Olá, Sonhadores! Hoje trago mais uma leitura da Monja Coen! Nesta obra, Em Cada Instante Nascemos e Morremos Bilhões de Vezes, a autora aborda de forma sensível e esclarecedora o tema do envelhecimento e da morte. Por meio de textos que combinam ensinamentos do Budismo e experiências pessoais, ela nos convida a refletir sobre um assunto que, para muitos, é sombrio e desconfortável.
Ao longo das páginas, Monja Coen nos mostra que encarar a finitude não precisa ser um fardo. Sua proposta é trazer luz a um tema que a cultura ocidental, em especial, costuma tratar com peso excessivo, misturando medo, tabu e sofrimento.
Por que tratamos o envelhecimento e a morte com tanto peso?
Uma das principais reflexões que o livro provoca é justamente esta: por que nossa sociedade encara a morte e o envelhecimento com tanta escuridão? Na cultura ocidental, o avançar da idade é frequentemente associado à perda (de vitalidade, de utilidade, de beleza) e carregado de simbolismos dolorosos.
Além do luto quando alguém parte, convivemos com um sentimento de obsolescência dentro do sistema capitalista, com mudanças na aparência, problemas de saúde e a pressão de crenças religiosas, como a possibilidade de um sofrimento eterno no inferno. E aí surge a pergunta inevitável: precisa ser assim? Será que não existe outra maneira de lidar com a única certeza da vida?
Histórias pessoais e coragem para expor a própria vida
O que mais me marcou nesta leitura foi conhecer aspectos da vida da Monja Coen que eu desconhecia, ou, pelo menos, não sabia em detalhes. Sempre admirei a coragem dela em expor episódios que facilmente poderiam ser alvo de julgamentos.
Essa franqueza se conecta com um dos princípios centrais do Budismo: a impermanência. Nada é fixo, nada é eterno, tudo está em constante transformação. Ao compartilhar suas experiências, ela reforça que não existe vergonha no passado ou no envelhecer, existe aprendizado.
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Reflexões pessoais sobre envelhecer e perder
Tenho mais de 30 anos e, até pouco tempo atrás, nunca tive um contato muito próximo com a morte. No entanto, nos últimos anos, percebo com mais clareza o envelhecimento dos meus avós, dos meus pais e até da minha própria geração.
Mesmo ainda jovens, as mudanças são perceptíveis: rostos diferentes, corpos mais lentos, limitações sutis que vão surgindo. Sempre achei que conseguiria lidar bem com esse processo, mas será que, ao perder alguém muito próximo, minha força vai se manter?
E quanto a mim? Será que, quando perceber limitações no meu próprio corpo, não vou me sentir frustrado? Uma das maiores dificuldades que imagino enfrentar é a dependência de outras pessoas — algo que sempre procurei evitar. Essas questões ganharam mais profundidade depois desta leitura.
Um convite à aceitação e à serenidade
O que mais aprecio neste livro é que ele não oferece respostas prontas nem receitas milagrosas para lidar com o envelhecimento ou com a morte. Em vez disso, Monja Coen nos convida a repensar nossa relação com esses processos inevitáveis, trazendo serenidade para um tema que, muitas vezes, só é tratado com dor.
Ela nos lembra que cada instante é um ciclo: nascemos e morremos inúmeras vezes ao longo de um único dia, seja em pensamentos, emoções ou pequenas mudanças. Essa percepção nos ajuda a entender que a morte não é um evento isolado, mas parte contínua da vida.
Para quem esta leitura pode ser valiosa
Em Cada Instante Nascemos e Morremos Bilhões de Vezes é uma excelente escolha para quem está lidando com questões relacionadas à finitude, seja pela perda de alguém querido, pela percepção do próprio envelhecimento ou pela necessidade de encontrar sentido nesse processo.
As palavras de consolo vindas de alguém próximo podem ser reconfortantes, mas ouvir de alguém de fora, que já viveu e refletiu profundamente sobre o tema, pode trazer ainda mais clareza e paz.
Conclusão: uma obra que acolhe e ilumina
Ao finalizar esta leitura, fica claro que Monja Coen não escreve para nos afastar do tema da morte, mas para nos aproximar dele com leveza e coragem. A morte e o envelhecimento deixam de ser vilões e passam a ser reconhecidos como partes inseparáveis da experiência humana.
Essa é uma leitura que toca fundo na alma, provoca questionamentos e, acima de tudo, abre espaço para enxergar a vida com mais gratidão. Se você busca um livro que una reflexão, espiritualidade e humanidade, esta obra é, sem dúvida, uma excelente escolha.
Avaliação
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Em Cada Instante Nascemos e Morremos Bilhões de Vezes
Monja Coen
ISBN: 978-85-422-2717-8
2024 – Academia
224 páginas
Português (Brasil)
Sinopse
Estamos todos envelhecendo juntos. A Terra, o Universo, os períodos do dia, o sol, a lua e nós, seres humanos. Desde o momento em que nascemos, já começamos a envelhecer. Trata-se de um processo único, que se inicia antes mesmo de existirmos, que recomeça a cada vez que despertamos e cujo fim somos incapazes de determinar. No livro Em cada instante nascemos e morremos bilhões de vezes , a fundadora da Comunidade Zen- Budista Zendo Brasil, Monja Coen, apresenta reflexões muito sensíveis a respeito do envelhecer, tema frequentemente temido e, por sua vez, evitado. De que maneira podemos encontrar mais leveza à medida que ficamos mais velhos? Como lidar com questões como as mudanças no corpo e na saúde ou uma eventual desmemória das coisas? Como compreender as vulnerabilidades envolvidas nesse processo e saber pedir ajuda? E de que forma devemos encarar a morte, que parece tão próxima? Pacientemente e com muita lucidez, alternando histórias pessoais, textos sagrados e considerações advindas da prática do zen-budismo, a autora convida o leitor a olhar para si e entender que o envelhecer é o resultado de todo o passado no presente e está acontecendo neste instante.