Desventuras em Série – Lemony Snicket

Decidi ler Desventuras em Série ano passado com o lançamento da série da Netflix. Li os quatro primeiros volumes que correspondem a primeira temporada e deixei o resto para ler este ano para o lançamento da segunda, que vai até o nono volume. Mas a leitura estava tão boa que não aguentei e li até o fim.

A primeira coisa que eu ouço as pessoas falarem sobre Desventuras em Série é que ela é bem infantil, o que é esperado visto que se trata de um livro para esse público. Porém, eu não concordo que isso impede que adultos leiam e gostem. A simplicidade infantil pode ser algo muito agradável e engraçada de se ler.

A história é narrada pelo próprio autor, que se coloca como um personagem oculto na trama. Os protagonistas são os irmãos Baudelaire: Violet, a irmã mais velha com 14 anos, é uma inventora muito criativa. Klaus, o irmão do meio com 12 anos, é um menino que adora ler e usa seus conhecimentos para ajudar a resolver os problemas que eles encontram pelo caminho. E Sunny, a irmã mais nova, que ainda é apenas um bebê, mas mesmo não sabendo falar e andar, é muito esperta e conhecida por ter dentes fortes que se provam ser bem úteis.

Tudo começa com a primeira tragédia, a morte dos pais dos Baudelaire, que desencadeia uma série de outras tragédias ao longo dos 13 volumes. Agora órfãos, eles contam com a ajuda do Sr. Poe, um bancário, responsável por administrar a fortuna que as crianças vão receber assim que Violet tiver idade suficiente, e que também precisa encontrar um novo lar para eles viverem.

O problema é que o Sr. Poe, mesmo demonstrando verdadeira preocupação pelas crianças, se mostra ser totalmente incompetente, dando a guarda delas para pessoas inadequadas. O primeiro tutor dos Baudelaire acaba sendo o Conde Olaf, o grande vilão da história, que inescrupulosamente vai fazer de tudo para ficar com a fortuna dos órfãos.

Isso nos leva a segunda crítica que eu ouço falar, que é a série ser muito repetitiva, sempre com o Conde Olaf executando planos malignos através de seus disfarces horríveis (porém, de alguma forma, eficientes), sempre com as crianças numa situação ruim, sem poder contar com a ajuda dos adultos, sempre tudo dando errado pra ambos os lados, sempre tudo terminando em mais tragédia. De fato existem essas repetições, e que é muito frustrante quando você torce para as coisas darem certo e perceber que elas nunca vão dar, mas é isso que a história é: Desventuras em Série. E o autor faz questão de alertar em cada livro, que se você não está preparado pra lidar com isso, pare de ler agora e vá ler um livro que te deixe feliz.

Gostaria de fazer um destaque ao grande trabalho que o autor faz evoluindo os personagens ao longo do tempo, em especial Sunny, que começa como um bebê que não consegue falar e andar, e termina não apenas falando e andando, mas com habilidades culinárias impressionantes. E é incrível ir percebendo essas evoluções. Inclusive, a Sunny é minha personagem favorita, responsável por me fazer rir diversas vezes durante as leituras.

Durante a história existe um grande mistério que envolve todos os personagens, incluindo o narrador, e que ao longo dos volumes esses segredos vão sendo revelados. Algumas pessoas consideram o final da série muito aberto e inconclusivo, eu particularmente não gosto de finais assim também, mas neste caso eu admito que encaixou muito bem e posso afirmar que gostei, porque o que não foi dito, ficou subentendido.

Recomendo muito pra quem quer ler algo mais leve e divertido. É perfeito pra ler intercalando com leituras mais pesadas, além de serem livros curtos e rápidos de ler. Porém, já aviso que existe a chance de você deixar tudo de lado pra focar em ler Desventuras em Série porque é viciante.