Aprenda a Identificar Figuras de Linguagem

Olá, Sonhadores! Sabe quando você lê um livro, gosta bastante porque te fez rir ou chorar muito, mas você não consegue identificar como ele conseguiu fazer isso? Uma das formas do escritor criar esses efeitos é através do uso de Figuras de Linguagem! Hoje vou trazer para vocês alguns exemplos desse recurso e quais objetivos eles podem ter. Se você é escritor ou também costuma fazer resenhas de livros, vem comigo, pois essas dicas vão te ajudar bastante tanto a criar histórias boas quanto a deixar suas resenhas mais embasadas!

Mas para começar: O que são Figuras de Linguagem?

Figuras de Linguagem são recursos estilísticos que dão ao texto um significado além do literal. Com isso, elas causam efeitos durante a leitura que podem chegar até a, sutilmente, mexer com as emoções do leitor.

Elas são classificadas em 4 categorias com base na forma em que são construidas:

  • Palavras ou Semântica: utiliza as palavras e seus significados como recurso.
  • Sintaxe ou Construção: se formam através da composição da frase e da estrutura gramatical.
  • Pensamento: é construida com base em ideias e conceitos que vão além da escrita.
  • Som ou Harmonia: utiliza a sonoridade para criar seus efeitos.

Isso é apenas uma introdução para te situar melhor sobre o que vamos tratar hoje. Meu objetivo não é trazer todas as Figuras de Linguagem que existem (para isso recomendo este link). Selecionei apenas alguns tipos que considero mais interessantes para, através deles, conhecermos todo o potencial desses recursos.


Uma coisa que bons escritores fazem naturalmente é construir frases bem escritas. Você pode reparar que eles fazem isso usando figuras de linguagem de sintaxe. Por exemplo, Elipse e Zeugma são Figuras de Linguagem que ocultam palavras que já estão subentendidas pelo contexto ou por já terem sido usadas. Isso torna a leitura muito mais fluida, pois reduz a oração. De “É mais fácil ir pelo caminho da esquerda do que pelo caminho da direita” podemos ir para “É mais fácil ir pelo caminho da esquerda“, pois já está subentendido que ele é mais fácil do que outros caminhos. Podemos ir mais além ainda, reduzindo para “É mais fácil ir pela esquerda“, pois o contexto dá a entender que ele vai ir por um caminho. É claro que tudo depende do efeito que o autor quer causar no texto, talvez para o que ele quer funcione mais a primeira frase. Mas pensando em diálogos, por exemplo, ninguém fala oralmente a primeira frase, temos tendência de reduzir bastante as frases quando falamos. Se alguém te perguntar qual caminho é mais fácil com certeza você vai responder da última forma. A contraponto temos o famoso Pleonasmo (“Subir pra cima“) e a figura de Anáfora, que propositalmente repete palavras para reforçar a mensagem que está sendo passada. Por exemplo, ao invés de dizer “Ela é chata, grosseira e desagradável” podemos dizer “Ela é chata. Ela é grosseira. Ela é desagradável.“. A segunda frase tem uma intensidade bem maior que a primeira.

Quando você sente que o texto está muito poético, provavelmente o escritor usou figuras de linguagem de som e harmonia como o a Aliteração e Assonância, que repetem consoantes e vogais respectivamente. Neste caso também se encontram as famosas Onomatopeias, que descrevem um som. Tanto as figuras de sintaxe, quanto de som estão muito ligadas a boa construção das frases.

Agora voltando mais ao significado das coisas, temos as figuras de palavras (ou semântica) e as de pensamento. O uso desses recursos são um pouco mais complexos, pois dependem da interpretação do leitor para funcionarem bem. Diferente dos casos anteriores, onde aplicamos as figuras e causamos o efeito sem mesmo o leitor se dar conta. Acho que, dentro das figuras de palavras, o exemplo mais claro do que quero dizer é a Metáfora. Esse é um recurso famoso, que faz uma comparação implícita entre coisas que não tem relação no sentido literal. Por exemplo, “Ela é uma rosa em meu jardim“. Sabemos que rosas são consideradas belas, mas perigosas, pois tem espinhos. Isso nos faz concluir que Ela é uma mulher bonita, porém perigosa, e não que Ela é literalmente a flor. E sendo que não se trata do sentido literal, interpretamos também que o jardim remete a vida do locutor da frase. Ou seja, tudo depende da interpretação que o leitor tiver. Isso serve para uma infinidade de coisas. Apesar da metáfora deixar mais complexo, ela também pode ser usada para esclarecer coisas através de comparações.

Outra figura de palavra que eu acho muito interessante é a Perífrase, que substitui um termo por outro ao se referir a algo. Então se temos um personagem chamado Henrique, que é um professor aposentado, ao invés de sempre nos referirmos a ele como Henrique e deixar o texto repetitivo, podemos chama-lo de “o professor”, “o mestre”, “o senhor”, “o aposentado” e etc. Isso serve não só para evitar repetições, mas também para enfatizar características do personagens que no contexto faz bem serem lembradas. Ainda usando nosso exemplo, se Henrique estiver em uma cena em que vale a pena reforçar que ele já está velho, convém chama-lo de “o aposentado” em algum momento. São coisas sutis que fazem toda diferença.

Por fim, temos as figuras de pensamento que, na minha opinião, são as mais legais. Com elas podemos dar tons de drama ou comédia para a história, como um tempero (olha eu usando uma figura de Comparação). Dentro dela temos a Ironia e o Sarcasmo, onde se diz algo que é o contrário do que queremos dizer: “Nossa, você ajudou muito!“, disse um personagem quando a colega foi inútil ao tentar ajudar. Temos também a Hipérbole e o Eufemismo, onde exageramos e amenizamos as coisas respectivamente. Por exemplo: “A batida foi tão forte que ele saiu voando por quilômetros!” sendo que obviamente ele foi arremessado apenas alguns metros. E “Infelizmente, ele não está mais entre nós.“, suavizando a mensagem ao invés de dizer que ele morreu. Assim como as figuras de palavra, essas também dependem da interpretação do leitor. Parece que não, mas muita gente não consegue entender quando uma coisa é ironia ou quando alguém está exagerando os fatos. Então vale sempre considerar: meu objetivo é passar uma mensagem clara ao leitor ou é tentar faze-lo rir? Não há certo ou errado no uso de figuras de linguagem, mas definitivamente você pode falhar no seu objetivo se não usa-los corretamente.

Bem, espero que com essa pequena introdução sobre o assunto você consiga identificar algumas figuras durante suas leituras. Isso vai te fazer enxergar o autor de outra forma e, provavelmente, te fazer entender porquê você gostou ou não daquele texto. Se você é escritor, aproveite o embalo para estudar essas e outras figuras e aplica-las nos seus textos! Lembrando que eu não sou formado na área e tudo o que disse foi com base em meus estudos independentes. Caso eu tenha cometido algum erro, por favor, me avise ou deixe nos comentários para não passarmos informações incorretas. Enfim, espero que tenha sido útil para você, não deixe de seguir o blog para receber a notificação de novas postagens e até a próxima!

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