Ritmo da Guerra - Brandon Sanderson

Resenha do Livro Ritmo da Guerra, de Brandon Sanderson

Olá, Sonhadores! Como já virou costume aqui no blog, todo ano trago a resenha de um volume da série Os Relatos da Guerra das Tempestades, de Brandon Sanderson. Dessa vez, chegou o momento de falar do quarto livro: Ritmo da Guerra. A essa altura, voltar a Roshar já não é apenas retomar uma história, mas reencontrar um universo complexo, personagens queridos e conflitos que vêm sendo construídos há milhares de páginas.

Além disso, este é um ponto da série em que respostas já não podem mais ser adiadas. Depois de tanta preparação, mistério e crescimento gradual, era natural que esse volume assumisse um papel mais explicativo e revelador.

Onde a História Havia Parado

No livro anterior, Sacramentadora, a narrativa nos deixou em pleno andamento da guerra entre os humanos, representantes do deus Honra, e os Moldados, sob o domínio de Odium. Em Ritmo da Guerra, cada núcleo da história segue em busca de seus próprios objetivos, o que mantém a trama dinâmica e multifacetada.

Shallan e Adolin partem para Shadesmar em uma tentativa de conquistar o perdão dos esprenos de Honra pela traição cometida pelos humanos no passado. Enquanto isso, Dalinar continua desenvolvendo seus poderes como Vinculador e administrando a guerra, agora ao lado de Jasnah, que assumiu o trono de Alethkar. Kaladin, por sua vez, enfrenta um momento extremamente difícil, lutando para lidar com seus traumas acumulados. Paralelamente, Navani se dedica intensamente a tentar reativar Urithiru.

Além disso, também acompanhamos Venli, a última ouvinte. Embora esteja do lado dos Moldados, ela secretamente se tornou uma Radiante. Após todos os seus erros, Venli busca redenção, tentando salvar a si mesma e também os Cantores que não concordam com essa guerra e desejam se libertar do domínio de Odium.

Navani no Centro da Narrativa

Cada livro da série costuma ter um personagem como eixo central da trama. Primeiro foi Kaladin, depois Shallan, em seguida Dalinar, e agora chegou a vez de Navani. Confesso que, a princípio, fiquei surpreso com essa escolha. Apesar de sempre ter sido uma personagem importante, nunca imaginei que ela assumiria um protagonismo tão forte. No entanto, conforme a leitura avança, esse foco passa a fazer todo o sentido.

Estamos em uma fase da história em que o funcionamento do universo e do sistema de magia precisa ser explicado de forma mais sólida. E, nesse contexto, ninguém poderia cumprir melhor esse papel do que Navani. Desde o início da série, sabemos que ela é extremamente inteligente e respeitada pelas eruditas, mesmo que ela mesma não se considere digna desse título. Ainda assim, Navani possui todas as características de uma verdadeira cientista, sendo a pessoa ideal para desvendar os segredos de Roshar e até mesmo dos deuses.

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Respostas, Finalmente, Começam a Surgir

Um dos grandes méritos de Ritmo da Guerra é a quantidade de respostas que ele oferece. Pela primeira vez, muitas diferenças e conceitos ficaram realmente claros para mim. Esprenos, Ouvintes, Cantores, Moldados, Esvaziadores, Sanguespectros, Desfeitos, Arautos, Deuses… tudo isso começa a fazer mais sentido dentro da lógica interna do universo.

E isso sem sequer entrar na complexidade dos reinos de Roshar ou na infinidade de nomes próprios. Quem já leu essa série sabe o quão confuso tudo pode parecer no início. Existem conceitos distintos com nomes parecidos, conceitos iguais chamados de formas diferentes e até elementos cujo verdadeiro significado ninguém conhece completamente. Ainda assim, apesar dessa complexidade, o universo criado por Sanderson é incrivelmente coeso e lógico.

Mais do que isso, entender melhor Roshar ajuda também a compreender os sistemas de magia de outras histórias da Cosmere, como Mistborn, Warbreaker e Elantris. Embora sejam sistemas diferentes, todos compartilham a mesma base conceitual, o que torna a experiência ainda mais rica.

