Olá, Sonhadores! Chegamos ao último capítulo da saga Ramsés. Em Sob a Acácia do Ocidente, quinto volume da série escrita por Christian Jacq, acompanhamos o encerramento da jornada de Ramsés e de todos os personagens que fizeram parte dessa longa narrativa. O próprio título do livro já sugere um desfecho simbólico e inevitável, algo que se confirma ao longo da leitura e ganha um significado ainda mais forte nas páginas finais.
Depois de quatro volumes repletos de conflitos políticos, batalhas e conspirações, este último livro assume uma função diferente dentro da série: dar conclusão às histórias que acompanharam o reinado do faraó.
Um novo cenário após o tratado de paz
No volume anterior, grande parte dos conflitos principais havia sido resolvida. Isso naturalmente levantava uma questão: qual seria o papel do último livro? A solução encontrada pelo autor foi abrir novas tramas menores para conduzir cada personagem ao seu desfecho.
Embora essa estrutura pudesse parecer rígida ou previsível, o resultado funciona bem. Christian Jacq conduz essas subtramas de maneira fluida, mantendo o ritmo da narrativa e garantindo que cada arco tenha um encerramento coerente.
Anos se passaram desde o famoso tratado de paz entre o Egito e o reino hitita. Mesmo assim, novos desafios surgem quando o imperador Hattusili propõe que Ramsés se case com sua filha como forma de selar definitivamente a aliança entre os dois povos.
O problema é que, após a morte de Nefertari, Ramsés se casou com Iset, conhecida na narrativa como Iset, a Bela, tornando-a a nova rainha do Egito. Aceitar a proposta hitita significaria reduzir Iset à posição de esposa secundária, algo que a honra do faraó não permitiria.
Diante desse impasse diplomático, Ramsés recorre mais uma vez ao seu amigo e diplomata mais habilidoso: Acha, que parte para o reino hitita em uma missão que pode ser sua última antes da aposentadoria.
Outros livros que podem te interessar:
- Segredos do Egito – Cassia Chicolet
- O Livro dos Mortos do Antigo Egito – E. A. Wallis Budge
- O Filho da Luz – Christian Jacq
- O Templo de Milhões de Anos – Christian Jacq
- A Batalha de Kadesh – Christian Jacq
Conspirações e ameaças ao faraó
Enquanto a diplomacia tenta evitar novos conflitos, outras ameaças continuam a se formar nos bastidores. Ameni, fiel administrador do faraó durante toda a série, vê sua lealdade ser colocada à prova quando surgem rumores que mancham seu nome.
Ao mesmo tempo, Uri-Techup, o príncipe hitita exilado no Egito desde a ascensão de Hattusili, continua nutrindo seu desejo de vingança contra Ramsés. Ele começa a reunir aliados em segredo, alimentando uma conspiração que pode colocar em risco a estabilidade do reino.
Mesmo com toda a discrição do ex-príncipe, Serramanna permanece desconfiado. Experiente e atento, ele nunca acreditou que Uri-Techup realmente tivesse abandonado seus planos e continua observando seus movimentos com cautela.
A situação na Núbia
Outro núcleo importante da narrativa se desenvolve na Núbia. Setaou e Lótus, que permaneceram na região, conquistaram aos poucos a confiança da população local. Esse crescimento de influência gera insegurança no vice-rei da Núbia, que passa a temer perder poder político. Naturalmente, ele não está disposto a aceitar essa situação passivamente.
Esse conflito regional acrescenta mais uma camada de tensão à história, mostrando como o vasto império egípcio precisa lidar com desafios em diferentes fronteiras.
A nova geração e a sucessão do trono
Um dos temas centrais deste volume é a sucessão de Ramsés. Agora já mais velho, o faraó começa a perceber sinais de que sua saúde está se deteriorando. Diante disso, surge a necessidade de escolher quem herdará o trono do Egito.
Os três filhos que ganham destaque na narrativa seguiram caminhos bastante diferentes. Kha, o primogênito, tornou-se um sacerdote respeitado. Já Merneptah construiu uma carreira militar sólida e conquistou reconhecimento dentro do exército. Por fim, Meritamon optou por uma vida mais espiritual, dedicando-se à música e ao culto religioso em um templo, exatamente o tipo de existência que Nefertari imaginava para si antes de conhecer Ramsés.
Essa diversidade de trajetórias torna a escolha do sucessor ainda mais complexa e adiciona um tom melancólico ao envelhecimento do faraó.

O encerramento de cada personagem
Um dos maiores méritos de Sob a Acácia do Ocidente é a forma como cada personagem recebe um desfecho. Literalmente todos os nomes importantes da série têm seus destinos definidos, seja de maneira heroica, trágica ou simplesmente natural.
Gostei muito de como o autor conduziu esses encerramentos. Nenhum deles parece apressado ou artificial. Pelo contrário, cada conclusão reflete o percurso que o personagem trilhou ao longo da saga.
O final de Ramsés, em particular, é extremamente tocante. O significado do título do livro se revela nesse momento e remete diretamente a um dos temas que apareceram logo no primeiro volume: a amizade entre Ramsés e seus companheiros mais próximos. Esse elemento, presente desde o início da série, retorna com força nas páginas finais e dá ao desfecho um tom emocional muito marcante
História, ficção e o fascínio pelo Egito Antigo
Embora a série Ramsés seja inspirada em acontecimentos históricos, ela não pretende ser um retrato fiel da história. Christian Jacq mistura fatos reais com elementos ficcionais para construir uma narrativa mais dramática e envolvente.
Ainda assim, o profundo conhecimento do autor sobre o Egito Antigo faz com que tudo pareça extremamente verossímil. Até mesmo os momentos que envolvem magia se encaixam de forma natural dentro da mentalidade religiosa daquela civilização.
Outro ponto positivo é o equilíbrio entre ficção e informação histórica. Em nenhum momento o autor se torna excessivamente didático ou pesado, algo que certamente também se deve ao bom trabalho editorial na construção da narrativa.
Vale a pena ler a série Ramsés?
Sem dúvida. Para quem gosta do Egito Antigo, intrigas políticas, disputas de poder e histórias épicas, a série Ramsés é uma excelente escolha. Em muitos momentos, as disputas e alianças lembram o estilo de grandes sagas políticas, algo que pode agradar leitores que gostam de narrativas complexas e cheias de personagens.
Em suma, Sob a Acácia do Ocidente encerra essa jornada de maneira satisfatória, emocional e coerente. Um final digno para uma série que combina aventura, política e história em uma narrativa envolvente do início ao fim.
Avaliação
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Sob a Acácia do Ocidente
Christian Jacq
ISBN: 978-85-286-0739-0
2006 – Bertrand Brasil
364 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Quinto e último volume da saga do faraó Ramsés, que já vendeu mais de 11 milhões de exemplares em 29 países de todo o mundo. Ícone do Egito Antigo que reinou durante 67 anos, e cujos feitos estão talhados em esculturas nos templos egípcios, Ramsés terá que ceder aos caprichos do povo hitita para honrar seu tratado de paz – ao perder Nefertari e Iset a Bela, será obrigado a desposar a princesa hitita Mat-Hor.
Ameaçado por inimigos ocultos, em seus derradeiros anos de reinado, Ramsés não conseguirá sair vitorioso na batalha contra o seu maior adversário: o tempo, que lhe roubou irremediavelmente o amor de sua vida e seus amigos de sempre. Sentindo-se cada vez mais velho e solitário, Ramsés irá sentar-se à sombra da acácia do Ocidente para a sua última viagem. Toda a trajetória de lutas, poder e consagração do faraó está presente nos cinco volumes da renomada série.