Memórias do Subsolo é uma obra de Fiódor Dostoiévski que marca o início de uma nova era do escritor.
Olá, Sonhadores! Não é de hoje que eu estava querendo ler Dostoiévski, mas sempre me senti muito intimidado, achando que não conseguiria ainda absorver a leitura da melhor forma e com medo da linguagem. Mas eis que surgiu a oportunidade de ler Memórias do Subsolo em uma Leitura Coletiva organizada pelo canal Ler Antes de Morrer e esse é o tipo de coisa que ajuda muito a dar aquele empurrãozinho que a gente as vezes precisa para ler algo. Enfim, eu li e vou compartilhar com vocês na resenha de hoje.
“Juro ao senhores que ter consciência demais é uma doença, uma doença de verdade, perfeita.”
Sobre o Livro “Memórias do Subsolo”
Este é um livro curto e é dividido em duas partes. A primeira, chamada “Subsolo”, é onde o protagonista e também narrador da história se apresenta e tem uma longa conversa com o leitor sobre temas que ele sente a necessidade de extravasar. De forma intensa e febril, ele debate consigo mesmo utilizando de uma plateia imaginária para refutar suas opiniões. Ele se denomina um grande fracassado, mas ao mesmo tempo tem o ego do tamanho do mundo, se sentindo intelectualmente superior a todos. Tudo é bem complexo e contraditório, mas que lendo e analisando com calma as coisas fazem sentido e passamos a entender melhor quem é esse homem.
Homem que, por acaso, não chegamos a saber o nome. Sabemos apenas que vivia em São Petersburgo, na Rússia do século XIX. E é claro que com esse contexto podemos supor de onde vem muitos dos pensamentos desse personagem. Não que a falta de conhecimento histórico sobre a Rússia daquele período vá dificultar sua leitura, mas definitivamente é uma camada extra muito interessante para quem gosta de ir mais além.
Depois temos a segunda parte em que o mesmo narrador conta sobre um período de sua vida. O que me dá a impressão é que a vida dele não se resumiu apenas ao que ele conta, mas sim foi um exemplo de como ela tem sido. Passando pelos mesmos tipos de situações e tendo os mesmos comportamentos autodestrutivos.
Outros livros que podem te interessar:
- A Paixão Segundo G.H. – Clarice Lispector
- O Guia do Mochileiro das Galáxias – Douglas Adams
- A Metamorfose – Franz Kafka
- Caçando Carneiros – Haruki Murakami
- O Eterno Adão – Júlio Verne
Minha Opinião
O narrador dessa história é claramente um homem perturbado que nunca conseguiu lidar bem com questões emocionais. Mas o mais interessante é que ele tem consciência disso. Inclusive, essa consciência excessiva de si mesmo e do mundo a sua volta, segundo ele, é a maior responsável por sua vida miserável.
Acredito que um dos grandes pontos desse livro é dizer que o ser humano não é e nem nunca será previsível e controlável. Nunca haverá uma fórmula lógica que fará todos os seres humanos agirem em prol do que é melhor para si e para todos. O narrador argumenta dizendo que pelo simples fato das pessoas valorizarem o livre arbítrio mais do que tudo é que elas são capazes de agir contra seus próprios interesses, apenas porque elas tem a liberdade para isso. É claro que o nível disso varia de pessoa para pessoa, mas quem nunca fez algo tendo plena consciência de que provavelmente iria se ferrar, mas fez mesmo assim porque queria fazer aquilo? Sem qualquer justificativa racional?
A segunda parte do livro é basicamente um grande exemplo disso tudo. Todas as ideias e questionamentos que o narrador trás na primeira parte são expostas de forma prática na segunda usando a si mesmo como modelo. Achei esse um formato muito interessante de se contar uma história e mesmo só tendo lido esse livro do autor ele já conquistou meu agrado.
Recomendo bastante a leitura, é um livro com um preço super acessível, tem um tamanho que não intimida e, pelo menos para mim, foi uma excelente porta de entrada para as obras de Dostoiévski.
“Nas memórias de qualquer pessoa, existem coisas que ela não revela para todo mundo, só para os amigos. Existem memórias que ela não revela nem para os amigos, mas só para si, e mesmo assim em segredo. No entanto, existem também, afinal, memórias que a pessoa teme revelar até para si, e qualquer pessoa respeitável acumula um bocado de coisas do tipo.”
Avaliação
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Memórias do Subsolo
Fiódor Dostoiévski
ISBN: 978-85-828-5247-7
2021 – Penguin-Companhia
184 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Lançado originalmente em 1864, enquanto Dostoiévski morava em Moscou e sua esposa estava nas últimas semanas de vida, Memórias do subsolo é considerado por muitos o ponto inicial da segunda fase do autor – na qual publicaria suas mais aclamadas obras.
Alienado da sociedade e paralisado pelo peso da própria insignificância, o narrador deste livro conta a história de sua conturbada vida. Com fina ironia, ele relata sua recusa em se tornar mais um trabalhador e seu gradual exílio da sociedade que o cerca.
Escrita em poucas semanas, esta novela arrebatadora explora, com a maestria única de Dostoiévski, as profundezas do desespero humano.
Tradução do russo, apresentação e notas de Rubens Figueiredo.