Olá, Sonhadores! Depois de muito tempo, finalmente estou de volta às leituras de Duna! Com Imperador Deus de Duna, quarto livro da série de Frank Herbert, entramos no que podemos considerar uma nova fase desse universo. Afinal, milhares de anos se passaram desde os acontecimentos de Filhos de Duna, e Leto II, filho de Paul Atreides, agora governa a humanidade como um Imperador-Deus, e já não é exatamente humano.
Desde que terminei o livro anterior, essa transformação despertou muito a minha curiosidade. A sinopse de Imperador Deus de Duna apenas aumentou meu interesse, principalmente porque queria descobrir como Frank Herbert trabalharia um personagem que se tornou uma criatura parte humana e parte verme da areia. Além das tecnologias que parecem mágicas, temos personagens capazes de acessar memórias ancestrais e enxergar possibilidades do futuro. Portanto, as possibilidades desse universo parecem praticamente infinitas.
Três mil anos depois, Duna é outro universo
A história acontece cerca de três mil anos após os acontecimentos do livro anterior. Durante todo esse período, Leto II governou a humanidade e transformou completamente a sociedade. Arrakis, por exemplo, já não é aquele imenso planeta desértico que conhecemos no início da série.
Além disso, o Imperador controla praticamente toda a produção de especiaria e, consequentemente, mantém sob seu domínio algumas das organizações mais poderosas desse universo. Bene Gesserit, Ixianos, Tleilaxu e outras forças continuam tentando encontrar maneiras de superar Leto II. Entretanto, depois de milhares de anos, nenhuma delas conseguiu realmente escapar de sua influência.
Enquanto isso, quase todos os personagens que conhecíamos desapareceram com a passagem do tempo. As grandes exceções são o próprio Leto e Duncan Idaho, que continua retornando por meio de sucessivos gholas. Entre os novos personagens, porém, quem mais se destaca é Siona, uma jovem rebelde determinada a acabar com o reinado do Imperador. Curiosamente, o próprio Leto participou de alguma forma da criação das condições que fizeram dela justamente essa pessoa.
Um livro muito mais interessado em ideias do que em acontecimentos
É importante saber que Imperador Deus de Duna é um livro longo, denso e com poucos acontecimentos quando comparado a outros volumes da série. O verdadeiro foco está nas ideias.
Praticamente todas as conversas apresentam alguma reflexão política, social, religiosa ou antropológica. É claro que isso não representa exatamente uma novidade para quem chegou até aqui. Desde o primeiro Duna, Frank Herbert utiliza esse universo para discutir poder, religião, liderança e comportamento humano. Entretanto, neste volume, essas questões ganham ainda mais espaço.
A diferença é que acompanhamos tudo pelo ponto de vista de alguém que acredita estar conduzindo a humanidade em direção a um futuro melhor, mesmo utilizando métodos extremamente questionáveis para chegar lá.
Outros livros que podem te interessar:
- Duna – Frank Herbert
- Messias de Duna – Frank Herbert
- Filhos de Duna – Frank Herbert
- Os Robôs da Alvorada – Isaac Asimov
- Eu, Robô – Isaac Asimov
Leto II é um dos personagens mais complexos da série
Justamente por isso, achei Leto II fascinante como uma espécie de protagonista anti-herói. Durante boa parte da leitura, é difícil decidir exatamente como devemos enxergá-lo. Ele está salvando a humanidade ou apenas justificando uma tirania? Suas decisões realmente são necessárias ou ele simplesmente acredita demais na própria capacidade de enxergar aquilo que ninguém mais consegue?
O mais interessante é que os próprios personagens ao redor dele levantam essas questões. Mesmo aqueles que demonstram lealdade ao Imperador frequentemente contestam suas decisões. Leto, por sua vez, não tenta simplesmente impedir esses questionamentos. Pelo contrário, muitas vezes ele participa das discussões, explica seu raciocínio e desafia seus interlocutores a compreenderem suas motivações.
Consequentemente, o leitor também acaba envolvido nesses debates. Frank Herbert não entrega respostas simples e, justamente por isso, torna Leto tão difícil de julgar.
Quando a ficção científica vira filosofia
A escrita de Frank Herbert continua exigindo bastante atenção. Neste livro, talvez até mais do que nos anteriores. Quem espera grandes batalhas, conspirações acontecendo a todo momento ou uma narrativa cheia de reviravoltas pode estranhar o ritmo.
Por outro lado, quem gosta do lado filosófico de Duna encontrará aqui material de sobra. Herbert parece muito mais interessado em discutir o que acontece quando uma única pessoa controla o destino da humanidade durante milhares de anos do que simplesmente contar uma aventura nesse universo.
Inclusive, o gigantesco salto temporal é uma das características mais interessantes de Imperador Deus de Duna. Poucas séries têm a oportunidade de mostrar as consequências de seus acontecimentos milhares de anos depois. Aqui, não acompanhamos apenas novos personagens, mas também observamos como religiões, organizações, culturas e até o próprio planeta Arrakis foram transformados pelo tempo.
Vale a pena continuar lendo Duna?
Eu poderia passar horas falando sobre cada ideia apresentada neste livro. Se entrasse profundamente em todas as questões políticas, religiosas e sociais levantadas por Frank Herbert, provavelmente esta resenha ficaria enorme.
No entanto, o que mais importa é que Imperador Deus de Duna foi uma leitura muito interessante. É um livro diferente, extremamente filosófico e que exige paciência, mas também apresenta uma das propostas mais fascinantes da série até agora.
Depois de quatro livros, Duna continua conseguindo transformar completamente seu próprio universo sem perder aquilo que torna a obra de Frank Herbert tão interessante. E, depois dessa experiência, certamente quero continuar acompanhando a série para descobrir quais serão as consequências do longo reinado de Leto II.
Avaliação
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Imperador Deus de Duna
Frank Herbert
ISBN: 978-85-765-7262-6
2017 – Aleph
512 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Milênios se passaram em Arrakis desde os eventos narrados em Duna, e o planeta, que antes era desértico, agora está verdejante e vigoroso. O Imperador Deus de Duna, que garantiu uma paz forçada em todos os planetas, consegue entender o futuro, e sabe, com uma terrível certeza, que sua raça será extinta a menos que ele crie novas qualidades para a espécie. As regras do Imperador não são benevolentes. Sua transformação não deixou apenas sua aparência desumana, mas também seu senso de moral. Nasce então uma rebelião para se opor ao déspota, liderada por Siona, da família Atreides. Mas Siona não sabe que a visão do Imperador para o Caminho Dourado exige que ela aceite um destino que nunca quis ou que algum dia poderia conceber. Narrado sob uma ótica particular, Imperador Deus de Duna inicia um novo arco de história na saga. Neste quarto volume, Frank Herbert apresenta um de seus personagens mais marcantes e discute temas como política, religião, amor e os rumos tomados pela sociedade.