Olá, Sonhadores! Eu gosto de abrir espaço no blog para falar de leituras de autores nacionais independentes porque eu sempre acabo me deparando com escritores muito talentosos e com histórias muito interessantes e originais. A resenha de hoje é de um livro desses e gostaria de compartilhar minha experiência com vocês.
“A verdade é que, a única pessoa que entende minha inquietação, sou eu mesmo.”
Sobre o Livro
O livro conta a história de Elvis, um adolescente cheio de questões mal resolvidas e com uma grande dificuldade de se encaixar no mundo. Assim que começamos a leitura, descobrimos que ele acabou de perder a pessoa mais importante da sua vida, o homem que mais admirava e que, mais do que qualquer outro, o entendia: seu avô. E o avô de Elvis não era qualquer pessoa, era ninguém menos do que J. D. Salinger, autor do clássico “O Apanhador no Campo de Centeio”.
A história narra os dias de luto após a morte de Salinger, enquanto a família espera a chegada de todos os seus membros para o funeral. Elvis, sem saber como lidar com a espera, passa os dias circulando pela cidade. O garoto vai atrás de pessoas e lugares que talvez consigam ajudá-lo a superar essa perda ou, pelo menos, distraí-lo. Porém, nessa jornada, Elvis passa por situações complicadas. Problemas que ele mesmo arranja, feridas que ele fica cutucando, mas também encrencas que ele cai de paraquedas. Mas essas situações vão não somente ajudá-lo a passar pelo luto, mas também a amadurecer como homem.

Outros livros que podem te interessar:
- Garra de Campeão – Marcos Rey
- Cabra das Rocas – Homero Homem
- O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald
- O Sol é Para Todos – Harper Lee
- O Memorial do Desterro – Mauro Maciel
Minha Opinião
Este livro é diretamente inspirado na obra de Salinger, não somente como pano de fundo, mas como estilo, tanto de enredo quanto de escrita. Eu ainda não li O Apanhador no Campo de Centeio, mas uma hora ou outra esse dia vai chegar, e essa leitura só fez esse dia ficar mais perto.
Tenho que admitir que no começo fiquei com receio de não gostar da leitura por não conseguir me conectar com o personagem. Elvis é o tipo de adolescente oposto ao que eu fui, tanto em personalidade quanto em atitude. Mas no final eu percebi que nem sempre é necessária essa identificação, o importante foi o personagem ter me conquistado do jeito que ele é. É muito fácil ser empático com pessoas agradáveis, mas e quando os problemas a tornam ariscas, defensivas e facilmente irritáveis?
O livro me trouxe essa reflexão e muitas outras. Eu, felizmente, ainda não passei por um processo de luto de alguém próximo. Sempre me perguntei como eu lidaria com isso. Eu me considero emocionalmente forte, mas esse é o tipo de coisa que só dá pra saber quando acontece.
Outros temas que o autor aborda no livro são mais secundários, mas bem marcantes. Elvis tem o clássico conflito interno com a virgindade. Sua ousadia ao se envolver com mulheres sempre vai até certo ponto onde ele não consegue lidar. Ele também tem muita dificuldade em entender o defeito dos outros e isso afeta ele de uma maneira totalmente irracional. Para quem estuda ou trabalha com psicologia, tem questões aqui pra dar e vender!
Mas o que mais me pegou nisso tudo é que ninguém em volta do garoto parece ter a capacidade de realmente ajudá-lo. Não me surpreende ele se sentir incompreendido e ter tantos problemas. Até mesmo uma terapeuta que parecia chegar como uma solução só acaba criando um trauma a mais para o garoto. Esse tipo de coisa sempre me leva a pensar que a sociedade entrou em um ciclo vicioso em que os mais velhos não conseguiram lidar com as próprias questões e assim não conseguiram ajudar os mais novos. E a cada geração a coisa só vai ladeira abaixo.
Agora falando um pouco sobre a escrita do autor, gosto sempre de destacar quando um livro é bem escrito e faz com que a leitura seja fluida. Minha única crítica neste ponto é que em certos momentos o protagonista tem cacoetes demais. Ele é quem narra em primeira pessoa, e para a consistência da narração ele tem o seu estilo de falar, o que é normal, mas acredito que só poderia ser melhor dosado.
Para quem já leu a obra de Salinger, ou qualquer outro livro cujo foco é o processo de amadurecimento da juventude, esse livro é uma excelente recomendação!
“Pensei no que o vô diria para eu fazer caso conseguisse falar com ele uma última vez. É sempre assim quando uma pessoa querida nos deixa, estamos sempre querendo falar com ela mais uma vez.”
Avaliação
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Adeus, Salinger
John Greenberg
2024
299 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Depois da morte do seu avô J.D. Salinger, Elvis evita, a todo custo, pedir ajuda à psicóloga da escola.
Com o atraso dos familiares para o funeral, em razão de uma crise nos aeroportos, o jovem decide embarcar numa aventura e refazer os passos do avô, vagando sem rumo pela cidade, até que todos estejam reunidos para o enterro.
Seus dias serão marcados, não só por encontros confusos e dramáticos, mas, também, por lembranças empolgantes sobre o avô.
Um romance que provoca um turbilhão de emoções e estimula a jovialidade do leitor. Narrado através da voz desse adolescente rebelde e incorrigível, com frases lapidares e humor singular.