Memórias

Olá sonhadores! Faz muito, muito, muito tempo que eu não faço um dos meus textos reflexivos aqui para o blog. Eu não sei explicar bem o motivo, acho que tenho me tornado um pouco inseguro de expor algumas coisas que tenho pensado. Talvez por ainda não ter desenvolvido a ideia o suficiente, talvez por medo de ser mal interpretado. Na real, não sei. Mas eu sei que senti vontade de compartilhar um sentimento que venho tendo sobre minhas memórias de leituras e é isso que farei hoje!

Esses dias eu estava olhando meus livros lidos mais antigos no Skoob e percebi que os que eu mais lembro são os que tem resenha no blog. Os que não tem, eu não lembro mais de quase nada. Como se o fato de resenhar me fizesse absorver melhor a história. O que faz sentido pra mim. Da mesma forma que eu lembro mais de um livro que eu dei 5 estrelas do que um que eu só dei 3, pois o melhor avaliado foi mais marcante.

Quando eu criei o blog, uma das coisas que me motivaram foi eu ter um lugar onde eu poderia deixar registrado o que eu achava sobre cada livro que eu lia (ou pelo menos a maioria deles). Isso porque depois de uns 5 anos lendo muitos livros, eu comecei a esquecer não só o conteúdo das histórias (o que é perfeitamente natural), mas também o que eu senti com aquela leitura. Se eu havia gostado ou não, se foi entediante ou empolgante, se a leitura me deixou incomodado ou deu aquele quentinho no coração, sabe? É claro que eu não precisaria criar um blog para registrar essas coisas, mas foi a opção que eu escolhi por causa de outros fatores também.

Mas não é sobre as origens do blog que eu quero falar, e sim sobre uma certa agonia que tenho sentido ao perceber que mais e mais leituras vão sendo esquecidas com o tempo e que ter elas registradas no blog não tem sido o suficiente para me consolar. Eu sinto uma perda. Como se eu tivesse me dedicado muito a um trabalho que no final não serviu pra nada. Eu sei que esse pensamento é falso a partir do momento que uma leitura não se trata apenas da narrativa, mas também da construção e evolução que ela promove no leitor, do aprendizado e do desenvolvimento pessoal. Mas mesmo assim, o sentimento de perda continua.

E tudo isso não é só com livros não. Com filmes, séries e até jogos é a mesma coisa. Com toda forma de conteúdos consumíveis estamos sujeitos a passar por isso. E esquecer é uma coisa que nos amedronta. Eu não estou falando de esquecer aquela vergonha que você passou na escola quando tinha 13 anos, nem esquecer aquele momento da sua vida que causou traumas que você carrega até hoje. Essas coisas são boas de esquecer. Me refiro a esquecer o que você viveu, quem você foi. Esquecer a sua própria história. Isso é bastante assustador. E acho que por isso me sinto mal em esquecer minhas leituras mais antigas, porque elas fizeram parte da minha história e me moldaram de alguma forma. Não queria esquece-las.

Você pode dizer que sempre existe a opção de reler ou reassistir, mas nunca é a mesma coisa. O que fazemos em um momento é sempre algo único, não importa o quanto tentamos reproduzir. Muitas vezes até estragamos aquela boa lembrança que temos de um livro ao lê-lo de novo e perceber que não você está gostando como o seu eu passado gostou. Naquela época fazia sentido para ele, era novidade.

Enfim, você também sente isso? Sabe como lidar? Pois se souber, compartilhe comigo! Mas não se preocupe, não é um sentimento que me persegue a todo momento. Esse texto é que deve ter soado um pouco mais dramático do que a realidade.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s