente quis aproveitar o sucesso do primeiro livro para lançar uma sequência que segue a mesma fórmula — e, sinceramente, acho que ela foi bastante estratégica nisso. A ideia de trabalhar figuras femininas tradicionais sob uma nova ótica, alinhada ao movimento feminista atual, é interessante e impactante. Não digo isso de forma negativa; pelo contrário, há mérito em saber dialogar com as demandas e sentimentos da época.
Outros livros que podem te interessar:
- Voa, Cara! Voa! – Márcia Fernandes
- A Última Coisa Que Ele Me Falou – Laura Dave
- O Fardo – Mary Westmacott
- Cores Vivas – Patrice Lawrence
- Uma Breve História dos Tratores em Ucraniano – Marina Lewycka
No entanto, mais uma vez, não consegui me conectar de verdade com a poesia. Não acho que seja um problema da autora, e sim uma questão de afinidade pessoal. A linguagem poética de Lovelace é acessível e direta, o que pode funcionar bem para leitores que estão começando a explorar o gênero. Mas, para mim, faltou algo que me prendesse emocionalmente.
Decidi trazer essa resenha — assim como a do livro anterior — mesmo depois de bastante tempo que os li, porque este blog também é um espaço para registrar minha jornada como leitor. Nem toda leitura precisa ser arrebatadora para ser válida. A Bruxa Não Vai Para a Fogueira Neste Livro talvez não tenha me marcado profundamente, mas representa mais um capítulo da minha experiência literária.
Se você busca uma leitura rápida, com forte apelo feminista e uma abordagem direta de temas como machismo, autovalorização e força feminina, vale a pena conhecer o trabalho de Amanda Lovelace. Talvez você se conecte de um jeito que eu não consegui.
Avaliação
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A Bruxa Não Vai para a Fogueira Neste Livro
Amanda Lovelace
ISBN: 978-85-441-0701-0
2018 – Leya
208 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Aqueles que consideram “bruxa” um xingamento não poderiam estar mais enganados: bruxas são mulheres capazes de incendiar o mundo ao seu redor. Resgatando essa imagem ancestral da figura feminina naturalmente poderosa, independente e, agora, indestrutível, Amanda Lovelace aprofunda a combinação de contundência e lirismo que arrebatou leitores e marcou sua obra de estreia, “A princesa salva a si mesma neste livro”, cujos poemas se dedicavam principalmente a temas como relacionamentos abusivos, crescimento pessoal e autoestima. Agora, em “A bruxa não vai para a fogueira neste livro”, ela conclama a união das mulheres contra as mais variadas formas de violência e opressão. Ao lado de Rupi Kaur, de “Outros jeitos de usar a boca” e “O que o sol faz com as flores”, Amanda é hoje um dos grandes nomes da nova poesia que surgiu nas redes sociais e, com linguagem direta e temática contemporânea, ganhou as ruas. Seu “A bruxa não vai para a fogueira neste livro” é mais do que uma obra escrita por uma mulher, sobre mulheres e para mulheres: trata-se de uma mensagem de ser humano para ser humano – um tijolo na construção de um mundo mais justo e igualitário.