Olá, Sonhadores! Chegamos ao quinto livro da série Ciclo Terramar, de Ursula K. Le Guin. Confesso que este era o volume que eu mais temia ler. Diferente dos anteriores, Contos de Terramar não apresenta uma narrativa contínua, mas sim uma coletânea de histórias ambientadas em diferentes momentos da linha do tempo e em variadas regiões do universo criado pela autora. Meu receio era que o formato em contos tornasse a leitura menos envolvente — e, em parte, isso realmente aconteceu.
Um livro fora da ordem cronológica
Ao todo, o livro reúne cinco contos que expandem o universo de Terramar. Por não seguir a ordem cronológica principal da série, a obra funciona quase como um mosaico de histórias complementares, aprofundando aspectos culturais, históricos e mágicos desse mundo tão rico. Para quem aprecia construção de mundo detalhada, esse formato tem seu valor, mas também altera significativamente o ritmo em comparação aos romances anteriores.
O primeiro conto, e também o mais longo, aborda a fundação da famosa Escola de Roke, o mesmo local onde, no primeiro volume, Ged inicia seus estudos para se tornar feiticeiro. A narrativa acompanha a jornada de um jovem garoto com talento para a magia, em busca de compreender seu destino e seu lugar no mundo. Para mim, este foi um dos contos mais interessantes da coletânea, justamente por explorar a origem de um dos pilares mais importantes da série. Aprofundar a história de Roke adiciona camadas relevantes à mitologia de Terramar e enriquece ainda mais o universo criado por Le Guin.
Contos intermediários e ritmo irregular
Os três contos centrais — “Rosa Negra e Diamante”, “Os Ossos da Terra” e “No Pântano Alto” — também contribuem para a expansão do mundo, mas de forma mais isolada. São histórias menores, mais avulsas dentro do contexto geral da saga, e por isso acabam sendo menos impactantes. Embora tenham seu valor na construção do universo, não despertaram em mim o mesmo nível de interesse.
Foi justamente nesse trecho da leitura que o ritmo se tornou um pouco mais arrastado. Essa sensação era exatamente o que eu temia ao iniciar o livro. A ausência de uma linha narrativa contínua e a mudança constante de personagens e contextos dificultaram meu envolvimento mais profundo com as histórias. Não são contos ruins, mas comparados aos romances principais da série, soam menos memoráveis.
Outros livros que podem te interessar:
- O Feiticeiro de Terramar – Ursula K. Le Guin
- As Tumbas de Atuan – Ursula K. Le Guin
- A Última Margem – Ursula K. Le Guin
- Tehanu – Ursula K. Le Guin
- A Mão Esquerda da Escuridão – Ursula K. Le Guin
Um encerramento que reacende o entusiasmo
Felizmente, o último conto, “Libélula”, eleva novamente o nível da obra. Em suma, retornamos à linha cronológica principal da série e somos apresentados a uma nova personagem-chave para os acontecimentos futuros. Assim como o primeiro conto, “Libélula” é um pouco mais extenso e apresenta uma trama mais estruturada, com revelações importantes e desdobramentos relevantes.
Em resumo, esse conto funciona como uma ponte direta para o último volume do Ciclo Terramar. A conexão com a narrativa maior reacendeu meu entusiasmo e me deixou com muita vontade de continuar a série. O encerramento, portanto, cumpre bem o papel de preparar o leitor para o desfecho da saga.
Textos adicionais e conteúdo complementar
Além dos cinco contos, o livro inclui prefácio e posfácio escritos por Ursula K. Le Guin, bem como um capítulo adicional que funciona como uma espécie de mini enciclopédia sobre Terramar. Esse material complementar é especialmente interessante para leitores que desejam se aprofundar ainda mais na geografia, na cultura e nos elementos mágicos desse universo. Trata-se de um conteúdo que reforça o cuidado da autora com a coerência e a riqueza do mundo que construiu.

Problemas na edição da Morro Branco
No fim das contas, a leitura não foi tão maçante quanto eu imaginava antes de começar. Meu maior problema com Contos de Terramar, no entanto, não está no conteúdo, mas na edição publicada pela editora Morro Branco. Inicialmente pensei ter recebido um exemplar com defeito de encadernação, mas ao pesquisar descobri que outros leitores relataram o mesmo problema. Para um livro com preço elevado, considero um absurdo que ele apresente falhas desse tipo.
Meu exemplar é literalmente torto, não consigo deixá-lo em pé mesmo sendo de capa dura. Além disso, a escolha estética da capa também me incomodou bastante. O contraste entre o prateado e o azul ficou, na minha opinião, bastante desagradável. Fica a pergunta: quem teve a ideia de usar essa combinação de cores?
Vale a pena ler Contos de Terramar?
Em conclusão, apesar das ressalvas, recomendo a leitura, especialmente para quem já acompanha o Ciclo Terramar e deseja compreender melhor os detalhes desse universo. O livro amplia a mitologia da série e prepara o terreno para o desfecho final. Quanto a mim, sigo ansioso para concluir essa jornada, torcendo apenas para que o último volume venha com uma qualidade editorial melhor.
Avaliação
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Contos de Terramar
Ursula K. Le Guin
ISBN: 978-65-609-9053-1
2025 – Morro Branco
320 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Terramar é um reino de magia e mistério, um mundo inexplorado de incontáveis ilhas, cada uma delas contendo vislumbres de poder e de segredos não ditos. Feiticeiros, bruxas e criaturas míticas habitam esse extraordinário arquipélago, onde o equilíbrio entre luz e sombra é tão frágil quanto as ondas que quebram na praia.
Em Contos de Terramar, quinto volume da saga, Ursula K. Le Guin incursiona pela rica tapeçaria desse mundo adorado. Por meio de uma coletânea de histórias encantadoras, os leitores irão descobrir a história oculta de Terramar ― encontrando figuras lendárias, explorando ensinamentos esquecidos, e testemunhando as origens de sua grande magia. Da fundação da escola de Roke às aventuras de um jovem ladrão que ousa desafiar o destino, estes contos evidenciam as verdades atemporais da coragem, da sabedoria e do custo do poder.
Agora, explore mais uma vez o arquipélago onde dragões ainda voam, os Antigos Poderes ainda circulam e os limites entre mito e realidade se confundem.