Olá, Sonhadores! Após várias leituras densas e mais “cabeça”, decidi fazer uma pausa e buscar algo leve, divertido e que me fizesse rir de verdade. Foi assim que cheguei ao livro Gay de Família, de Felipe Fagundes, influenciado pelo meu namorado, que já havia lido e garantiu que era hilário. E ele estava certo: poucas vezes ri tanto com um livro, e ao mesmo tempo me emocionei com a delicadeza com que o autor trata temas tão importantes.
Um Enredo Divertido Com Uma Carga Emocional Surpreendente
Gay de Família acompanha a história de Diego, um homem gay, solteiro, com um passado familiar complicado e pouco contato com crianças. A trama se desenrola a partir de um acontecimento inesperado: Diego precisa cuidar dos três sobrinhos por um final de semana. As crianças, filhas do seu irmão Diogo, variam entre 5 e 10 anos de idade, cada uma com uma personalidade marcante e fonte constante de caos e gargalhadas.
O que começa como uma situação completamente fora da zona de conforto de Diego, rapidamente se transforma em um processo de autodescoberta, reconexão familiar e amadurecimento. Embora o foco da narrativa seja o humor, o livro trata com muita sensibilidade a reconstrução de laços, os traumas da infância e a importância de encontrarmos afeto onde menos esperamos.
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Crianças, Caos e Autoconhecimento
As crianças são o grande motor da história. São elas que forçam Diego a lidar com questões que ele evitava há anos. Cada uma tem uma voz muito própria, com tiradas engraçadíssimas, mas também momentos de ternura inesperados. Como alguém que também não tem muito jeito com crianças e que tem um sobrinho pequeno, me peguei refletindo sobre como subestimamos a complexidade e a sensibilidade dos pequenos. Gay de Família me fez ver esse universo com outros olhos e talvez até com mais empatia.
Além disso, há um pano de fundo muito tocante relacionado à própria infância de Diego. Os atritos familiares, a ausência de aceitação, e as mágoas que se acumulam com o tempo são tratados de maneira realista, mas sem pesar. O autor acerta ao usar o humor para suavizar temas que, de outra forma, poderiam ser dolorosos demais. Essa abordagem torna a história ainda mais acessível e potente.
A Força da Amizade na Vida LGBTQIA+
Outro ponto alto do livro é a relação de Diego com seus amigos. Mesmo impedido de viajar com eles devido à nova responsabilidade com os sobrinhos, os amigos permanecem muito presentes na trama. Eles não são apenas coadjuvantes: são parte essencial da identidade de Diego e ajudam o leitor a entendê-lo melhor.
Esses personagens trazem ainda mais humor e carisma ao enredo. A amizade aqui funciona como um contraponto saudável à relação conturbada com a família de sangue, reforçando a ideia de que também podemos formar famílias afetivas — algo muito verdadeiro para a comunidade LGBTQIA+.

Humor de Qualidade e Cenas Inesquecíveis
Felipe Fagundes tem um timing cômico excelente. Algumas cenas são dignas de roteiros de comédia. Uma das minhas favoritas é quando Diego compara o momento de levar a amiga com sua bagagem até a porta como se fosse uma eliminação do Big Brother Brasil. Outra cena impagável é quando Ester, uma das crianças, é esquecida dentro do táxi, o desespero e a confusão são descritos de forma hilária e muito visual. O autor sabe exatamente como construir situações absurdas, mas críveis, que provocam riso genuíno.
Esse tipo de humor, mais elaborado e menos forçado, é raro. E é o que transforma Gay de Família em algo mais do que apenas um livro “engraçado”. Ele é bem escrito, bem estruturado e oferece ao leitor uma leitura leve, mas que deixa marcas.
Uma Leitura Leve e Inesquecível
Nem todo livro precisa ser uma obra-prima da literatura para ser significativo. Gay de Família é um exemplo claro disso. Ele não tenta reinventar a roda, mas entrega exatamente o que promete: risadas, afeto, identificação e reflexão. Trata-se de uma história com muito coração, que representa vivências reais, comuns, mas pouco representadas na literatura nacional com esse tom descontraído.
Como leitor gay, me senti tocado em vários momentos. Apesar de não ter uma história familiar parecida com a de Diego, reconheci traços, inseguranças e desejos compartilhados. É um livro que conversa diretamente com quem faz parte da comunidade, mas que também pode ser lido por qualquer pessoa com empatia e vontade de rir (e talvez de repensar alguns julgamentos).
Gay de Família, de Felipe Fagundes, é uma leitura que aquece o coração e faz o leitor gargalhar com situações absurdas, mas muito humanas. Para quem busca um livro divertido, bem escrito e que ainda consegue abordar temas importantes com leveza, essa é uma escolha certeira.
Vale a pena conhecer Diego, seus sobrinhos caóticos e seus amigos hilários. Essa leitura me deu exatamente o respiro que eu precisava — e talvez faça o mesmo por você.
Avaliação
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Gay de Família
Felipe Fagundes
ISBN: 978-85-843-9279-7
2022 – Paralela
272 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Diego espera tudo de ruim dos próprios parentes, mas tudo mesmo. Que o pai tenha uma segunda família. Que a mãe comande um esquema de tráfico humano. Que o irmão lave dinheiro. Por serem versados em todos os crimes do manual da família tóxica, Diego decidiu ser gay bem longe deles. E tudo vai muitíssimo bem, obrigado.
Porém, às vésperas de uma viagem aguardadíssima com amigos, seu irmão aparece implorando por um favor: que Diego seja babá dos três sobrinhos por um final de semana, crianças com as quais ele nunca conviveu. De olho na grana que o irmão promete pagar e acreditando piamente no seu potencial como tio, ele aceita a proposta sem imaginar que os pequenos são, no mínimo, peculiares.
O que a princípio parece moleza, mesmo envolvendo uma gata demoníaca, um amigo imaginário e um porteiro potencialmente sádico, acaba se revelando um desafio quando Diego percebe que terá que revirar seus sentimentos e provar que pode dar conta do recado, sem perder o rebolado que apenas um tio gay é capaz de manter.
Gente, eu comprei esse livro e nunca li. Gostei do texto, comprei em uma promoção, mas acabei esquecendo da existência.