Frankenstein – Mary Shelley

A maioria das pessoas pensam que Frankenstein é o monstro dessa história de Mary Shelley. Algumas pessoas, um pouco mais bem informadas, sabem que o monstro é só o monstro e que Frankenstein é o Dr. Frankenstein, o criador dele. Mas só quem realmente já leu este livro, sabe que a história trata muito mais sobre drama do que de terror.

Temos dois lados nessa história. O primeiro é sobre o Dr. Frankenstein, que ultrapassando os limite da ciência e da moralidade, cria, através de orgãos e membros coletados do necrotério, um criatura bizarra. Assustado com sua própria criação, ele deixa o monstro fugir e passa o resto da vida atormentado pelas consequências dessa experiência. Do outro lado da história temos o Monstro, que sem consciência de quem é, onde está e o que fazer, começa a conhecer o mundo, em suas belezas e tristezas. Durante a leitura, você acompanha todo o desenvolvimento desse ser, de como ele se descobre uma aberração, de como ele desenvolve seus sentimentos bons e ruins e de quanto sofrimento ele passa, sem nunca ter uma única oportunidade de ter um amigo ou de receber um pouco de afeto.

Para mim, a parte do livro que narra a trajetória do monstro foi um pouco mais marcante. Tudo é triste! Sentimos empatia e nos identificamos com as coisas ruins que acontecem com ele. O sofrimento é o que o corrompe e é o que faz ele atormentar seu criador em busca de vingança e interesses próprios. O lado do Dr. Frankenstein é onde se encontra o terror da história; é um thriller de como ele é levado a loucura através do trauma e arrependimento da criatura que fez, e de todas as perdas que ele vai ter em sua vida em consequência disso.

Assim como qualquer clássico, este livro tem um certo grau de dificuldade na leitura, sendo considerado um pouco cansativo e monótono. Não é exatamente o que eu recomendo para quem busca terror, mas sim para quem quer, realmente, uma leitura densa e pesada, que vai te fazer pensar e repensar sobre diversas coisas.