Conflitos Internos e Crescimento dos Personagens

Outro ponto de grande destaque neste volume é o aprofundamento dos conflitos internos de Kaladin e Shallan. Ambos enfrentam seus próprios fantasmas e, finalmente, começam a superá-los. Foi uma jornada longa e emocionalmente pesada, mas confesso que já estava na hora desses arcos avançarem.

Tudo isso foi feito de maneira muito impactante. Kaladin ainda carrega uma história um pouco mais clichê de soldado traumatizado, mas funciona bem dentro do contexto. Já Shallan apresenta um dos arcos mais originais que já vi. É a primeira vez que encontro um autor utilizando o Transtorno Dissociativo de Identidade dessa forma, especialmente ao revelar, posteriormente, a origem de tudo isso.

Ritmo da Guerra - Brandon Sanderson

Fabriais, Luzes e Descobertas

Voltando ao núcleo de Navani, o livro se aprofunda bastante na explicação dos fabriais e nos diferentes tipos de luz gerados pelos deuses. A Luz das Tempestades de Honra e a Luz do Vazio de Odium não são as únicas existentes. Cultura também está em Roshar, e sua luz tem um papel importante, com interações próprias entre todas elas.

Sanderson dedica vários capítulos a esclarecer esses conceitos, sempre equilibrando explicação e tensão narrativa. Como leitor, a sensação é de querer saber cada vez mais. Talvez por isso, para mim, os capítulos de Navani tenham sido os mais interessantes de todo o livro. E isso não é pouca coisa, considerando que ela concorre com personagens como o meu querido Padrão.

Além disso, a interação entre Navani e Raboniel foi uma surpresa extremamente positiva. As duas juntas construíram uma narrativa intensa, complexa e emocionalmente envolvente, tornando esse arco um dos melhores do volume.

Uma Leitura Longa, Mas Recompensadora

Ritmo da Guerra foi uma leitura longa, que me levou mais de um mês para concluir. Ainda assim, foi uma experiência muito boa, exatamente como eu esperava. O livro entrega respostas, desenvolve personagens e prepara o terreno para o que promete ser um final grandioso.

Agora, o que fica é a ansiedade pelo próximo, e último, volume dessa saga épica. Depois de tudo isso, estou mais do que pronto para descobrir como essa história chegará ao seu desfecho.


Avaliação

Avaliação: 5 de 5.

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Ritmo da Guerra - Brandon Sanderson

Ritmo da Guerra

Brandon Sanderson

ISBN: 978-65-813-3921-0

2025 – Trama

1408 páginas

Português (Brasil)

Sinopse

Após unir as forças humanas em uma coalizão de resistência contra a invasão inimiga, Dalinar Kholin e seus Cavaleiros Radiantes passam um ano travando uma guerra longa e brutal. Nenhum dos lados consegue vantagem, e a sombra da traição paira sobre cada movimento — especialmente com Taravangian, o astuto e imprevisível aliado de Dalinar, sempre pronto para agir conforme seus próprios planos.

Enquanto as novas descobertas tecnológicas das eruditas lideradas por Navani Kholin começam a transformar o campo de batalha, o inimigo prepara uma ofensiva ousada que ameaça alterar o destino de toda Roshar. A corrida armamentista que se segue desafiará o próprio cerne dos ideais Radiantes e poderá revelar os segredos da antiga torre que um dia foi o coração de seu poder.

Em meio ao caos, Kaladin, o Filho da Tempestade, enfrenta uma profunda mudança em seu papel dentro da ordem dos Cavaleiros Radiantes, enquanto seus Corredores dos Ventos encaram uma crise inédita: cada vez mais Moldados despertam para lutar, mas os esprenos de honra se recusam a formar novos laços com humanos.

Para salvar o mundo da ruína, Adolin e Shallan partem em uma missão desesperada rumo à Integridade Duradoura, a fortaleza dos esprenos de honra — onde precisarão convencê-los a se juntar à causa contra Odium, o deus terrível. Caso falhem, todos terão de enfrentar a verdadeira tempestade: a do fracasso.

Um comentário sobre “Resenha do Livro Ritmo da Guerra, de Brandon Sanderson

  1. Terminei hoje a leitura… Teve respostas, teve ainda mais perguntas novas, mas achei o livro “chato” em comparação aos outros três livros da série 😅

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